Imigrante síria recomeça sua vida no Brasil e estudos na Unisul

A estudante Heba Altabakh, de Odontologia da Unisul, veio para o Brasil em 2017 para fugir da Guerra Civil na Síria que destrói o país deste 2011, decisão essa influenciada por um conjunto de fatores associados ao conflito.

Sempre com a ideia de cursar medicina para ajudar as pessoas, Heba ficou dois anos sem poder estudar em seu país e por isso, mudou-se à capital Damasco para frequentar a escola. Porém mais uma vez seus planos saíram do esperado e sem opções, precisou estudar sozinha em casa.

Quando estava prestes a cursar o terceiro ano tentou voltar à escola para preparar-se e tentar uma vaga na faculdade. “Era o que faltava para que eu concluísse meus estudos lá na Síria e por causa da insegurança tive que parar. Cheguei a fazer um cursinho e o vestibular”, lembra. No dia que prestaria a prova a situação agravou-se impossibilitando que Heba que chegasse ao local. “Foi um ano inteiro de preparação e no final não consegui fazer nada”, lamenta.

Nesse período conheceu Abdo, que hoje é o seu esposo. O noivado aconteceu no mesmo ano em que conseguiu prestar o vestibular na Universidade Federal de Medicina de Damasco. A sensação era de extrema realização pois ingressava na faculdade de medicina e estava pronta para começar o curso.

Entretanto quando tudo parecia estar sob controle, Heba perdeu o irmão em janeiro de 2016 e dois sobrinhos, um menino com apenas dois anos e meio e uma menina, de quatro anos. Esse foi o principal motivo da sua mudança para o Brasil. “Abdo que já morava aqui ficou muito preocupado e não me queria lá de jeito nenhum”, conta Heba.

As incertezas diante de um conflito como este que assola a Síria são muitas. Ainda segundo Heba, essa condição tira a convicção, o senso de certeza das pessoas. Ao passar por tudo isso, percebeu que seus estudos corriam mais uma vez o risco de serem interrompidos. Por isso que a conversa com seu, hoje esposo, serviu como uma possibilidade de sair da zona de combate e assim casariam, além de lhe devolver a oportunidade de recomeçar, retomar seus estudos e então não pensou duas vezes, embarcou em direção às terras brasileiras.

Heba diz que no começo a maior dificuldade era o idioma desconhecido e completamente diferente do seu habitual. “Não imaginava que é a língua é tudo e que a ela tem essa importância, não sei porque, talvez porque antes eu nunca viajei para um país que falasse outra língua. Eu comecei a fazer um curso de língua na UFSC, onde fiz três níveis”.

Logo que chegou, Heba saiu em busca de informações sobre os trâmites necessários para retornar à universidade e descobriu que seria necessário prestar o vestibular novamente porque o processo é diferente ao da Síria. “Enquanto aqui se cobram todas as matérias em uma única avaliação e com a redação, na Síria a prova cobra matérias especificas do curso pretendido. Isso influenciou a estudante a desistir de fazer o vestibular e começar a procurar outras maneiras de entrar na universidade”, compara.  

Mais uma vez pretendia curar medicina em uma universidade federal como em seu país de origem e novamente o idioma se transformou em um obstáculo pela dificuldade de compreensão. Mesmo assim não desistiu e seguia em busca de uma forma de voltar à universidade, foi quando encontrou a Unisul e a opção de ingresso via histórico escolar. Contudo essa possibilidade não se estendia ao curso de Medicina e então, optou pela Odontologia.

“Acabei indo à uma clínica por uma semana para conhecer a profissão e me convenci em relação ao curso. Eu acho que a odontologia é muito próxima da medicina, também tem a necessidade de ajudar. Eu vou ajudar, vou aliviar uma dor também, a boca faz parte do corpo humano também”.

Na Unisul, Heba recebeu uma bolsa integral de estudos em 2018 e embora o idioma ainda represente uma barreira, tem conseguido boas notas. “Por mais difícil que seja compreender a língua ainda mais em um curso de ensino superior que lida com termos próprios e dificulta meu entendimento e tradução, estou me saindo muito bem, minha média é ótima e confio muito na minha força de vontade em alcançar meus objetivos e ajudar as pessoas, que é o meu propósito de vida”, orgulha-se.

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