Cidades perdem espaços urbanos por falta de planejamento

A desumanização das cidades é reflexo do mau planejamento urbano, que nas últimas décadas destinou de 20% a 30% das áreas para os automóveis e a grandes construções, deixando os espaços públicos em segundo plano. Não é sem motivo, por exemplo, que Florianópolis é considerada a cidade com maior problema de imobilidade do país.

Nos EUA, algumas cidades, como São Francisco, reservam em torno de 40% do solo urbano ao sistema viário. Já no Brasil, a cidade de Brasília é um exemplo real do planejamento urbano voltado aos automóveis, tendo como resultado trechos da Esplanada dos Ministérios sem calçadas para os pedestres caminharem pelas vias, diz o professor Silvio do Prado, do curso de Arquitetura.

“Infelizmente os planejadores pensavam somente no automóvel e não nas pessoas. Em muitos trechos atravessar uma das avenidas ou eixos em Brasília se tornou um exercício de sobrevivência”.

Ainda de acordo com o professor Silvio, nos últimos anos o poder público tem demonstrado preocupação com o futuro, mas na realidade, remendam os problemas atuais originados em um passado recente.  

“Estamos sempre atrasados. Primeiro constroem os prédios, muitas vezes em áreas de preservação, sem rede de energia, sem saneamento básico, depois vem os maus políticos e dão um jeitinho de regularizar o irregular, mas os esgotos continuam a céu aberto, no máximo com fossa e sumidouro, forma arcaica de saneamento”.

No entanto, a responsabilidade não se resume apenas aos gestores públicos, também envolve a população, ao eleger seus representantes para a Câmara de Vereadores, defende o Professor.

“Na Câmara serão propostas as Leis que regulam e ordenam a forma de ocupação do solo urbano, para que o tecido urbano não adoeça. E para isso, é necessária representação qualificada para discutir qual cidade que queremos para nossos filhos e netos. Muitos vereadores só pensam em seus bolsos, não se importando com o coletivo”.

Os bolsões de pobreza gerados pela crise e perspectiva de vida, daqueles que buscam oportunidades nas grandes cidades, são fomentados por políticos e outras pessoas de má índole que visam exclusivamente aos fins eleitoreiros.

“Então cabe a cada um cuidar do lote, do bairro, da vizinhança. O planejamento da cidade deve contemplar a todos independente da classe social espaços públicos de qualidade, com saúde, educação e saneamento básico”, complementa o professor Silvio.

Existem prefeituras que lançam pacotes de obras, como Florianópolis, que em abril deste ano propôs revitalizar mais de 170 espaços públicos. Neste caso, embora movimentos dessa natureza sejam sempre bem-vindos, Silvio chama a atenção para os critérios a serem adotados.

“Muitas vezes a municipalidade fala em revitalização do espaço público, vai até o local e pinta um brinquedo quebrado! Isso não é revitalização, é enganação. Será que as comunidades que residem junto a estes 170 espaços foram ouvidas? É preciso saber efetivamente o que vai ser feito”, concluiu.

Curiosidades sobre o Dia Mundial da Arquitetura

Nesse 1º de julho, comemora-se o dia Mundial da Arquitetura e, ainda que em 1996, a União Internacional dos Arquitetos (UIA) tenha mudado a data para toda primeira segunda-feira de Outubro, a maioria dos países ainda comemora esse dia na data original.

  • Fonte: educamaisbrasil