Conexões de Valor: Evento online reúne especialistas para falar da Moda a favor da vida

Encontro virtual promovido pela Unisul com profissionais de diversas áreas debate temas que promovam a melhoria da vida das pessoas, seguindo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda Global 2030 da ONU. Os ODS são uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) que definiu 17 temas humanitários que devem servir como prioridade nas políticas públicas internacionais até 2030.

O projeto quer conectar pessoas e criar interação de ideias. Essa é a proposta dos organizadores do projeto “Conexões de Valor num Mundo em Transformação”, que são da área de Desenvolvimento e Inovação da Unisul. Nesta quinta, dia 7/05, aconteceu o segundo encontro, debatendo “Movimento da moda a favor da vida”, juntando numa mesma conversa especialistas em Design de produto e governança em Startups, Design de Moda e sustentabilidade e em criação e produção de moda. Os debatedores que reuniram essas discussões e expertises nesta segunda live foram Juliano Mazute, mestre em Engenharia Mecânica e empreendedor na área de Moda e Energia; Raquel Souza, especialista em Design de Moda e Sustentabilidade em produto, e CEO da Black Purpurin; e Adriana Canto, coordenadora do Curso de Design de Moda da Unisul. Os mediadores foram Carolina Bithencourt Rubin, professora e Coordenadora do Laboratório de Inovação e Empreendedorismo (ILAB – Unisul) e Fabrício da Silva Attanásio, Coordenador Executivo de Desenvolvimento & Inovação da universidade.

A debate online já começou de forma descontraída e contou com perguntas sobre uma moda a favor da vida; a moda após a pandemia; a moda como consumo, sobre discussão em cursos superiores de moda e impressoras 3D. A professora Adriana falou sobre mudanças no perfil dos alunos de moda no decorrer dos anos. “Hoje os alunos de moda querem desenvolver produtos porque querem mudar o mundo, querem ser sustentáveis”. Porque, segundo ela, a moda não está relacionada apenas a desenvolvimento de produtos, mas também a um comportamento. “A gente estuda e pesquisa como desenvolver produtos e serviços que nos ajudem a não causar tanto desgaste para natureza, mesmo em um momento como esse, um grande desafio”. E refletiu sobre a produção de lixo em tempos de pandemia. “Hoje, para os profissionais de saúde irem para o combate diário, eles têm que ter um avental, máscara, luva, proteção dos pés, tudo descartável”.

Raquel, por sua vez, falou um pouco sobre o termo fast fashion, do consumo rápido e quase descartável, que é onde estamos inseridos. “A pessoa compra hoje, amanhã vai para o lixo, e não se sabe mais o que fazer com tanto lixo aqui no nosso Brasil e no mundo”. Em contraste com a moda para descarte rápido, há o slow fashion, que é um movimento que reduz essa velocidade de consumo e de descarte de produtos da moda. Considerado mais consciente, o slow fashion defende a utilização de peças personalizadas e reaproveitamento de roupas. “É todo um costume que a gente tem e nesse momento a gente precisa se ajustar, tanto nós consumidores como produtores e marcas”. Raquel Souza falou ainda sobre a tecnologia 3D, que seria uma produção mais sustentável, tanto pela matéria prima que pode ser usada, como também pela economia de 50% de energia e água comparado a uma indústria tradicional. “Essa moda consciente tem que estar no DNA de todas as marcas que já existem no mercado e as que estão surgindo hoje”.

Juliano Mazute também falou sobre as marcas que estão se atualizando e partindo para o slow fashion. “A moda tem de se atualizar, as grandes marcas que vão ter uma maior dificuldade, porque não estão acostumadas a fazer isso”. Comentou ainda sobre essa geração digital, que quer saber sobre a origem dos produtos. “Vem a nova geração pegando a ideia do propósito, pegando a rastreabilidade”. Juliano lembrou que a ONU quer que as empresas se tornem sustentáveis até 2030, de forma obrigatória. “Temos muita tecnologia ajudando a moda a se reinventar, a ser sustável. Eu espero que esses movimentos sejam mantidos e fortalecidos em uma pós-pandemia”.

O mediador do evento e um dos organizadores do “Conexões de Valor”, Fabrício Attanásio, citou o exemplo do movimento feito pelo Curso de Moda da Unisul de produzir máscaras para alunos da área da saúde que estão atuando nas Unidades Básicas da Prefeitura de Palhoça, na Grande Florianópolis. Todas às terças e sextas, voluntários e estudantes do curso de Moda da Unisul, da Unidade de Florianópolis, produzem máscaras de TNT para os estudantes que continuam atendendo a população durante a pandemia, especialmente os de medicina e de enfermagem. Duas alunas que estão à frente dessa produção, Beatriz Merino e Rebeca Boeing, participaram da live e falaram sobre a experiência. Ambas contaram que tem sido uma experiência única, que estão aprendendo diversas novas coisas e apesar de ser um serviço trabalhoso, o melhor é estar sendo útil na quarentena para a população. “A gente tem uma sensação de gratidão”, conta Beatriz. Rebeca ainda fala que o trabalho vem sendo uma parceria entre os voluntários, com um ajudando o outro. “Esse trabalho em grupo está sendo muito legal, estou bem feliz em estar participando disso”. A professora Adriana, que coordena o Curso de Moda e a iniciativa de produção das máscaras, contou que tem aprendido com as alunas. “O aprendizado não ocupa espaço. Eu estou até emocionada porque o aprendizado não é só delas, é muito mais meu do que delas, de estar junto, de motivá-las”.

Ao final do evento, os convidados deixaram mensagens para a população. Adriana pediu para as pessoas ficarem em casa, mas produtivamente. “Tenha o tempo para a Netflix, para fazer exercícios físicos, mas tenha tempo também de fazer algo útil para a sociedade, descubra alguma coisa que você possa fazer por outro”. Raquel brincou: “fica em casa, mas tira o pijama”. E lembrou que todos os dias aparecem pessoas com corações bons que estão contribuindo com a sociedade. “Se você tem algo que possa contribuir, contribua com o próximo, não perca a fé, vamos juntos, mas vamos com fé”. Juliano também encerrou com uma reflexão otimista, acreditando que a tecnologia seja o amparo da nova moda. “A gente tem muito que aprender, muito que mudar e muito que ensinar”.   

Quem quiser ajudar a iniciativa da produção de máscaras, pode ir nos horários marcados e ajudar. O encontro para a confecção das máscaras é toda terça e sexta, na Unisul de Florianópolis, no Centro, na rua Antônio Dib Mussi, das 9h às 15h. “Não precisa saber costurar, tem muita coisa para fazer, cortar, passar o viés. E quem não puder ou não quiser ficar lá, pode passar só para pegar o kit. A gente entrega o TNT todo cortadinho para a pessoa costurar em casa, se ela tiver máquina de costura”.

A primeira live  do projeto de on-line da Unisul foi dia 27 de abril com o tema de abertura “Conexões de valor em um mundo de transformação e os ODS”. Os debates já realizados ficam disponíveis também no canal do projeto depois do encontro. Confira a íntegra da live sobre moda no canal do You Tube do Conexões de Valor.

Texto produzido pela estudante de 1ª fase de jornalismo da Unisul, Carol Krachinski. Ela integra a equipe de repórteres do Jornal Laboratório Fato&Versão, do Curso de Jornalismo da Unisul Pedra Branca, na cobertura da Covid-19 no 1o. semestre de 2020.

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