Estudante se inspira na própria experiência para mudar vidas

A história de Luiz Gustavo Lídio, estudante do curso de Serviço Social, tinha tudo para dar errado. Mas, graças às pessoas que encontrou pelo caminho, pode dar um rumo diferente à sua vida e agora, usa sua experiência para ajudar o próximo com o apoio da Unisul.

Luiz Gustavo, quando criança morava com avó, mesmo tendo a mãe por perto. Preferia a casa da progenitora devido ao relacionamento abusivo que a mãe mantinha com o padrasto. Certo dia, sua avó veio a falecer e Luiz conta que, com apenas oito anos teve de morar com a mãe, o que não durou muito. Logo, o padrasto o expulsou de casa e, sem a ajuda da família, passou a morar nas ruas.

Ficava bem ali no Largo da Alfândega e comecei a fazer coisas erradas como roubar e pedir. Até que um dia fui na casa de um amigo no Campeche, e a mãe dele, não sei se ficou com pena de mim, mas acionou o conselho tutelar. Eu ia para o abrigo, fugia, trabalhava de olheiro, avião e voltava ao abrigo. Numa dessas eu fui adotado e minha vida começou a mudar”.

Embora tivesse uma nova família, não esquecia do padrasto e, por isso, cometeu uma tentativa de homicídio que trouxe sérias consequências e lhe custou o desapontamento dos pais adotivos. Nessa época muita coisa aconteceu tão rápido que mal conseguiu digerir o que houve.

Ao saber que seria pai aos 16 anos, tomou ciência de que deveria mudar de rumo e com a ajuda da esposa retomou os estudos e ingressou na universidade.

“Voltei a estudar na Educação de Jovens e Adultos (EJA) e logo me convenceram a prestar o Enem quando já estava quase me formando. Na época me falaram que tinha direito a um código do colégio e que ninguém precisaria pagar a inscrição. Então fiz a prova, ganhei a bolsa do ProUni e vim para Unisul”. 

A escolha pelo Serviço Social aconteceu justamente pela sua trajetória até aquele momento, pois reconhece a influência desse profissional na vida das pessoas e seu plano é trabalhar com crianças e adolescentes por identificar-se com essa situação.

“É uma área bem interessante e querendo ou não, as crianças e adolescentes são o nosso futuro, temos que começar dali”.

Luiz cursa o sétimo semestre de Serviço Social, no campus Grande Florianópolis. Aliás, é estagiário do Programa de Promoção à Acessibilidade (PPA) e tal oportunidade também desperta seu interesse. Por meio do estágio iniciou um projeto de estudos com egressos da Unisul que tinham alguma deficiência. A proposta analisa a atual situação no mercado de trabalho, como a sociedade os acolheu e como avaliam o PPA durante o curso. Esse projeto de estudos mudou sua percepção perante as questões de acessibilidade.

“Percebi que muitas vezes a forma que lidamos com isso não é correto. Podemos ser falhos nessas questões. Isso me leva a pensar de uma maneira mais atenciosa e a seguir trabalhando com acessibilidade. É uma área bem legal e bem abrangente, onde podemos trabalhar de diversas formas”.

Ao pensar na sua história, Luiz acredita que as situações as quais enfrentou foram determinantes para pensar no próprio futuro.

COMPARTILHAR