Hoje é o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor


L.J.Sardá
Diretor da Editora Unisul

Não faz muito tempo – ou faz? – ler um livro obrigava-nos a ir a uma biblioteca ou quando os pais podiam desembolsar uma boa grana para comprar obras. Sim, o livro era muito caro. Salim Miguel, por exemplo, tinha o hábito, quando criança, de ler bulas de remédio ou jornais velhos, acumulados para embrulhar alimentos não perecíveis no armazém do seu pai. E tornou-se um grande escritor, também com obras lançadas pela Editora Unisul.

O Dia do Livro nasceu com três grandes homenagens: morte de William Shakespeare (23.4.1616,) de Miguel de Cervantes (22.4.1616), e o nascimento, em 1899, de Vladimir Nabokov. Vejam que coincidência: Cervantes morreu um dia antes de Shakespeare. Há controvérsias, pois alguns historiadores dizem que a diferença é de 11 dias.

Nas escolas de nossa infância, havia poucas opções de autores. Você se lembra do “Meu pé de laranja lima”, de José Mauro de Vasconcelos? E quem nunca leu pelo menos uma obra de Monteiro Lobato? “Emília no país da gramática”; “O Saci”, “Memória de Emília”, “O picapau amarelo”, etc. etc., são dezenas de obras. E sabe o que Monteiro dizia?

–  “De escrever para marmanjos já estou enjoado. Bichos sem graça. Mas para crianças um livro é todo um mundo”

Os adultos lembram os grandes clássicos, de autores inesquecíveis, como Miguel de Cervantes, Machado de Assis, Garcia Márquez, James Joyce, Dante Alighieri, Guimarães Rosa, Thomas Mann, Luiz de Camões, Virgínia Woolf, Jorge Amado, João Cabral de Mello Neto, Oswald de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, etc. etc. etc. E por que não lembrar de alguns dos brilhantes catarinenses: Luiz Delfino, Sérgio da Costa Ramos, Salim Miguel, Flávio Cardozo, Henrique Boiteux, Urda Klueger, Raimundo Caruso, Silveira de Souza, Jair Hamms, Nereu Corrêa, entre tantos outros. E sabem quem é considerado o primeiro escritor catarinense? Marcelino Dutra, autor de Assembleia das Aves. A propósito, há uma história exemplar de Marcelino, que produzia alimentos no Ribeirão da Ilha, e os transportava em barco até o Mercado Público, onde os vendia no chão. Perto das 13 horas, ele se lavava na beira do mar, que batia no muro do Mercado, e subia o morro para a Assembleia Legislativa, onde exercia o mandato de deputado.

O livro é o grande acervo da alegria, da história, das fantasias, das boas lembranças de uma sociedade. Quem, por exemplo, se interessar pela história de Maciambú, de Palhoça, leia a obra A Massambu, de Duarte Schutel. E vibre com as histórias, hábitos e costumes que Virgílio Várzea descreve sobre o Norte da Ilha, em seu livro “Mares e Campos”. Esses livros integram o rico acervo da Editora da Unisul. Você, professor, aluno ou servidor, cultive o hábito de ler. Vá à Biblioteca e à Editora.

Por estas e outras razões, o dia de hoje nunca pode ser esquecido.

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