Experimentos com plasma inovam as pesquisas na Universidade

No Laboratório de Plasma da Unisul, unidade Pedra Branca, diversos experimentos estão em desenvolvimento nas diferentes áreas. Mas antes de contar quais são esses trabalhos, que tal saber o que é esse tal de plasma?

Pois bem, o plasma é um gás ionizado contendo espécies carregadas e neutras, incluindo elétrons livres, átomos e moléculas, que, uma vez que interagem com gases neutros propulsionam os processos de dissociação, ionização e outras reações químicas com o gás neutro.

Quando ocorre a ionização, o gás ganha propriedades que podem ser eficientes para tratamento de água, para a eliminação de fungos e bactérias, para a extração de óleo, produção de diesel, entre outras funções. E é nesse momento, que entra o trabalho do Laboratório de utilizar e buscar formas para aplicações do plasma.

Coordenado pela professora Anelise Leal Vieira Cubas, o Laboratório de Plasma da Unisul, busca constantemente novas maneiras de utilizar o plasma em projetos inovadores. “Dentro das pesquisas podemos encontrar a utilização do plasma para aumentar a vida de prateleira do butiá, pois o plasma sendo bactericida, ajuda a eliminar as bactérias e assim, conseguimos manter o butiá por mais tempo nas prateleiras em relação aqueles que não passaram pelo processo. Dentro desta linha, temos pesquisas que envolve eliminação de bactérias em água em diferentes geometrias de reatores, pesquisa já com publicação em revista de impacto”, revela.

Um dos destaques do Laboratório é o desenvolvimento dos reatores de plasma que são projetados e construídos conforme a aplicação pelo grupo também coordenado pela professora Anelise. A tecnologia do reator a plasma apresenta vantagens tanto na produção do biodiesel em relação ao método convencional, destaca Anelise. “Devido ao tempo de reação ser menor, a facilidade na separação do produto (gera 90% menos de glicerina), como no produto final, pois o biodiesel gerado pode liberar 10 vezes menos material particulado que o diesel produzido por processos convencionais. “Ainda há uma série de análises em andamento além das citadas. Porque o campo de estudo é bem amplo sendo cada vez mais explorado pelos estudantes e professores que frequentam o Laboratório de Plasma da Unisul”.

Outra pesquisa desenvolvida tem sido a partir da extração de óleo da borra do café, que aplica o plasma no processo de reutilização dos produtos de cosmética, como por exemplo, em cremes para pele. 

No Laboratório também se realizam pesquisas sobre a utilização do plasma para a produção de biodiesel. Nesse processo, através dos processos tradicionais, ocorre a geração de uma quantidade de glicerol equivalente a 10% do biodiesel produzido. “Isto influencia negativamente no mercado nacional e internacional da glicerina. A tecnologia do reator a plasma apresenta vantagens tanto na produção do biodiesel em relação ao método convencional devido ao tempo de reação ser menor, a facilidade na separação do produto, como no produto final, pois o biodiesel gerado pode liberar 10 vezes menos material particulado que o diesel produzido por processos convencionais”, conta Anelise.

Ao quebrar as moléculas do óleo de cozinha e do álcool (etanol), da maneira que eles se juntam, se transformam em biodiesel, um processo mais rápido do que o convencional. O processo inclusive foi o tema da professora Marina Medeiros para o doutorado, conseguindo ser publicada em 2 revistas A1 internacionais.

Atualmente as pesquisas desenvolvidas no Laboratório de Plasma envolvem os professores vinculados aos cursos de engenharia e ao Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais (PPGCA), e recebe estudantes de diferentes cursos da Unisul desde a engenharia à cosmetologia, além dos mestrandos do PPGCA. O Laboratório tem parcerias com a UFSC e recebe frequentemente os respectivos mestrandos e doutorandos, que tem resultado em publicações conjuntas nacionais e internacionais de alto impacto.

Além da professora Anelise, Laboratório de Plasma conta ainda com a competência das professoras  e doutoras: Elisa Helena Siegel Moecke, que também integra o quadro de professores permanentes PPGCA e de Marina Medeiros Machado,  professora colaboradora do PPGCA.