Dissertação observa tendência danosa ao cérebro pelo consumo de frutose em excesso

Nesta segunda-feira, 26/2, o mestrando do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da Unisul (PPGCS), Anderson Cargnin Carvalho, defendeu a dissertação intitulada ‘Efeitos do consumo de diferentes concentrações de frutose sobre parâmetros bioquímicos de camundongos’. A pesquisa, levando em consideração os dados obtidos a partir de um protocolo, com consumo de diferentes quantidades de frutose, avaliou o estresse oxidativo e alterações mitocondriais, no hipotálamo (região do sistema nervoso central), e na gordura epididimal (uma das frações da gordura visceral).

De acordo com o mestrando, o consumo de frutose vem aumentando em diversas populações, decorrente principalmente, do consumo excessivo de açúcar, que tem a frutose como 50% de sua composição, como também de alimentos industrializados com elevado teor de adição. “Esse aumento do consumo de frutose já vem sendo associado a alterações hepáticas como o acúmulo de gorduras no fígado ou esteatose, mas já existem evidencias de alterações em regiões do sistema nervoso central. Onde consumir frutose em excesso poderia de alguma maneira prejudicar o funcionamento de regiões cerebrais”, reforça Anderson.

A dissertação de Anderson focou em uma região específica do cérebro, o hipotálamo, responsável pelo controle da saciedade e da ingestão alimentar. A pesquisa, realizada em camundongos, foi feita com a divisão destes em grupos, que seguiram diferentes protocolos de alimentação: o primeiro grupo foi alimentado com ração e água pura, o segundo grupo com ração e água acrescida de 5% de frutose, o terceiro grupo com ração e água acrescida de 10% de frutose, e o quarto grupo com ração e água acrescida de 20% de frutose.

Visando identificar alguns efeitos bioquímicos do consumo das diferentes concentrações de frutose, no hipotálamo e na gordura epididimal, a avaliação do pesquisador foi realizada por um período de onze semanas. “Não ocorreram diferenças significativas no ganho de peso corporal ao longo do período, no entanto, os grupos que consumiram as bebidas com maior percentual de frutose (10% e 20%), aumentaram o peso da gordura epididimal e visceral. Nos mesmos grupos, também ficou evidenciada uma tendência ao aumento dos danos oxidativos á lipídeos e de alterações mitocondriais na gordura epididimal, assim como a presença do estresse oxidativo no hipotálamo”, conclui ele.