Até onde a liberdade de expressão serve como desculpa para encobrir o preconceito?

Os debates acerca de temas polêmicos se tornam cada vez mais intensos nas redes sociais. Nesse contexto a Filosofia, considerada a mãe das Ciências Humanas, pode ser tomada como um potente instrumento de reflexão.

No dia do filósofo, Anderson da Silveira, aluno de Filosofia da UnisulVirtual, discorre sobre a importância da Filosofia na atualidade, e debate sobre política e a ética, assuntos cuja relevância, possibilita o acadêmico a entender mais sobre a coletividade.

O Acadêmico fala que a graduação em Filosofia busca formar no aluno a capacidade de problematizar os problemas humanos, questionando a realidade de forma crítica e criativa. Anderson critica a tendência corrente de reduzir os fenômenos humanos em pontos de vistas extremistas: “Atualmente nós vivemos um clima de polarização muito grande no nosso país, sobretudo no que se refere as questões políticas. A divisão entre coxinhas e mortadelas, entre o conservadorismo e a esquerda, é perniciosa e geradora de conflitos. A filosofia nos dá ferramentas para questionar isso e buscar mediações que sejam produtivas e geradoras de vida. A Filosofia nos indica de que antes do agir deve vir o pensar, a reflexão, a pergunta. Por que chegamos a esse ponto? Como que pudemos fazer uma política diferente? Só depois deveríamos partir para algum tipo de ação”, questiona.

A cidade de Charlottesville, localizada ao sul de Washington, nos Estados Unidos, foi palco na última sexta-feira (11), da manifestação de centenas de homens e mulheres carregando tochas, que faziam saudações nazistas e gritavam palavras de ordem contra negros, imigrantes, homossexuais e judeus.

A vista disso, levantou-se a questão: Até onde a liberdade de expressão serve como desculpa para encobrir o preconceito? “Uma das áreas do pensamento da filosofia é a ética. A ética busca princípios norteadores para que possamos viver bem a vida em coletividade. Ela só existe na prática da liberdade. Logo, ela não pode ser conjugada com a violência.

É um debate que sempre vai se transformando. O professor de Filosofia Mario Sérgio Cortella, de forma bastante didática nos mostra que a ética relaciona três questões: a vontade, o poder e o querer. “Ora, precisamos entender, que nem tudo o que queremos podemos. Então não é porque somos livres que podemos ser ditadores da nossa opinião”, declara.

Um dos problemas experimentados na sociedade atual, segundo Anderson, é a era do vazio. “Vivenciamos um tempo da história marcado por uma grande velocidade de tráfico das informações. Porém, na maioria das vezes nos limitamos aos 144 caracteres do twitter e não construímos espaços reais de mediação e diálogo. Assim, dispensamos os milhares de caracteres que poderíamos trocar pessoalmente. O ser humano vive em uma era do vazio, onde muitas vezes não conseguimos mais criar sentidos e significados perenes para nossa existência”, afirma.

Com a mudança brusca no arsenal tecnológico, as pessoas consomem diariamente um grande volume de informações. Sem ter o tempo suficiente de processar o vulto de dados gerados pela mídia, aceitam como verdades dogmáticas aquilo por ela é construído. Sem processar e refletir adequadamente essas informações, acabam agindo de forma autômata. “Nesse ‘bum’ de informações é que acabamos nos perdendo, porque não temos tempo suficiente para digerir aquilo que nos é passado. E esse excesso de informação sem sentido não gera um sentido. Antes, gera um conjunto de pessoas que ‘agem no automático’, buscando de forma ansiosa um sentido para si. E a sabedoria popular nos ensina que a pressa é inimiga da perfeição. Pensar bem, de forma qualificada, exige dedicação e tempo. Este é um dos ensinamentos da Filosofia”, conclui Anderson.

  • escrito por: Gabriela Ferrarez Figueiredo e Wellinton Heinz – estudantes de Jornalismo e estagiários UnisulHoje

 

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