68% dos brasileiros utilizam aplicativos de transporte após beberem

A combinação de álcool e direção pode ser mortal: mais de 32 mil pessoas morreram por acidentes de trânsito no Brasil, em 2017, segundo dados do Ministério da Saúde. Quem é pego dirigindo sob os efeitos do álcool comete uma infração gravíssima, paga multa e suspensão do direito de dirigir por 12 meses. Por isso, muitas pessoas vêm tomando uma outra atitude para evitar que algo mais grave aconteça. 68% dos brasileiros passaram a utilizar os aplicativos de transporte para evitarem combinar a ingestão de álcool com direção. Os dados são do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV).

Com o endurecimento da Lei Seca (que completou 10 anos em 2018), o número de óbitos em acidentes de trânsito caiu 17%. O professor do curso de Direito da Unisul, Moisés Schmitz, acredita que essa redução tem a influência de diversos fatores, inclusive a popularização dos aplicativos de mobilidade. “A população está se conscientizando. Quando recebem um convite para participar de um evento, por exemplo, as pessoas já traçam o deslocamento pensando na segurança, no conforto e também na economia. Os aplicativos de transporte, além de serem mais acessíveis, ajudam a evitar o gasto com estacionamento e segurança do veículo, permitindo que as pessoas façam a ingestão de bebidas alcoólicas”, comenta.

O que acontece ao dirigir sob o efeito de álcool?

Segundo o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), ao dirigir sob o efeito de álcool, a destreza e outras habilidades necessárias para a direção, como a tomada de decisões são prejudicadas muito antes dos sinais físicos de embriaguez. As inibições e a capacidade de julgamento são rapidamente afetadas, aumentando a probabilidade de tomarem decisões equivocadas. O tempo de reação e reflexos também sofrem alterações, comprometendo ainda mais as habilidades necessárias para o ato de dirigir. Em altas doses, a bebida alcoólica pode também causar sonolência ou até mesmo ocasionar a perda de consciência ao volante.

Como aumentar a conscientização?

O professor da Unisul comenta que ainda é necessário investir em campanhas educativas direcionadas a todas as faixas etárias pelos meios de comunicação e também se estendendo às redes sociais. “Outro ponto seria investir na prevenção primária, realizando a conscientização das crianças e adolescentes nas escolas, começando na primeira infância e atingindo até o ensino médio. Também poderíamos ampliar essa ação, de uma forma mais dinâmica, atingindo o público universitário”, finaliza Moisés.

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