Covid-19: a experiência de estudantes na força-tarefa

Desde que Santa Catarina entrou, por meio de decreto, em isolamento social, eventos foram cancelados, comércios foram fechados e aulas suspensas. Entretanto, a realidade para quem está na linha de frente no combate ao Covid-19 é muito diferente daqueles que estão em quarentena. Estudantes de diversos cursos da área da saúde da Unisul de Tubarão estão auxiliando na força-tarefa. E elas contam como está sendo esta experiência.

Luiggia Dacoregio Squizatto – 10° semestre de Medicina

Faço o atendimento junto ao médico preceptor do posto de saúde. Aqui tentamos manter o ambiente sempre arejado e higienizado após cada consulta. Os pacientes passam por uma triagem ao chegar na unidade, onde recebem máscara cirúrgica, álcool 70% e elencam seus principais sintomas. Eles aguardam o atendimento na área externa da unidade para evitar que fiquem próximos uns dos outros. Podemos perceber a angústia e o medo dos pacientes diante dessa pandemia durante as consultas. Tentamos conscientizar, tranquilizar e orientá-los. A prevenção é essencial. O sentimento que tenho é de estar cumprindo a minha função como futura profissional da saúde. Porém, também tenho medo. A exposição aos doentes é sempre um risco. Estamos tomando todos os cuidados, isso faz com que as chances de contrair a doença diminua muito.

Heloisa de Souza Laureano – 9ª semestre de Enfermagem

Sou estagiária na Fundação Municipal de Saúde de Tubarão, no setor de atenção básica, auxiliando na gestão de saúde pública. A maior preocupação é com a saúde dos profissionais que estão na linha de frente. Medidas e compras de suprimentos estão sendo realizadas para garantir a prevenção de todos os envolvidos, assim como da população. Este é um momento delicado, estamos todos assustados, com dúvidas. O sentimento é de medo frente a tudo que está acontecendo, mas, a gratidão é muito maior, pois posso ajudar e contribuir para a saúde do cidadão. Desde o início da graduação aprendemos que a Enfermagem é a arte de cuidar. Precisamos manter esse sentimento vivo para que o atendimento seja excelente e de qualidade.

Jovana Volpato Philippi – 5º semestre de Farmácia

Sou agente de saúde no munícipio de São Ludgero e estou trabalhando na campanha de vacinação contra a gripe. Estamos sempre nos prevenindo com o uso de máscara, luva, touca e jalecos descartáveis. Apesar dos cuidados, tenho um pouco de medo por estar atuando na linha de frente, mas é ótimo saber que estamos ajudando, de alguma forma, a população em geral. Tenho medo, mas sei que tudo isso é para um bem maior.

Karizy Zanoni – 9º semestre de Medicina

No momento estou realizando a triagem dos pacientes, fazendo uma ausculta inicial dos sintomas e coleta de dados vitais. A médica e a enfermeira utilizam seus conhecimentos prévios e buscam informações sobre o assunto para nos orientar. O que eu sinto é um misto de sentimentos, até difícil de explicar. Por um lado, você se sente bem por estar sendo útil à população. Saber que estou ajudando, de alguma forma, é muito gratificante. Porém, seria mentira dizer que não há um sentimento de insegurança/medo de exposição ao vírus, principalmente por poder ser um vetor para a minha família.

Cíntia Benedet Souza – 9º semestre de Enfermagem

No momento estou atuando na campanha de vacinação contra a gripe. Como voluntária recebi uma capacitação sobre a importância e o modo corretor de usar os equipamentos de segurança e sobre como agir com a população. É muito gratificante poder fazer algo para ajudar neste momento. Escuto de muitos pacientes “estamos rezando por vocês”. Isso traz um sentimento muito bom. Quando tudo isso começou, eu me questionei se realmente era essa a profissão que eu gostaria de seguir. Porém, fomos preparados para isso durante cinco anos: a como ter empatia com o próximo, o cuidado com as pessoas, sempre pensar no bem para todos. Estar na linha de frente faz tudo o que estudamos valer a pena e ter a certeza de que foi a decisão certa.

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