Engenheiros Ambientais e Sanitaristas alertam sobre áreas de risco

As altas temperaturas que marcam o verão mais uma vez atingem em especial a região Centro-oeste que também sofre com as chuvas. As tragédias que amedrontam as comunidades com deslizamentos e cheias ainda se tornam foco de uma série de doenças. Neste sentido, os engenheiros ambientais e sanitaristas da Unisul alertam que todo cuidado é pouco, não só por parte da população, como também, das entidades responsáveis.

Talvez nem todos tenham essa noção, de que um desastre natural que causa uma enchente ou deslizamento, contamina o ambiente e pode transmitir doenças como febre amarela, esquistossomose, leptospirose entre outras sejam em animais ou nos humanos.

Os engenheiros ambientais e sanitaristas são os profissionais responsáveis por identificar as causas e desenvolver programas de medidas para melhorar a qualidade do ambiente, por meio de métodos específicos de triagem química, bioensaios e até mesmo na modelagem de impacto.

O professor José Gabriel da Silva, do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária da Unisul explica que nesse contexto, o diagnóstico depende da área e do tipo de risco, sendo que não há uma regra geral aplicável a todas as situações. “Contudo, sempre são analisados os aspectos físicos do meio, condições de solo, tipo de vegetação, declividade, localização e interferências humanas. Este ponto conta com embasamento da Legislação Ambiental que avançou muito nos últimos anos, porém não se aplica a fiscalização”.

Ainda de acordo com professor José Gabriel, embora muitos equipamentos de gravação sejam utilizados, as questões jurídicas de um processo devem ser respeitadas.

A Lei 9605-98 sobre os crimes ambientais dispõe sobre as punições, pois considera infração administrativa ambiental toda ação ou omissão que viole as regras jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e recuperação do meio ambiente. “Neste caso pode-se citar o seu artigo 2, que tipifica o infrator ou agente credenciado de órgãos ambientais. Enfim, as punições existem e dependem muito do caráter, pois há crimes contra fauna e a flora”, pontua José Gabriel.

Sobre uma área afetada por esses desastres, esta tem a possibilidade de se recuperar totalmente a longo prazo caso não sofra mais interferência humana, entretanto, depende de grandes investimentos. A tecnologia de comunicação tem se mostrado uma grande aliada na prevenção, uma vez que em questão de minutos os engenheiros ambientais sejam acionados, estes prontamente acionam os órgãos competentes e decisores nestas ações.

Mesmo que a interferência humana seja uma palavra muito utilizada, sob o ponto de vista da Engenharia Ambiental, muitas áreas são muito mais mitigadas do que recuperadas, pois a recuperação deve em suma levar o ambiente a sua condição inicial como afirma o professor. “O que ocorre com mais frequência é a regeneração de condições próximas a original. Cheias ou também chamadas de vazão de pico tem seus danos mais observados”.

Para auxiliar os engenheiros ambientais nas ações de prevenção a sociedade assume um papel muito importante ao adotar práticas simples como, por exemplo, ser consciente e tomar alguns cuidados como fala a Engenheira Ambiental e Sanitária professora Silene Rebelo. “Quem vive em áreas de risco deve estar sempre observando o meio, como vazamentos do solo, solapamento de terreno, volume de rios, etc., mas o ideal mesmo é que as pessoas não ocupem as áreas de risco”, conclui.