A moça que de tanto correr virou menina

Por: L.J. Sardá

Tatiane Leal nunca poupou energia no trabalho, com a inquietação de buscar novos conhecimentos para inovar. Contudo, deixava-se vencer, principalmente nos finais de tarde, pela fadiga do corpo desajustado à velocidade da mente.

Um dia, a menina Tati acordou-se decidida a descer do pódio da indolência, desafiando-se numa luta árdua de intransigência contra a letargia do corpo. Em 2015, sentiu a arrancada, com o peso corporal excessivo, que começou a perder pontos na corrida da perseverança. A primeira disputa veio logo; parecia até que o tempo se abreviara para a impulsionar a uma conquista muito difícil, cujos perdedores se multiplicam no dia a dia das facilidades, nos desquites comuns que desobrigam o corpo de acompanhar a mente. A teimosia alimentou o seu destemor e perseverança. E nos três anos de “touradas” contínuas, as barreiras caíram com a rapidez de uma transformação. 

Quem fazia tempo que não via Tati limitou-se, em corredores da Unisul, a devolver-lhe, por educação, o cumprimento alegre de uma nova fisionomia. Tatiane? Ora, está desigual! A mente brilhante ganhara reforço de um conjunto moldado na saúde e na beleza rejuvenescida.

Na distância do tempo que voa, o seu sorriso ganha volume e ternura; a felicidade contagia os olhos e lábios. A sua pele espanta a flacidez com o suor dos treinos e competições, sob aplausos de todos, principalmente dos que ainda continuam lamentando não poder imitar a coragem da moça grande que ficou menina.

Na última semana, Tatiane foi bem mais longe. Participou da Maratona de Berlim, e seu relato a colocou no pódio da felicidade: “Foi mágica, do jeito que sonhei, guiada por Deus”.

Em meio a tantos carinhos e aclamação, Tatiane, tão recentemente sedentária, só perdeu peso: ganhou beleza, simplicidade, confiança e, sobretudo, felicidade elástica. Ela sabe esticá-la, porque a distância já aprendeu muito bem a vencer. A menina ganhou o pódio de um grande exemplo de vida.

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