Butantan: o sonho universitário que virou realidade

Flávia Virginio se formou em 2010 no curso de Ciências Biológicas da Unisul e, atualmente, é pesquisadora científica e curadora da coleção entomológica do Instituto Butantan, em São Paulo. Ela explica que seu interesse pelo estudo dos insetos na área médica surgiu ainda na graduação, com a iniciação no Laboratório de Imunoparasitologia (IMPAR), na companhia da professora da Unisul, Dra. Josiane Somariva Prophiro.

Após se formar, a bióloga se mudou para São Paulo, mas ficou dois anos sem atuar na área. Depois, decidiu tentar um estágio voluntário no Instituto Butantan, porém se deparou com uma oportunidade ainda melhor: uma bolsa de estudo para o doutorado. Então, ela ingressou no processo seletivo e foi escolhida. Quando estava perto de defender a tese, Flávia conseguiu a oportunidade de um emprego na instituição como pesquisadora científica e curadora da coleção entomológica, no qual está há 1 ano.

Hoje, Flávia relembra com carinho que trabalhar no Butantan foi a realização de um sonho. “Lembro de quando estava na graduação e que um grupo veio visitar a instituição e eu não pude vir. Vi fotos do grupo sentado nas escadarias do Instituto Butantan e fiquei triste por não estar junto. Hoje, posso sentar naqueles degraus todos os dias, se eu quiser. Tenho muito orgulho de estar aqui hoje, é uma sensação de objetivo alcançado.Passei muito rápido do estado de ‘aluna’ para ‘orientadora’ e isso é muito desafiador, mas tenho aprendido coisas novas a cada dia, e isso é muito gostoso”, relata.

Linha de pesquisa

Apesar de ter grande parte da vida acadêmica voltada a pesquisas com mosquitos, cerca de 10 anos, a bióloga explica que atualmente tem expandido a área de pesquisa a outros insetos de interesse médico, como barbeiros, abelhas, lagartas de mariposas, entre outros. Ela ainda não definiu a própria linha de pesquisa, mas pretende focar em biodiversidade e taxonomia integrativa de insetos de interesse médico-veterinário. Durante os últimos 7 anos, Flávia tem utilizado a técnica de morfometria geométrica alar, com a qual investiga padrões na forma das asas de alguns insetos. “Tenho obtido bons resultados sobre estruturação populacional. Com isso, pretendo continuar a utilizar essa técnica nos próximos estudos com outros grupos de insetos”, anuncia.

Além disso, a egressa da Unisul revela que outra paixão é a área de divulgação científica que, diferente da difusão científica, é direcionada ao público leigo. Por isso, coordena duas redes sociais @conhecendoosmosquitos e @entomologuia e colabora com outras duas @nuncavi1cientista e @ecoimb

Qual a importância de ter uma coleção entomológica?

Segundo Flávia, as coleções servem como uma biblioteca, onde os cientistas podem consultar informações como se estivessem folheando um livro em busca de um conteúdo específico. Em geral, são importantíssimas para a pesquisa científica e tecnológica, pois os registros de animais nelas guardados, servem como referência e permitem que os pesquisadores consultem e comparem materiais. Quanto aos insetos, a identificação correta é essencial para saber que nem todos são pragas e fazem mal ou polinizadores e fazem bem, por exemplo.

A curadora da coleção entomológica do Instituto Butantan esclarece que precisa estar em constante atualização para dominar o conteúdo referente a outros grupos de insetos, principalmente os de interesse médico. “Acredito que não exista nenhuma profissão em que você não precise aprender coisas novas a cada dia. Se essa profissão existe, eu acho que não me daria bem. Sempre fui inquieta, muito curiosa e buscava inovar em tudo que eu fazia. Além disso, nesse cargo, preciso ser organizada e sistemática, e essas características sempre fizeram parte da minha personalidade. Hoje estou podendo fazer tudo isso no cargo que ocupo”, comemora Flávia Virginio, egressa do curso de Ciências Biológicas da Unisul.

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