No dia do Filósofo, reitor sugere reforço à formação do cidadão

O professor Mauri Luiz Heerdt disse que uma nação não pode conviver com as relações de dominação, exploração, corrupção e marginalização e precisa assumir a indignação ética para derrubar as barreiras que cerceiam a afirmação do ser humano, como valor e critério de qualquer norma moral. “É preciso que o Brasil reintroduza o ensinamento filosófico em todas as escolas”, defendeu.

No Dia do Filósofo, comemorado em 16 de agosto, o reitor da Unisul salienta que a corrupção, que se transformou numa epidemia no Brasil, desmoraliza as instituições e corrói as relações sociais. “A ética na política é um princípio essencial de qualquer regime que se pretenda efetivamente democrático e não um casuísmo. É urgente repensar nossas estruturas políticas para que a política volte a ser um importante pilar da democracia”, colocou.

Em seu livro “Construindo a ética e a cidadania todos os dias”, o professor Mauri Heerdt vê com preocupação o fato de as pessoas, com os avanços da tecnologia, se descuidarem da essência do ser. “Hoje se age de acordo com as conveniências do momento e se tornam mais complacentes com seus próprios erros”.

Na sua opinião, a liberdade do cidadão não consiste na possibilidade de ter mais espaço material de escolha, como se ele fosse mais livre numa país rico do que numa pequena aldeia pobre, só pelo fato de poder dispor de mais chances de escolha. “A liberdade é uma opção de consciência, motivo pelo qual o dinheiro, enquanto alternativa para se ampliar o campo de oportunidades, não é uma fonte de liberdade. Não se pode ser livre convivendo ao lado de pessoas que passam fome. Daí a razão de a sociedade ser capaz de transformar suas circunstâncias, melhorar a realidade sob a égide da dignidade humana”.

O professor Mauri Luiz Heerdt destaca a necessidade de fortalecimento da família, para melhorar a formação dos novos cidadãos, buscar o equilíbrio psicossocial, combater as drogas e estimular a solidariedade humana. “Apesar das transformações sociais e econômicas, a família continua sendo a essência da sociedade. Por isso, é fundamental que as ações sociais do governo tenham essa preocupação, de dar todo o apoio às famílias”.

Em sua avaliação, filosofia e sociologia nos currículos escolares exigem metodologias mais avançadas. “O mais importante é despertar e motivar os jovens para o conhecimento da ética e da moral, por exemplo, o que eles poderiam pesquisar e aplicar. “Sem bases filosóficas para conhecer os fundamentos da vida, estaremos com maior rapidez nos afastando dos princípios que norteiam as relações humanas”, conclui.

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