Medicina prepara estudantes para ação voluntária contra o COVID-19

A partir dessa semana Palhoça recebe o apoio da Unisul, em especial dos alunos voluntários do curso de Medicina, nos centros de triagem da Secretaria Municipal de Saúde e atendimentos nas UBS.

O professor Rodrigo Dias Nunes, coordenador do curso de Medicina, conta que a iniciativa partiu do próprio município e que ao serem avisados mais de 130 estudantes colocaram-se a disposição e a universidade prontamente recolheu todos os EPIs (Equipamento de Proteção Individual) que possuía em seus postos de atendimento.

“E no mesmo espírito de auxílio à população, pensando na proteção dos voluntários e de seus familiares está comprando todo o insumo de descartáveis que consegue encontrar no mercado. A Prefeitura de Palhoça adquiriu grande quantidade de EPI para suprir a demanda, além de receber doação de mais 30mil kits por uma empresa de confecção de roupas que mobilizou seus funcionários para essa produção”, complementa.

Os estudantes já participam de um treinamento de segurança, nesta segunda-feira (23), com vários professores infectologistas, pneumologistas, cardiologistas e imunologistas. Depois disso, trabalharão em dois turnos de cinco horas neste primeiro momento, pois os horários podem ser ampliados caso a pandemia evolua.

Para esta ação também foi criada uma hotline (linha direta) com professores de psiquiatria, em conjunto com o Conselho Regional de Medicina para o apoio psicológico de alunos e professores voluntários.

“O intuito é orientar medidas de prevenção a possíveis quadros de depressão e ansiedade ao qual toda a população está sendo exposta, mas principalmente aos que estão na linha de frente, devido a tudo o que possa ser encarado nos próximos dias. Diante do cenário real de falta de materiais de proteção a nível nacional, nossa recomendação é que na ausência de qualquer material de proteção os voluntários afastem-se dos postos de ação”, ressalta o professor Rodrigo.

Entenda a ação voluntária

Na última semana a Unisul foi requisitada, por meio de um documento, a ceder estruturas ambulatoriais, corpo administrativo e estudantes em fase do internato médico a colaborarem com os centros de triagem de triagem periféricos que ocorrerão nas UBS do município e no call center de atendimento a população. A universidade prontamente respondeu ao município com a condição de voluntariado por parte dos alunos, por livre adesão e com total ciência dos riscos.

O professor Rodrigo ainda explica que como reconhecimento a ação humanitária e social, e por solicitação dos próprios alunos, compreendeu-se a possibilidade de validar essas horas de atividade como horas do internato.

“A mesma premiação poderia vir como uma medalha, uma certificação ou mesmo um agradecimento. Mas diante do momento de crise e incertezas entendemos a importância e entendendo que nada seria mais gratificante ao futuro médico do que trabalhar em prol da sociedade. Eles estão dando o verdadeiro exemplo a respeito da formação do caráter do ser humano”.

Na ocasião foi recomendado aos estudantes que se encontram em algum grupo de risco ou em convívio domiciliar a não participarem como ainda a conversarem seus familiares.

“Veementemente sugerimos que aqueles que tiverem qualquer dúvida ou incerteza de sua adesão, não participem desta ação voluntária. Não há intenção de favorecer ou prejudicar ninguém. Não sabemos qual a evolução da crise ou as definições do MEC sobre o futuro dos cursos de medicina paralisados. Estamos nesse momento fazendo simplesmente nosso papel social é como profissionais dispostos a exercer o que sabemos fazer”, alerta.

A responsabilidade social da Unisul em antecipar-se em atender a solicitação do executivo de Palhoça, reforça o compromisso com a saúde e inclusive em decorrência da previsão dos próximos eventos. “A nós o mais fácil seria nos eximirmos de nossa responsabilidade junto a sociedade e suspender nosso auxílio, mas diante da manifestação pela manutenção de nosso apoio por parte de grande parte dos alunos e entendendo o caos que enfrentaremos, concluímos que nossa contribuição pode salvar vidas”.

“A nós o mais fácil seria nos eximirmos de nossa responsabilidade junto a sociedade e suspender nosso auxílio, mas diante da manifestação pela manutenção de nosso apoio por parte de grande parte dos alunos e entendendo o caos que enfrentaremos, concluímos que nossa contribuição pode salvar vidas”.

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