Arqueologia: a história através dos vestígios materiais

No dia 26 de julho celebra-se no Brasil o dia dos arqueólogos e arqueólogas. A data escolhida remete ao dia 26 de julho de 1961, dia da promulgação da Lei Federal 3.924,  que dispõe sobre a proteção de sítios arqueológicos em território brasileiro. Essa data é de extrema relevância para o patrimônio arqueológico devido a recorrente destruição dos sítios arqueológicos, principalmente os grandes sambaquis catarinenses.

O profissional de arqueologia é aquele que busca compreender as relações sociais e culturais do homem a partir da cultura material produzida por ele. Entende-se por cultura material toda a produção humana feita a partir de matérias-primas disponíveis na natureza, sendo representada por artefatos locais de produção artefatual, edificações e toda forma de arte.

Esta cultura material é evidenciada pelos arqueólogos em locais denominados sítios arqueológicos. Em muitas situações, como a dos povos construtores de sambaquis, é através da Arqueologia que podemos contar a história desse grupo, visto que não há outros documentos a serem analisados. E mesmo em estudos de grupos humanos os quais há amplas tipologias de registros (escritos, orais, iconográficos) em muitos casos é através da pesquisa arqueológica, da descoberta de algum espaço, objeto, que alguma dúvida possa ser sanada ou refutada.

Mas como posso ser um profissional da Arqueologia?

Há arqueólogos e arqueólogas oriundos de diversas formações acadêmicas – História, Geografia, Ciências Biológicas, Turismo, entre outros –, que posteriormente, buscam se especializar  em Arqueologia. A recente Lei de regulamentação da profissão de arqueólogo, Lei nº 13.653, de 18 de abril de 2018,  reconhece como profissionais desta ciência pessoas com graduação e pós-graduação em curso de arqueologia. Para saber mais conheça a Lei nº 13.653/2018.

A Unisul proporciona aos seus estudantes a participação em pesquisas arqueológicas, por meio do Grupo de Pesquisa em Educação Patrimonial e Arqueologia – Grupep, o grupo atua há 20 anos no âmbito da pesquisa e difusão do patrimônio arqueológico brasileiro. O grupo de pesquisa surgiu da iniciativa de alguns estudantes e professores de diversos cursos da universidade–, em meados do ano 2000, com o objetivo de discutir o patrimônio arqueológico sul catarinense.

Ao longo destes vinte anos, o grupo se consolidou como um importante grupo de pesquisa da universidade, desenvolvendo pesquisas em âmbito nacional e internacional, com parcerias de diversas universidades e instituições de pesquisa, dentre elas: Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro), Instituto Anchietano de Pesquisa Unisinos (Rio Grande do Sul), Laboratório de Arqueologia Conservação do Património Sub-Aquático do Instituto Politécnico de Tomar (Portugal), Instituto Jean Piaget (Portugal), entre outras.

Concomitante às ações de pesquisa, o grupo desenvolve um intenso trabalho de Educação Patrimonial, através de oficinas, jogos, visitas monitoradas ao laboratório de pesquisa e sítios arqueológicos regionais, realização anual da Semana dos Povos Indígenas, cursos de formação, produção de material didático.

O grupo atua no âmbito da pesquisa acadêmica e contratual. A pesquisa acadêmica é desenvolvida a partir de um projeto de pesquisa com fomento interno ou externo (CAPES, CNPQ, FAPESC, Artigo 170, PUIC, entre outros). Esse tipo pesquisa possui um cronograma maior de execução. A pesquisa contratual está vinculada ao Licenciamento Ambiental de empreendimentos – loteamentos, parques industriais, rodovias, linhas de transmissão, barragens, ferrovias, áreas de mineração, rede de esgoto, entre outros –, compatibilizando a pesquisa e a salvaguarda do patrimônio cultural e arqueológico. O tempo de pesquisa, neste caso, está atrelado ao cronograma do empreendimento. Contando com uma equipe de arqueólogos capacitados, o Grupep dispõe de toda uma estrutura física de laboratórios, reservas técnicas, espaços expositivos que são constantemente utilizados como ambiente de aprendizagem e pesquisa, principalmente por acadêmicos dos cursos de História, Geografia e Ciências Biológicas.

Bruna Cataneo Zamparetti e Geovan Martins Guimarães
Docentes dos Cursos de História, Geografia e Pedagogia da Unisul. Pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Educação Patrimonial e Arqueologia – Grupep

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