A educação é a solução para o fim da violência de gênero, defende professora

Estudos apontam que as mulheres sofrem mais agressões físicas do que os homens. Em 2018, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) apontou quase 210 mil registros de violência, sendo 67% dos casos cometidos contra mulheres. Os dados mostram que, quando a violência é colocada sob uma perspectiva de gênero, mulheres e homens são afetados de forma diferente pela violência no Brasil.

Para a professora do curso de Segurança Pública da UnisulVirtual, Márcia Cristiane Nunes Scardueli, a violência contra mulheres tem o agravante de ser cometida pelo simples fato de elas serem mulheres, o que caracteriza a ação como violência de gênero ou feminicídio (quando ocorre o homicídio). “O feminicídio é um qualificador do crime original que era o homicídio – matar alguém é crime, e matar alguém porque esse alguém é mulher é uma questão de gênero”, reforça.

O estereótipo da mulher submissa, criado e perpetuado ao longo dos séculos, ainda contribui para a realidade e para os índices de violência de gênero. “O sexo feminino sempre foi entendido, na cultura patriarcal, como aquele que deve ‘servir’ ao masculino. Por isso, as meninas eram educadas para casar, pois casando serviriam ao homem em vários aspectos”, explica Márcia.

As agressões do dia a dia

A violência de gênero pode acontecer em qualquer lugar e momento. Uma pesquisa feita pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, mostrou que 97% das mulheres já sofreram assédio sexual em meios de transporte público e outras 71% afirmaram conhecer alguma mulher que já sofreu assédio em público.

Então, o que é possível fazer para mudar essa realidade? Segundo a professora Márcia, que também é agente de Polícia Civil da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso de Araranguá, falar é o melhor caminho. “Quando a mulher se cala, ela contribui para esse contexto, pois reafirma a questão do silêncio sobre esse tema, dando a entender que, de alguma forma, ‘aceita’ isso. Estimular o debate sobre o respeito também é uma grande forma de colaborar”, comenta.

A professora reforça a importância de discutir sobre o tema e defender a causa. “Muitos dos nossos egressos vão trabalhar diretamente na segurança pública e é nessa área que mais se lida com a questão da violência. É preciso promover conhecimento durante o curso para que haja uma mudança social. Só entende e respeita quem compreende e conhece”, relata Márcia.

O papel do estado

Duas grandes medidas foram tomadas na tentativa de diminuir os índices de violência de gênero no Brasil: a criação das Delegacias de Proteção à Mulher e também a Lei Maria da Penha. “Essas duas políticas públicas têm, há anos, realizado o enfrentamento da violência contra a mulher, especialmente a partir das denúncias das próprias mulheres”, analisa a professora.

Segundo Márcia, o principal fator que pode levar a, efetivamente, diminuir os números de violência contra a mulher é a educação. “Educar para as questões de gênero é a tarefa mais necessária. Educar discutindo, abordando, citando, enfrentando. Todos os dias e em todos os lugares”, finaliza.

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