Bartolina Sisa: Sangue de indígena é semente de transformação

Por: Bianca Taranti
Revisão: Prof Jaci Rocha Gonçalves, Dr.

Bartolina Sisa é o símbolo de resistência da recente luta internacional da mulher indígena. Foi em sua homenagem que o dia 05 de setembro tornou-se Dia Internacional da Mulher Indígena, desde 1983, no II Encontro de Organizações e Movimentos da América, em Tihuanaco, na Bolívia. Bartolina nasceu em 1750, ano do infeliz Tratado de Madri que uniu as potências de Espanha e Portugal contra um inimigo comum: os povos nativos das Américas. Era da comunidade de Sullkawi del Ayllu, na atual Bolívia.

Seus pais José Sisa e Josefa Vargas eram comerciantes de tecido e de coca que passavam pelos povoados bolivianos vendendo seus produtos artesanais. Aos dezenove anos Bartolina assumiu com profunda convicção o resgate do seu povo e as lutas pela emancipação definitiva das comunidades indígenas da Cordilheira dos Andes, contra a dominação e o etnocídio pelos conquistadores europeus desde o altiplano até os vales de La Paz.

Em 13 de maio de 1781, Bartolina liderou o exército dos Ayamara contra os espanhóis na cidade de La Paz; o cerco durou 109 dias. Traída por alguns dos seus guerreiros, foi entregue como prisioneira de guerra ao governo Espanhol em troca de recompensa. Levada para a cidade de La Paz, foi recebida com pedras e encarcerada por um ano. Em 5 de setembro de 1782, Bartolina Sisa foi condenada à morte, levada nua ao centro de La Paz, arrastada por cavalos pela praça central até morrer; seu corpo foi esquartejado. Tinha só 32 anos de idade e sonhava a libertação dos povos indígenas da exploração do colonialismo.

O sangue da jovem heroína Bartolina Sisa segue derramando nos corações, mentes e mãos de mulheres indígenas na atualidade na forma de semente de transformação. De fato, a mulher indígena latino americana e muitas líderes dos 283 povos indígenas restantes no Brasil desempenha um papel histórico neste momento difícil de retorno das pseudo democracias neste Sul do mundo.

Bartolina está de volta na pele das mulheres indígenas como Sônia Guajajara, Kerexu Yxapyry e mais outras 22 mulheres candidatas à representação política. Sua memória se torna semente que cresceu nas novas lideranças femininas no meio destes povos gravemente afetados pelo sistema econômico imposto no Brasil, já que são elas as responsáveis pelas soberanias alimentar, cultural, educacional e de saúde das comunidades indígenas.

A presença da mulher indígena na política está fazendo diferença tanto para os povos nativos como para conscientização da macrosociedade na reação às tentativas de apagamentos históricos das pessoas mais fragilizadas e esquecidas neste Sul do mundo. Nas eleições de 2018 são 23 mulheres indígenas concorrendo aos cargos de vice-presidência, deputada estadual, federal e distrital, senadora e vice-governadora.

 

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