Aleitamento materno é um ato de amor repleto de benefícios para saúde

O nascimento é um momento repleto de felicidade que costuma vir acompanhado de algumas dúvidas e inseguranças, quanto a melhor forma de garantir saúde, conforto e segurança para a criança. Para suprir tais demandas e anseios, os responsáveis adquirem mobília adequada para manter o pequeno bebê protegido, roupas confortáveis, produtos de higiene pessoal e se cercam de informações de profissionais das mais diversas áreas, de familiares, amigos, livros e redes sociais.

Todas estas ações são importantes e fazem parte da “simbologia” envolvida no processo da chegada de um novo ente ao lar. Todavia, é por meio de uma ação simples, de baixo custo e amplamente divulgada nas mídias científicas e populares, que se pode proporcionar benefícios para a vida destes pequenos. Esta ação, denominada aleitamento materno, que vem sendo realizada pelas mulheres desde os primórdios, deve ser entendida e assumida como a via primária de escolha para oferta de alimentos ao bebê, ou seja, a forma natural de alimentar o recém-nascido.

Segundo as orientações da Organização Mundial de Saúde, adotadas pelo Ministério da Saúde do Brasil, o aleitamento materno deve ser realizado de forma exclusiva até os seis meses de vida, o que representa não ofertar água ou bebidas à base de água (ex: chá), leites de outros animais ou alimentos. Após os seis meses o aleitamento deverá ser complementado com alimentos, mas precisará ser mantido até os dois anos de vida ou mais. Estas recomendações podem ser alteradas em função de situações específicas, como a presença de doenças no bebê ou na nutriz (BRASIL, 2015).

Em janeiro de 2016, um dos mais importantes periódicos da área da Saúde, denominado The Lancet, apresentou relevantes pesquisas sobre este tema. Em um dos artigos, que tem como principal autor o pesquisador brasileiro Cesar Gomes Victora, menciona-se que a amamentação serve como fator protetor para as crianças e reduz o risco de morte. Outras análises referenciadas no artigo, expõem ainda que o aleitamento poderia evitar metade dos casos de diarreia e 1/3 dos casos de doenças respiratórias, minimizar o desenvolvimento de maloclusões dentárias, minimizar a ocorrência de obesidade e diabetes tipo 2 e aumentar o quociente de inteligência nas crianças. Para as mães, serviu como protetor do câncer de mama e aumentou o intervalo entre os partos (VICTORA et al., 2016).

Dados de materiais divulgados pelo Ministério da Saúde citam ainda que o aleitamento materno, fornece nutrientes suficiente em quantidade e qualidade para garantir o crescimento e desenvolvimento adequados da criança, fortalece o vínculo afetivo mãe-filho, beneficia os aspectos psicológicos, minimiza a chance de surgimento de alergias e de aumentos do colesterol e da pressão arterial (BRASIL, 2012; BRASIL 2015).

A interrupção do aleitamento costuma ocorrer por diferentes fatores e em diferentes momentos do processo, mas a falta de informação é um dos mais recorrentes. As mães precisam lembrar que o aleitamento materno além de um ato de amor, é um ato que agrega saúde atual e futura para a saúde da criança. O Ministério da Saúde vem buscando fortemente ao longo dos últimos anos incentivar esta prática e, para tanto, tem capacitado seus funcionários para orientarem gestantes, mulheres que amamentam, seus familiares e a toda população interessada na temática. As unidades básicas de saúde são ambientes propícios para o acolhimento e esclarecimento de dúvidas ou dificuldades práticas existentes neste processo. A troca de informações entre a população e os profissionais tende a melhorar a frequência da amamentação no país e consequentemente, a melhorar a saúde das futuras gerações.

A UNISUL disponibiliza atendimentos para as crianças e gestantes nos ambulatórios dos cursos de medicina (Ambulatório Materno Infantil – AMI) e nutrição. As consultas, realizadas por acadêmicos dos respectivos cursos, sob supervisão docente, são disponibilizadas para moradores de Tubarão e de toda a região. Os ambulatórios estão localizados no Bloco C da UNISUL de Tubarão.

Texto escrito pela professora doutora Lalucha Mazzucchetti, nutricionista docente dos cursos de nutrição e medicina da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), Campus Tubarão.

REFERÊNCIAS:

BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde da criança: crescimento e desenvolvimento. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. (Cadernos de Atenção Básica, n. 33). Disponível em: <http://189.28.128.100/dab/docs/publicacoes/cadernos_ab/caderno_33.pdf>

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança : aleitamento materno e alimentação complementar / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – 2. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2015. Disponível em: <http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/saude_crianca_aleitamento_materno_cab23.pdf>

VICTORA, CESAR G et al. Breastfeeding in the 21st century: epidemiology, mechanisms, and lifelong effect. The Lancet, v.387, n.10017, 475 – 490, 30 jan. 2016. DOI: http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(15)01024-7. Disponível em: <http://www.thelancet.com/pdfs/journals/lancet/PIIS0140-6736(15)01024-7.pdf>

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