Aldeia Itaty e Unisul promovem encontro entre medicina guarani e chinesa

A escola indígena da aldeia Itaty, localizada no Morro dos Cavalos, em Palhoça, sediou um curso que propôs a junção de duas medicinas, a chinesa e a guarani, no dia 19 de junho.  O médico chinês Dr. Yu Tao, do Homo Serviens, deslocou-se até a aldeia para a troca de conhecimentos com o curandeiro e o povo indígena. Participaram desse encontro de dois povos, de um lado, educadores e a diretora da escola Itaty, artesãs e o vice-cacique Juninho. Do outro, alunos e professores do Projeto Transversal de Extensão da UNISUL: Direitos Humanos e Mediações Culturais, sob a coordenação de prof. Dr. Jaci Rocha Gonçalves.


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Ao abrir o evento, a diretora Rosângela Marques da Fontoura, apresentou a proposta de trocar conhecimento entre essas duas medicinas, cujas técnicas são desconhecidas pela maior parte da sociedade. O método funciona e os relatos de quem os experimenta são, como ela mesma diz: simples mas muito verdadeiros. No momento de decidir qual médico falaria primeiro sobre suas técnicas, o curandeiro guarani Carlos Antunes deu precedência ao Dr. Yu Tao.

Dr. You Tao iniciou o diálogo abordando o KaáruMbya (Constelação do Cruzeiro do Sul), uma forma de orientação que serve tanto para os chineses quanto para os Guarani. Segundo ele, todos somos irmãos, e não há necessidade de uma comunicação igual para que vários povos compartilhem do mesmo conhecimento. Por fim, explicou o conceito do alinhamento, mostrando que para ter saúde é preciso estar alinhado. “É preciso cuidar de sua postura para manter-se no caminho reto, que é o caminho certo”. E concluiu com exercícios de acupuntura admirados e exercitados por vários guarani.

Por sua vez, o guarani Carlos Antunes apresentou 19 tipos de plantas, que são as ervas com as quais ele trabalha, bem como seus usos e funções. O curandeiro explicou ainda que a árvore toda é remédio: os frutos, a casca, as folhas, as raízes. “É preciso crer na eficácia dos remédios naturais, pois o poder vem prioritariamente da mente e da fé”, ensina, fazendo reverberar sua sabedoria antiga para os habitantes do Morro dos Cavalos.

A atividade integrou o calendário da 14ª edição do UniDiversidade, em junho 2019, organizado pelo Projeto Transversal DH e Mediações Culturais da Unisul Unisul Grande Florianópolis – Unidade Pedra Branca e o Homo Serviens. O prof. Dr. Jaci Rocha Gonçalves lembrou aos presentes que “este abraço às culturas orientais já foi viabilizado em outras ocasiões, a pedido dos indígenas. A última vez foi na produção do CD JEROJI MARAE-Y (Danças sagradas) de 2010 nas Olimpíadas da China, com o mantra principal traduzido no encarte em mandarim e japonês.

Colaboração: Emanuela Lima Vieira, acadêmica da 1ª fase de Jornalismo.

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