Aumento do número de carros pode diminuir a qualidade de vida

O planejamento urbano, o corre-corre do cotidiano, o acúmulo de atividades da vida moderna e o aumento da população obrigada cada vez mais as pessoas possuirem um veículo motorizado. Com isso, o índice de poluição também vem aumentando consideravelmente, por meio dos gases tóxicos liberados pelos veículos. De acordo com o coordenador do curso de Gestão Ambiental da UnisulVirtual, professor Jairo Afonso Henkes, só o município de Lages (SC) teve um aumento na sua frota veicular, entre 2007 e 2017, de 70,43%. Neste período também houve um aumento na ocorrência de doenças relacionadas ao trato respiratório, como a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), cujo aumento foi de aproximadamente 670%, e que pode estar relacionada à qualidade do ar.

Tais dados fazem parte de uma pesquisa publicada em artigo, na revista Gestão e Sustentabilidade Ambiental. “Para o professor Henkes, a poluição atmosférica nas áreas urbanas constitui-se em um dos mais graves problemas associados à qualidade de vida dos habitantes, além de acarretar em efeitos que podem refletir na vegetação, na economia, nos materiais e nas propriedades da atmosfera. Dentre as fontes emissoras mais significativas dessa categoria estão os automóveis, pois o rápido e contínuo processo de urbanização observado no Brasil tem levado ao aumento da motorização individual”, relata o professor.

Recentemente, foi divulgado na imprensa que a cidade de Amsterdã, capital da Holanda, proibirá veículos a gasolina e diesel a partir de 2030 e em Edimburgo, capital da Escócia, um domingo por mês irá deixar carros e veículos motores fora de seu centro. Ambas as iniciativas preveem a diminuição da poluição. Para o professor José Onildo Truppel Filho, coordenador do curso em Segurança no Trânsito na UnisulVirtual,  essa é uma tendência em grande parte da Europa, até porque lá é permitido qualquer veículo ter motor a diesel, atitude que no Brasil não é permitida. Os motores a diesel, no Brasil, ficaram restritos basicamente aos caminhões.

“De qualquer forma, Amsterdã está correta em trocar os veículos de combustível fóssil, muito poluentes, por veículos movidos a energia renovável e muito mais limpa. Além disso, muito antes de ser uma ação de trânsito, essa ação de substituir os veículos, é de política pública. Por que não se pretende banir os veículos, mas sim torná-los menos poluentes, causar menos impactos para a população, para os moradores e visitantes da cidade”, destaca o professor Truppel.

Nos casos dos países que optarem por veículos movidos a energia elétrica, que são extremamente silenciosos, precisarão de legislação específica para poderem circular dentro das cidades, explica o professor Truppel, uma vez que os pedestres também se guiam pelo barulho produzido pelos veículos. “Como profissional da área e como cidadão que habita este mesmo planeta, fico muito feliz com essas providências que podem melhorar cada vez mais nossa convivência, sem nos tirar conquistas, como é a locomoção”, ressalta o professor Truppel.

No Brasil, ainda não foram tomadas medidas em relação a circulação e quantidades de veículos nas cidades para evitar o aumento da poluição. No entanto, algumas pesquisas já vem sendo realizadas, como o estudo feito pelo IEMA – Instituto de Energia e Meio Ambiente, que aponta que os automóveis em São Paulo são responsáveis por 72,6% das emissões de gases efeito estufa. Isso favorece o aumento do aquecimento global.

As pesquisas e os debates sobre a poluição vem crescendo no mundo. Em 2018, ocorreu em Genebra, Suíça, o primeiro congresso global sobre poluição do ar, realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em que foi apresentada as recomendações aos 193 países-membros visando melhorar o meio ambiente. As normas em relação aos cuidados e medidas a serem tomadas variam para cada país, em função da viabilidade tecnológica, questões econômicos, políticas e sociais. E também varia de acordo com o nível de desenvolvimento de cada país.