Comércio de bairro ganha impulso em época de crise

O varejo tem enfrentado períodos de instabilidade, mas também, de muita resistência para alavancar a movimentação dos bens de consumo essenciais como alimentação e vestuário. Esse cenário beneficia os chamados comércios de bairro que atinge os mais variados públicos, principalmente pelo consumo das famílias.

Desde 2014, quando o varejo brasileiro passou a sofrer com a queda das vendas, o comércio busca inúmeras alternativas para manter as portas abertas. Entretanto, movimentar a economia tem sido o grande desafio, principalmente pelo desemprego que assombra os brasileiros, o que levou muitas pessoas a empreenderem por necessidade.

Vantagens do comércio de bairro

A professora Janaina Baeta Neves, coordenadora do curso de Gestão Comercial, atribui também essa valorização ao fato de os centros urbanos sofrerem com os deslocamentos desgastantes.

“Cada vez mais as pessoas desejam fazer compras do dia a dia, ir à academia e até mesmo divertir-se perto de casa. O trânsito não dá trégua e até mesmo a Lei Seca nos restringe. Dessa forma, o comércio de bairro se estabelece porque cultiva o relacionamento que costuma ser mais estreito, mais humanizado, já que as pessoas circulam mais pela região, lembrando, algumas vezes, cidades do interior”.

Porém, para quem mantém um comércio, somente estar próximo da clientela não é o suficiente. De acordo com Janaina, o sucesso dos negócios começa pela pesquisa de mercado, pois com a concorrência característica do setor varejista, apenas se lançar no comércio é arriscado pelas variáveis que envolvem o perfil dos moradores do bairro, seus hábitos, renda, estilo de vida e claro, por observar a carência de demanda daquela região.

“Antes de qualquer coisa, fazer uma boa pesquisa de mercado, conversar com os moradores, ter uma boa noção de quanto se pretende investir e em quanto tempo deseja-se obter o retorno e, claro, oferecer produtos e serviços de qualidade”, diz.

Outro fator importante está em considerar que não é o fato de o consumidor compra perto de casa que este vai subvalorizar esse aspecto. “Também é preciso atentar-se, inclusive no atendimento, afinal o consumidor espera o mesmo tipo de negócio que está acostumado a ver em outras regiões que frequenta na cidade”, complementa Janaina.

Alimentação domina a criação de novos negócios

De acordo com o Indicador Serasa Experian, os 2,5 milhões de novos negócios em 2018 correspondem a 15,1%, sendo que os microempreendedores individuais (MEIs) representam a maioria, com 81,4%. Deste total, os serviços de alimentação cresceram 8,2% e predominam diante dos demais segmentos do varejo. Na sequência, os serviços de higiene e beleza somam 7,5%, reparos de prédios e instalações elétricas com 7,1% e por fim, 6,6% com o comércio de confecções.

Então para quem tem interesse em empreender, a Professora destaca que, primeiramente, é ideal ter o conhecimento prático sobre o ramo de negócios.

“Além disso, é bastante relevante também estar disposto a trabalhar muito – normalmente bem mais que em um emprego com carteira assinada – e capacitar-se basicamente na área de gestão como, por exemplo, em finanças, atendimento ao cliente, etc.”.

Algumas entidades oferecem capacitação para cada área e muitas vezes gratuita. Entretanto, Janaina propõe o curso superior, pelos conhecimentos mais aprofundados. “Hoje encontramos inúmeros cursos pela internet e também pelo Sebrae com cursos breves. Mas, um curso tecnólogo ou uma graduação, pelo fato de ser a nível superior, foca nas necessidades, traz as tendências e ferramentas utilizadas pela área para que esse profissional desenvolva suas habilidades”.

Janaina ainda passa dicas que podem potencializar os negócios para os empresários e até mesmo para quem vai empreender.

“É bom investir na qualidade e na diversificação dos produtos e serviços com possibilidade de aumentar o tíquete médio. Talvez expandir o horário de atendimento, proporcionando mais comodidade; fortalecer o relacionamento com os clientes, dentre outros”.

Embora o e-commerce também se fortaleça no setor varejista, este não toma espaço dos comércios de bairro. Segundo a professora Janaina, muitas vezes o tipo de bem que o consumidor compra no bairro, não é o mesmo produto que compra online. “Por isso, muitas vezes não há concorrência direta. De qualquer forma, é bom que o empreendedor saiba que o e-commerce é algo bastante estabelecido e que não há volta nesse processo. Ou seja, se puder vislumbrar sucesso do seu negócio também nesse ambiente, que esteja preparado para entrar”, conclui.  

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