A determinação para realizar o sonho de se graduar

Foram muitos os dias de sol e chuva na trajetória de Katia Bunn, estudante de direito, que aos 52 anos está prestes a colar grau. A conquista do curso superior representa algo que não pode ser medido, nem mesmo pela própria régua. Uma vitória sem tamanho, que ela dedica a várias pessoas que lhe ajudaram durante o seu caminho. “Eu não posso dizer que ela é minha, pois cada fase dela teve a participação de alguém que foi essencial para que então, eu pudesse prosseguir’’.

Apesar de origem modesta, teve oportunidades de estudar, graças aos esforços dos pais, que consideravam a educação uma prioridade. Ser formada pelo IBEU, Instituto Brasil Estados Unidos, foi um grande diferencial, proporcionou que ela viajasse pelo mundo. Katia foi a primeira brasileira a levar a equipe do Brasil de pessoas com deficiência, na época rotuladas como excepcionais para os Special Olympics Games nos Estados Unidos. “Essa experiência fantástica não só mudou minha forma de ver a vida como me levou a definir o tema do meu TCC que foi indicado para publicação com nota 10”.

Na vida pessoal, as coisas não foram mais fáceis, um acidente sofrido aos 23 anos, debilitou parcialmente sua visão. Casou-se duas vezes, teve filhos, mas estes nasceram prematuros. Os cuidados dessa época fizeram com que ela se dedicasse totalmente a eles. Uma enchente fez com que sua família perdesse tudo, e outro acidente vitimou o então atual marido. Mesmo totalmente sozinha, e como mãe, cheia de responsabilidades. “Tomei a decisão mais difícil da minha vida. Para proteger meus filhos das adversidades de um recomeço do qual só restou à roupa do corpo, resolvi deixá-los com o pai para que eu pudesse recomeçar em outro estado’’.

Recomeçar é difícil, as dificuldades continuaram. Katia não conseguia emprego, fazia faxina para sobreviver até começar em uma empresa de telemarketing, onde foi selecionada como Supervisora Operacional e logo em seguida, Supervisora de Treinamento. A oportunidade era tudo que ela precisava. “Treinei inúmeras pessoas em um sistema internacional de reservas, em inglês, estando assim, mais uma vez ligada a educação, pois todos dependiam dos resultados no treinamento para conseguir efetivar sua contratação’’. Pouco a pouco, as coisas voltaram aos eixos.

Os professores desempenharam papéis especiais no decorrer do caminho. Como Pedro Ferrari, orientador de seu TCC. Virgínia Rosa, sua coordenadora, que sempre a fez lembrar do Slogan: “Braço forte, mão amiga’’. Katia estava inclinada em dar o melhor de si, e em troca recebeu, acolhimento, incentivo e motivação. “Foi uma relação ótima, saudável e cativante. Era um grande prazer, um momento de paz, chegar de manhãzinha na Unisul’’.

Os próximos passos de Katia já estão definidos. Começar uma pós-graduação, se preparar para o mestrado e seguir no campo da docência. ‘’Quero me fortalecer para mais recomeços – que não foram poucos – e me reinventar, o direito não nos permite ficar inertes e como ele quero ressignificar a minha vida’’. Também deseja que isso a possibilite viajar mais e mais, carimbar o passaporte é uma das coisas que mais ama no mundo. Katia espera fazer a diferença na profissão que escolheu, e por intermédio dela, ajudar, amparar e desenvolver pessoas.

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