Saiba por que não é mais possível desperdiçar a água do planeta

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que “um bilhão de pessoas carece de acesso a um abastecimento de água suficiente, definido como uma fonte que possa fornecer 20 litros por pessoa por dia a uma distância não superior a mil metros”.

Diante desta realidade, a utilização insustentável de recursos hídricos, a poluição desmedida e outros fatores climáticos consequentes do aquecimento global exigem da humanidade, como um todo, um novo posicionamento na busca do uso sustentável deste recurso.

Unesco afirma que não é mais possível desperdiçar as águas residuais – a afirmação sintetiza a mensagem da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) divulgada no Dia Mundial da Água, 22 de março. No Brasil, 35% das águas residuais são tratadas, nos países de alta renda uma média de 70% e nos de baixa renda cerca de 8%. De acordo com o Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos de 2017, além de tratar as águas residuais, é preciso reutilizá-las. O documento alerta sobre a necessidade imediata da implementação da Agenda de Desenvolvimento Sustentável até 2030, definida pela Organização das Nações Unidas (ONU).  A mensagem desse ano mostra a urgência em modificar a gestão das águas residuais e passar de um modelo de tratamento e eliminação para um modelo de redução, reutilização, reciclagem e recuperação dos recursos.

Tubulação de esgoto. Foto: Zig Koch / Banco de Imagens Agencia Nacional das Águas
Diversos cursos da Unisul têm a água como foco de pesquisas e uso sustentável, por isso, a reportagem do Unisul Hoje aprofundou o assunto com docentes e alunos.

Os cursos de engenharia da Unisul têm inúmeras pesquisas sobre a água, bem como o novo programa de pós-graduação em Ciências Ambientais. Em prol da sustentabilidade, o Mestrado em Ciências Ambientais da Unisul nasce com o objetivo de entender os processos de mudanças passadas e presentes, planejar novos caminhos de desenvolvimento sustentável, integrando a sociedade, tecnologias e ambiente. “O mestrado em Ciências Ambientais da Unisul se preocupa com a concepção de processos produtivos eficientes e sustentáveis, ou seja, produzir de forma mais limpa, minimizando, por exemplo, o uso da água potável nos processos produtivos”, destaca a professora Ana Regina de Aguiar Dutra.

De acordo com a professora Patrícia Eichler, oceanógrafa bióloga, tem se observado um crescente processo de acidificação nos oceanos. Em baias mais confinadas, mais poluídas já é possível detectar este aumento de acidificação. “O aumento da acidez dos oceanos se deve a diminuição de oxigênio na água. A diminuição deste oxigênio ocorre pela quantidade de poluentes e contaminantes presentes na água, o que ocasiona uma mortalidade de peixes em torno do ecossistema marinho afetado”, ressalta a professora Eichler.

“A água potável limpa, segura e adequada é vital para a sobrevivência de todos os organismos vivos e para o funcionamento dos ecossistemas, comunidades e economias”. (recorte da Declaração da “UN WATER” para o Dia Mundial da Água 2010)

A professora Anelise Leal Vieira Cubas, vice-coordenadora do Mestrado em Ciências Ambientais, afirma que “em cerca de vinte anos poderá haver uma crise de água semelhante à do petróleo”. Por isso, ela desenvolve aplicações de tecnologias inovadoras para tratamento de resíduos e tratamento de água, onde estuda a aplicação de plasma frio, processo com baixo custo e alta eficiência. Dentro de uma perspectiva que trabalha questões associadas a ciências humanas, tecnologia e sociedade, o professor Rogério Costa está alinhado ao eixo de pesquisas em transferências de tecnologias associadas a economia, ciências ambientais e relações internacionais. Desta forma, pensa a melhoria da eficiência do uso da água nos processos produtivos e no descarte desta água. (Em outras palavras, quantos litros de água se utiliza para fazer um litro de cerveja ou um quilo de carne bovina? Como esta água pode ser reaproveitada?) “Esses processos produtivos podem ter uma melhoria no uso, tornando esse bem extremamente valioso menos suscetível a escassez e, com isso, buscar a transferência de tecnologia para que este uso seja racionalizado”, destaca o professor Rogério.

O Mestrado em Ciências Ambientais está com as inscrições abertas.

É exatamente neste cenário de complexidade que o mestrado em Ciências Ambientais estará focado. O programa objetiva a formação e qualificação de profissionais e docentes com foco nas ciências ambientais, e visão interdisciplinar da interação entre os processos naturais e a sociedade. “O momento é de desafio e necessidade de integrar setor produtivo, meio ambiente, sociedade e saber acadêmico, buscando desenvolver tecnologias integradoras, transformar o processo de apropriação dos recursos naturais, e trabalhar na construção progressiva de sistemas viáveis de governança”, salienta o coordenador do Mestrado, professor Sergio Antonio Netto.

A água é saúde, mas na Unisul também é pesquisa

O curso de Naturologia, utiliza os recursos naturais em prol da saúde e a água,  integrante de 60% em um corpo humano adulto e 80% em um infantil, atua nas reações químicas do organismo, além de regular a temperatura do corpo. Em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde, o curso foi contemplado com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Ministério da Saúde para resgatar os conhecimentos sobre o Termalismo. “A intenção é que nós possamos capacitar os profissionais de Naturologia a se tornarem aptos na sua aplicação terapêutica”, pontua o coordenador do curso, professor Daniel Rodrigues.

O Sistema Único de Saúde (SUS) reconhece o Termalismo como uma forma de tratamento para a saúde desde 2006. A prática era utilizada pelos antigos romanos, gregos e indígenas. No entanto, o uso da água termal para o tratamento de saúde no Brasil  é pouco explorado, sendo mais utilizada para o turismo, lazer e esporte. “É preciso a conscientização do público quanto à importância da água mineral termal para a saúde pública”, diz o coordenador. Entre os estudos sobre os efeitos das águas termais, o professor Daniel Fernandes Martins, do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde, orientou pesquisa da aluna de Mestrado, Fernanda Madeira, sobre os efeitos da água termal de Santo Amaro da Imperatriz na dor e inflamação de animais. Este estudo constatou o potencial da água termal na melhora da dor e diminuição do processo inflamatório. “Acredito que o diferencial no tratamento desses animais deve-se a constatação da presença do gás radônio e dos minerais desta água nos efeitos resultantes”, analisa Martins. Leia mais sobre a pesquisa.

No tratamento com pessoas, com o uso interno contínuo das águas termais diretamente da fonte por 21 dias, com a frequência de dois banhos diários, notou-se melhora em todos os sujeitos participantes nos sintomas de dor, além de relatos de melhora da depressão de alguns pacientes, no funcionamento do intestino e na insônia, por exemplo.

[su_slider source=”media: 16080,16079,16078″ width=”520″ height=”720″]

COMPARTILHAR

1 Comentário

Comments are closed.