Quando o desafio molda a oportunidade na vida de uma mulher/mãe

O Dia Internacional da Mulher é neste 8 de março, e pensando nelas, a Unisul apresenta uma série de reportagens, eventos e debates. Nesta terça-feira será apresentada a história da coordenadora pedagógica do Colégio Dehon, a professora Dra. Clésia da Silva Mendes Zapelini. Mas o que dizer da mulher, mãe e profissional, Clésia Zapelini?

Poder-se-ia falar que ela lutou desde cedo para buscar o conhecimento necessário para adquirir a profissão que exerce, driblando a dificuldade vivida no campo. Alcançou o conhecimento espiritual na busca por entender suas próprias limitações e aprendeu com a vida que as maiores lições se encontra com o desafio, a oportunidade e a gratidão. Três pilares que sustentam o que se pode chamar de superação.

A não existência da quinta série nas escolas próximas do lar onde nasceu, no Sertão dos Medeiros, fez com que a menina de Gravatal buscasse em um colégio, à quilômetros de distância, uma palavra que convencesse o pai a deixá-la continuar os estudos para além da quarta série. A permissão foi concedida após a intervenção de almas caridosas, inclusive com a visita da diretora do colégio, mas as condições financeiras ainda eram o empecilho. Mesmo assim, dias frios não impediam que ela, mesmo de sandálias de dedo, caminhasse todo o percurso necessário para que o sonho se concretizasse.

A oportunidade para a superação

“Desde cedo o meu desafio foi superar a questão financeira, a carência que me fez lutar para conseguir um espaço. Não ter mochila de marca e ter que ir com sacola plástica e levar os caderninhos ali dentro foi um desafio e uma oportunidade. Os professores do Ensino Médio que me acolheram na casa deles também foi uma oportunidade que eu tive. Não posso reclamar de nada, só posso agradecer. Esta foi uma trajetória que me permite dizer que eu sou quem eu sou”, ressalta Clésia.

O anseio pelo saber fez com que ela residisse na casa de professores para concluir o ensino médio. A ajuda que ela oferecia era a ajuda que ela recebia. Nesta época conheceu o jovem Clávison, o homem que tinha os mesmos sonhos que ela, o homem que viria a ser o esposo por trás da grande mulher. Juntos, um ajudou o outro a pagar a graduação, primeiro um, depois o outro. Sempre juntos, concluíram a pós-graduação, conquistaram a casa própria, o carro próprio e foram abençoados com o filho Caio.

A família constituída com a presença de Caio, ‘o filho mais lindo e mais inteligente do mundo’, completava a felicidade alcançada pelo sucesso profissional e emocional. Até que, com dois anos de idade o menino começou a perder os movimentos da perna. “Em uma semana ele caminhava, na outra só andava com o andador, na seguinte engatinhava, depois só conseguia sentar. Foi tudo muito rápido. Em seis meses perdeu o movimento dos braços, do pescoço, até a fala”, conta ela.

Os médicos deram um ano de vida para o filho de Clésia, segundo eles, o menino viveria até um pouco mais de três anos. Assim, um novo desafio foi imposto à mulher que havia enfrentado tantas dificuldades. Uma nova oportunidade de aprendizado para a mulher que sempre buscou o saber. A oportunidade do autoconhecimento. Ela se perguntava como poderia ser ao mesmo tempo mãe, mulher e profissional diante de tal situação. “Eu tinha duas escolhas: ou ficava em casa enterrada e abraçada ao meu filho, chorando e esperando a vida dele acabar ou continuava sendo mulher, profissional, estudante e mãe, tudo para conseguir fazer com que ele ultrapassasse esta barreira”.

Quando o desafio molda a oportunidade na vida de uma mulher/mãe
Clésia, Caio e Clávison, a família com o desafio de superar cada dia / Foto: Clésia da Silva Mendes Zapelini

A oportunidade que move a mulher, a mãe, a profissional e (por que não?) a atleta

Para Clésia mulher, além, de ter o amor no coração, deve-se encarar os obstáculos como oportunidades de superação de vida. É preciso ver a vida desta forma para não ter o peso do problema. Ela reforça que agir assim faz com que, mesmo sendo difícil, tudo seja mais suave. Para a mãe, o desafio na vida do filho foi também uma oportunidade para que ela conseguisse tratamentos alternativos. E, durante este tempo de luta, a profissional conclui o doutorado em Ciências da Linguagem. A atleta tem um filho que, apesar de todas as dificuldades, a acompanhou na Corrida de São Silvestre. A estudante está aprendendo a tocar violão e a família está com passagens compradas para a Corrida de São Silvestre deste ano.

Com intuição de mãe, força e determinação de mulher e sabedoria profissional, aprendeu e encontrou o melhor para o filho, um filho que está com dez anos de idade. Um filho que a move, que a transmite vida, que a inspira e faz com que ela inspire outras mulheres. “O que me move como mãe é a superação diária do Caio. Ele tem dificuldade de respirar, mas luta pela vida. Ele me ensina a cada dia a superar os meus limites. Ele veio para me ensinar a ser uma pessoa melhor”.

Conheça também a história da estudante de filosofia de 66 anos, Ester Macedo.

Texto: Reginaldo Osnildo

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