Eco design reduz a geração de impacto ambiental, diz professor Silva

O eco design prolonga o ciclo de vida dos produtos devido aos materiais utilizados e geram menos impactos ambientais.

De acordo com o professor Carlos Alberto da Silva, do curso de Design, a inclusão do pensamento do ciclo de vida no projeto de forma a elaborar produtos mais simples, consomem menos materiais e energia, duram mais e reduzem a geração de resíduos.

“Muito mais que uma tendência o eco design é uma urgência diante do catastrófico cenário futuro. A aplicação do eco design tem o objetivo de reduzir a geração de impactos de um produto em todo o seu ciclo de vida, mas é nas etapas finais que esses ganhos são mais visíveis, principalmente pelo prolongamento da fase de uso e pelas possibilidades ambientalmente mais corretas de fim de vida, incluindo retornos para o próprio ciclo”, contextualiza.

Eco design e o desenvolvimento sustentável

Os profissionais quando elaboram seus projetos focam na redução do uso de recursos não renováveis ou que minimizem o impacto ambiental. O professor Carlos também defende que o eco design é visto como importante instrumento para o desenvolvimento sustentável. “Porém, não tem como foco apenas o meio ambiente. O objetivo é utilizar melhor os recursos, com eficiência energética, mas também criar cidades atrativas, boas de morar, com qualidade de vida”.

O processo de desenvolvimento segue os seguintes princípios:

•         Escolha de materiais de baixo impacto ambiental: menos poluentes, não-tóxicos ou de produção sustentável ou reciclados, ou que requerem menos energia na fabricação.

•         Eficiência energética: utilizar processos de fabricação com menos energia.

•         Qualidade e durabilidade: produzir produtos que durem mais tempo e funcionem melhor a fim de gerar menos resíduos;

•         Modularidade: criar objetos cujas peças possam ser trocadas em caso de defeito, pois assim não é todo o produto que é substituído, o que também gera menos lixo.

•         Reutilização/Reaproveitamento: propor objetos feitos a partir da reutilização; projetar o objeto para sobreviver seu ciclo de vida, criar ciclos fechados sustentáveis.

Estudantes do curso de Design desenvolvem projetos

Para inserir os estudantes nesse universo, o Professor Carlos que é responsável pela turma de Projeto Conceitual e Experimental em Eco Design, explica que lançou o desafio de desenvolverem o mobiliário urbano para as praças de Florianópolis dentro dos quesitos do eco design.

“Esses mobiliários são projetos que tinham como clientes/compradores fictícios as prefeituras municipais, que são as responsáveis por gerir esses espaços. No entanto, sua aplicação se resume ao exercício acadêmico de projetos de eco design, apesar dos projetos contarem com uma etapa de viabilidade”.

Cada equipe de projeto, escolheu uma praça ou parque de Florianópolis, São José e Palhoça para projetar um mobiliário urbano a partir das diretrizes estabelecidas. Os principais teóricos apontados nos projetos foram: Enzo Manzini, Victor Papanek, Carlo Vezzoli, Andréia Mesacasa, Andréa Franco Pereira e a metodologia de Eco design para o Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis de Elizabeth Regina Platcheck, entre outros.

“Seguindo uma abordagem etnográfica cada equipe de projeto preocupou-se em introduzir os atores sociais com uma participação ativa e dinâmica e modificadora nas estruturas que seriam projetadas”, alega Carlos.

A partir dessa interação foram identificadas algumas necessidades dos usuários e requisitos de projetos. Carlos destaca que todos os oito projetos encontraram cenários muito ruins quando se tratava de mobiliário urbano para praças e parques desses municípios.

“Espaços sem lixeira ou inadequadas, bancos depredados ou desconfortáveis, mobiliário sem relação histórica com local que estava inserido, praças sem iluminação adequada, sem bicicletário, entre tantos outros problemas”.

Nessa abordagem, os estudantes também puderam aplicar o design thinking, que busca a solução de problemas de forma coletiva e colaborativa, em uma perspectiva de empatia máxima com seus stakeholders (interessados): as pessoas são colocadas no centro de desenvolvimento do produto – não somente o consumidor final, mas todos os envolvidos na ideia (trabalhos em equipes multidisciplinares são comuns nesse conceito. Os principais materiais utilizados nos mobiliários foram os blocos verdes ou concretos ecológicos e a madeira plástica. A maior preocupação era com o ciclo de vida do material.

“Para simplificar o complexo conceito, a ideia era avaliar todo o processo de produção, uso e descarte de uma maneira cíclica onde não se produz resíduo, mas sim que cada etapa se insira dentro ciclo natural dos materiais que os compõem”, relata Carlos.

Quanto a qualidade dos produtos, o Professor valoriza as etapas do processo e também da utilidade pública.

“Os trabalhos apresentados têm excelência em qualidade e inovação e poderiam facilmente ser aplicados, caso houvesse interesse do poder público em adquiri-los ou mesmo se for proporcionada uma maior integração entre o curso de design e as prefeituras municipais”.

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