Colégio Dehon: a emoção de relembrar o passado

Quem vê o seu João sentado no pátio central do bloco sede da Unisul, Campus Tubarão, pode nem imaginar o que aquele senhor, de quase 80 anos, tem para contar. O chapéu, que quase nunca sai da cabeça, e o bigode branco já são marcas registradas do seu João Jerônimo. Ele, que foi da primeira turma de internato do Colégio Sagrado Coração de Jesus (SCJ), antigo Colégio Dehon, se tornou também o primeiro diretor do atual Colégio Dehon, em 1973, quando aconteceu a venda do SCJ para a Fundação Unisul.

A mente, precisa como a de um jovem, lembra dos mínimos detalhes da época em que estudou no internato. Comandado por padres, o SCJ era um dos principais colégios da região sul, que ainda não era desenvolvida como atualmente. João lembra que, da Unisul até o centro de Tubarão, existia apenas umas dez construções.

Aos 13 anos de idade, o jovem João Jerônimo estudava matemática, português, educação física, francês, latim, trabalhos manuais, canto, desenho e muito mais. Os professores eram todos padres, menos o de Educação Física. Hoje, de volta ao local que foi o seu lar, João lembra com saudade dos tempos vividos. “Dá uma saudade da juventude, né?”.

O SCJ foi dirigido pelos padres de 1947 até 1972. Em 1973, o ex-aluno se tornaria o líder da instituição que tanto o acolheu na juventude. Ele tinha 34 anos quando assumiu a direção do Colégio Dehon. O colégio possuía, naquela época, aproximadamente 150 alunos. Hoje são aproximadamente dois mil.

A chuva caía forte durante a visita de João na instituição. O olhar, às vezes, saía de foco enquanto ele se perdia nas lembranças. “Aqui do lado tinha uma plantação de cana. Não tinha nada disso. A gente vivia indo pegar cana do vizinho”, relembra rindo.

O aluno, que já foi parar no quadro de honra do SCJ por mérito escolar, conta que as regras eram rígidas no internato. Os padres eram muito respeitados, mas que os jovens sempre estavam aprontando. “A regra era: luzes apagadas, silêncio total. Uma vez uns estudantes fizeram bagunça após o toque de recolher e acabaram encrencados”. Estes, segundo João, foram expulsos. Mas outras vezes, o castigo era escrever, algumas centenas de vezes, as normas da escola em uma folha.

Andando pelas estruturas do antigo colégio, João lembra onde ficavam os quartos, a sala de jogos, o refeitório. A expressão em seu olhar diz tudo: saudades e gratidão por ter feito parte da história do Colégio Dehon.

Quem passava pelo local durante a entrevista, conseguia perceber o carinho do antigo diretor pela instituição. Uma destas pessoas foi a atual coordenadora do ensino médio do Colégio Dehon, Geruza Goulart. “Esse olhar do professor João é perceptível em outras pessoas também. O Colégio deixa muitas marcas, é um local acolhedor, onde todos trabalham em sintonia, com amor e dedicação”, finaliza.

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