As mulheres que elegeram a engenharia como profissão

No início deste século as mulheres correspondiam a cerca de 20% das engenheiras no mercado de trabalho. Entre os anos de 2003 a 2015, o número saltou de 24 mil para 57 mil, uma crescente de 132% das vagas de trabalho ocupadas. Aos poucos, aquelas que eram consideradas sexo frágil, ocupam cargos e representam grande parte das matrículas nas universidades.

Um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) em 2015, revelou que o sexo feminino foi responsável por 316 mil matrículas nos cursos de engenharia, em relação ao ano de 2013 que registrou 229 mil. Este aumento de 38% contabilizou 26,9% das vagas no mercado de trabalho.

Na Unisul, o número de mulheres nos cursos de engenharia aumentou. Diandra Amarante, por exemplo, é uma das que se identificou e quer seguir carreira: “escolhi a engenharia civil porque além de ser presente na minha família, desde o ensino médio sempre gostei muito de exatas e na faculdade, acabei me interessando pela área de solos. Acho bacana lidar com estradas, pontes, me encontrei no curso e em breve começo o estágio, terei contato com o mercado de trabalho”.

Amanda Mendes, aluna do curso de Eng. Elétrica.

Já Amanda Mendes, optou pela engenharia elétrica, cola grau no final deste semestre e sua relação com a profissão é parecida com a de Diandra. Porém, optou por este ramo por considerar a grande variedade de cálculos, uma apaixonada pela matemática: “minha família possuía algumas pessoa ligadas a área de energia, como meu avô e meu padrasto e quando estava no ensino médio sempre pensei em fazer algo ligado à matemática ou física. Até cheguei a começar o curso de bacharelado/licenciatura em matemática da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), mas já no primeiro semestre troquei para engenharia elétrica pelas melhores oportunidades do mercado e por ser uma área de grande expansão no momento”.

Atualmente Amanda trabalha na Intelbras, como estagiária de engenharia no segmento de redes com fio. Lá, desenvolve produtos e soluções para redes de internet como switches, conversores de mídia, módulos Mini-GBIC, além das tecnologias EPON e GPON que trabalham com fibra óptica.

Atuar em um ramo que em grande parte é ocupado por homens, é instigante pelo desafio que a profissão proporciona: “no P&D onde trabalho, por exemplo, existem, além do meu, mais dois segmentos e eu sou a única representação feminina. Não somos ensinadas a gostar de tecnologia ou computadores, ou ainda, desmontar coisas para entender seu funcionamento. Até hoje, para algumas pessoas da época do ensino médio é um grande susto saber que eu faço um curso tão masculino e por me identificar com que faço, é o que me motiva diariamente”.

Embora a representatividade feminina ainda seja pequena no mercado das engenharias, em suma pela resistência dos homens e até mesmo por outras mulheres, Amanda lida com este preconceito de forma positiva e querem incentivar outras mulheres a seguirem na área que elegeram seguir carreira: “diferente de antigamente, agora temos mais força para falar e mostrar o que desejamos e para assumir cargos de poder. Então, não podemos parar essa caminhada ruma a liberdade de expressão e escolha, mandando para longe qualquer tipo de discriminação. Hoje, no dia do mulher, desejo que você tenha o futuro em suas mãos e que nada te impeça de realizá-lo”.

Diandra, que ainda cursa o sexto semestre, considera ter um bom relacionamento com os colegas de curso e observou a participação das mulheres na Universidade: “acredito que a atuação das mulheres está crescendo. Digo porque vejo pelas professoras e até mesmo na minha sala que tem muitas mulheres. Trocamos muito conhecimento e participamos junto aos demais colegas. Por isso, quero dizer a todas as mulheres que nós somos demais! Vamos encarar as oportunidades que almejamos, correr atrás de tudo, porque o mundo é nosso!”.

Em um mercado em crescente expansão, os jovens encontram diversas áreas que oferecem inúmeras oportunidades de atuação e que provam a possibilidade de as vagas serem ocupadas por todos aqueles que se interessam pela parte técnica.