Historiador: o elo entre o passado, presente e futuro

A fascinação e a curiosidade em compreender os acontecimentos foram determinantes para que Camila Antunes Gonçalves escolhesse a história como profissão e hoje, além de lecionar, também restaura quadros.

Desde criança o interesse em descobrir as origens já fazia parte da sua vida e Camila conta que tudo começou quando ao ler que o nome da cidade em que morava estava escrito de uma maneira diferente, seu pai lhe deu explicações e inclusive falou sobre a colonização. “Dali em diante quis saber de tudo, de onde viemos, porque somos assim e os porquês da vida. Por isso eu decidi fazer história. Eu persisti por tanto tempo porque eu percebi a importância disso, de conhecer o meu passado para poder compreender e raciocinar o que será o meu futuro”, recorda.

A graduação em História

Quando ingressou no curso de História, em 2015, certa de sua escolha, não teve dúvidas sobre o elo do historiador com o passado, presente e futuro. Para Camila, ser historiador é conhecer a fundo o que determinam os acontecimentos na atualidade.

“Através desses estudos históricos é que podemos conhecer as nossas raízes e os nossos antepassados. É estudando que conseguimos ter ciência do modo em que vivemos hoje como por exemplo, o porquê votamos, porquê determinadas coisas acontecem, então para mim é essa a conexão. Só conhecendo o passado que eu vou conhecer verdadeiramente o meu presente e o meu futuro, acho que essa é a importância do historiador”, contextualiza.

Durante a faculdade aprendeu a usar a tecnologia em sala de aula, o que considera imprescindível nos dias atuais pelo fato de os alunos serem “nativos tecnológicos”, mas que, no entanto, não se resume aos recursos como Datashow, vai além disso, destaca Camila.

“Essa geração já nasce tendo computadores, celulares e acesso às mídias. Eu aprendi a enxergar o lado humano dos alunos. Embora exista aquele aluno bagunceiro, às vezes esse comportamento é um mecanismo de defesa. Então é enxergar além daquela criança sentada. Isso é importantíssimo trabalharmos, principalmente quando lidamos com as séries do ensino fundamental, onde têm crianças que não sabem se expressar às vezes totalmente”.

Como os métodos de ensino recebem as influências da tecnologia, o professor precisa se reinventar constantemente e aproveitar as vantagens que os aplicativos como o YouTube oferecem, porém, sempre avaliando as ferramentas.

“Os meus alunos usam o celular dentro da sala de aula. É praticamente um apêndice e tem os dois lados. Por isso, é preciso saber aplicar em sala. Hoje temos os aplicativos na área de história. Temos usado alguns youtubers focados no ensino de história, como por exemplo o Nerdologia que explica de uma forma muito legal as matérias, por meio de desenhos e games”.

A internet X leitura

Da mesmo modo, Camila considera a importância de leitura nesse processo de aprendizagem pelos conhecimentos e habilidades que esse hábito proporciona.

“Enquanto a internet oferece um acervo bem amplo em questão de segundos, ler um livro ou até mesmo sites confiáveis desenvolvem habilidades como raciocínio crítico. Acho que o livro é essencial para tudo porque nos faz viajar, auxilia a desenvolver a pesquisa. Mesmo que existam os sites de pesquisa, esses nem sempre são fidedignos. A geração millenium que está vindo agora quer tudo mastigado. Eles não têm tempo de pesquisar numa Barsa e nem sabem o que é isso. Não querem ler um livro e querem um artigo científico já com tudo resumido”.

Camila também observa essa questão do imediatismo das informações que refletem inclusive nos interesses em compreender o próprio contexto histórico do Brasil e já apresenta mudanças, o que contribui com o trabalho do historiador.

“Durante muitos anos, desde o fim do regime militar, convivemos com uma classe que domina toda a produção cultural, isso é muito claro. Porém de alguns anos para cá isso tem se transformado”.

A vantagem está nas diversas versões que favorecem o acesso dos historiadores aos livros, documentários e outros produtos.

“A internet, sabendo sim, aproveitar os recursos, também engrandece o trabalho seja em sala de aula quanto em pesquisas. Nos últimos anos para cá é notório o crescimento cultural nisso. De livros relembrando a monarquia, do Brasil colônia, Brasil império, isso que talvez tenha sido deixado de lado e só abordado por um ponto de vista”, nota Camila.

A professora e restauradora

Além de ser professora de História, de ensino fundamental e das séries finais, Camila também restaura quadros, muitos deles, inclusive, de Willy Zumblick, pintor catarinense.

Agora, se lança no Instagram – @goncamila – com miniaulas de história bem interessantes. Camila faz os vídeos com o look do dia todos baseados em fatos históricos e que tem feito sucesso entre os seguidores.

“Essa foi uma forma que encontrei de levar para um pouquinho de história sempre relacionada ao look que eu estou vestindo e mesmo que eu ainda não tenha muitos seguidores, recebo muitas mensagens positivas. Quem me acompanha sempre interage dizendo que está aprendendo mais, tem sido bem gratificante”, diz.

Para a historiadora, mais do que uma disciplina, a história é uma ciência que induz a reflexão. “A história é algo que te faz analisar e que tira um pouco dessa impulsividade. Quando fazemos um resgate e vemos quantas pessoas lutaram, quantas pessoas morreram, quantas pessoas foram privadas da liberdade para conseguir o que hoje para mim é uma coisa tão simples. Então, a história é assim, fascinante”, conclui.


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