Doutorando desenvolve critérios para auxiliar farmacêuticos na prescrição de medicamentos

Imagine você estar com uma tosse ou uma crise alérgica e conseguir uma receita de medicamento com o próprio farmacêutico. Essa prática já existe, pois o Conselho Federal de Farmácia (CFF) regulamentou a prescrição farmacêutica no Brasil. Isso quer dizer que o farmacêutico é apto a selecionar e documentar terapias farmacológicas (remédios) e não farmacológicas, e outras intervenções relativas ao cuidado à saúde do paciente. Pensando em uma forma de criar e validar orientações (critérios) que norteiem a prática, o doutorando Leonardo de Paula Martins defendeu sua tese de doutorado sobre a temática. A pesquisa fez parte do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS) da Unisul.

Para realizar a pesquisa, o doutorando utilizou uma técnica chamada de Grupo Focal, em que, por meio de conversas com farmacêuticos, identificou quais medicamentos poderiam ser indicados para criação de critérios racionais de prescrição. “Estas orientações vão ajudar a promover o uso racional de medicamentos por meio da prescrição farmacêutica baseada em evidências científicas. Além disso, o método para criação dessas orientações, estabelecido nessa tese, poderá ser utilizado por outros pesquisadores para mesma finalidade”, explica Leonardo.

Resultados

Durante a pesquisa, alguns medicamentos foram selecionados e divididos em grupos:

  • Medicamentos para distúrbios gastrointestinais;
  • Medicamentos para tosse;
  • Medicamentos para alergias;
  • Medicamentos para infecções fúngicas;
  • Suplementos vitamínicos e/ou minerais.

Um dos medicamentos pesquisados foi a Loratadina, pertencente ao grupo dos medicamentos para alergias. Após uma revisão da literatura científica, foi atribuído e validado o seguinte critério para este medicamento:

“A loratadina apresenta-se como boa opção para o tratamento de reações alérgicas. Apesar da levocetirizina se mostrar mais eficaz, deve-se analisar a relação custo-benefício em cada caso. Em relação à segurança, deve-se evitar o uso diário superior a 10 mg, afim de prevenir o comprometimento cognitivo e motor do usuário”.