Carreira: assistente social faz valer as políticas das causas familiares

O conceito de família tem mudado assim como a sociedade e tais reflexos influenciam também as formas de trabalho do assistente social, que segue com a responsabilidade de empoderar e transformar as relações, com mais possibilidades de atuação na área.

Uma das bandeiras defendidas pela classe estão as influências que a família exerce na formação do sujeito independentemente da forma em que se constitui, a partir de sua linguagem, maneira próprias de comunicação, de crenças que estabelecem as formas e as inter-relações no grupo familiar.

De acordo com a professora Regina Panceri, coordenadora do curso de Serviço Social do campus Grande Florianópolis e a distância da Unisul, os modelos até então estabelecidos não existem mais pois com o passar dos anos as famílias se estruturaram conforme sua realidade, em seu próprio contexto.

“Portanto podem ser famílias chefiadas por mulheres, ou pelas avós, tendo o pai como responsável, ou famílias que enfim são homoafetivas. O padrão passa a ser aquele que é existente. Nós não temos mais uma regra digamos assim para o contexto familiar e é isso que dá essa dinâmica de família, que se estabelece não mais só pela consanguinidade ou pelo modo digamos assim tradicional”.

Ao fazer o resgate histórico dos padrões que nortearam o conceito de família são notórios os reflexos na sociedade atual que se depara com condições de desigualdade e preconceito. E nesse contexto, faz-se necessário as práticas das políticas sociais para valer os direitos e deveres do Estado e do cidadão. “Todas as políticas públicas têm um olhar para a família. Mas a política social em especial, fortalece os vínculos familiares e comunitários. Ou seja, cada vez mais é preciso de fato dar o suporte para que a família encontre de fato as melhores alternativas”, destaca a professora Regina.

As famílias receberam notoriedade na política pública com a Constituição de 88. A saúde da família por exemplo, na política de saúde e na educação, com o argumento de aproximar os pais e alunos, contextualiza a professora Darlene de Moraes Silveira, coordenadora do curso de pós-graduação em Políticas Sociais e Demandas Familiares.

“Por isso a política social então prevê a proteção dessa família por meio de ações e acompanhamento técnico com base no psicossocial”

E a partir da política de assistência que se passou a ter o olhar às relações intrafamiliares, intergeracionais e dessa forma, trabalhar os conflitos internos, as fragilidades, as vulnerabilidades no grupo familiar.

Portanto, profissionais com formação em serviço social e psicologia são previstos para esse acompanhamento ou para esse trabalho social, aponta Darlene.

“Nós partimos de uma percepção de que precisamos sim estudar e identificar qual é a forma de organizar uma família, de como ela se constitui. Para nós, essa identificação é importante para compor o diagnóstico e o reconhecimento das relações que ali se estabelecem. Entretanto, o mais importante, é o ponto que baliza o trabalho social, é identificar-se nessa família. Se ela produz a socialização, a proteção, os cuidados, a formação do ser em si e como é esse trabalho intergeracional”.

As possibilidades de atuação do assistente social

A indústria 4.0 modificou significativamente as áreas de trabalho e nesse cenário, assistente social é fundamental justamente por relacionar-se com o humano que necessita de fato ser visto como um sujeito que precisa ser ouvido, que precisa encontrar suas referências.

O assistente social pode trabalhar com qualquer política pois como argumenta Regina, possui um capital de conhecimento multidisciplinar que compreende a área do direito, da sociologia, de economia, da administração, enfim da gestão e das políticas públicas. “Quem trabalha com serviço social pode abrir o seu próprio negócio, atuar na área de gestão de organizações sociais, de planejamento, de avaliação de projetos sociais. Ou seja, ele pode atuar nos startups, pode criar seus próprios serviços. Inclusive na nossa área, na Unisul eu diria que na atuação na área de gestão de riscos e gestão de desastres”.