Memórias do ex-diretor: 50 anos depois

Por Osvaldo Della Giustina, ex-diretor da FESSC e ex-reitor da Unisul

À época da formatura da 1ª Turma da faculdade de Ciências Econômicas do Sul de Santa Catarina, da Fundação Educacional do Sul de Santa Catarina (FESSC), hoje UNISUL, a autorização de funcionamento de cursos de nível superior de instituições criadas pelos municípios, era competência dos Conselhos Estaduais de Educação, enquanto que seu reconhecimento era feito pelo Conselho Federal de Educação. Este reconhecimento só poderia ser solicitado após a comprovação do funcionamento regular do curso por dois anos.

Nosso curso de Ciências Econômicas foi o segundo autorizado no interior de Santa Catarina. O primeiro, também de Economia, fora autorizado no ano anterior para Blumenau.

Quarenta candidatos foram aprovados no 1º vestibular e o curso iniciou com 41 acadêmicos e 5 professores: eu mesmo, Irineu Argemiro Brodbeck, Aroldo Silva, Fernando Marcondes de Mattos e Anastácio Katcips. O 41º acadêmico, título que soava como uma novidade e atribuía certo status na comunidade, era o Major Válmore Siqueira, comandante da Companhia do exército local, por já ser portador de outro título de nível superior. Havia também uma mulher, Darci Antunes Teixeira…

Desses, 31 concluíram o curso, tendo como paraninfo o Prof. Alcides Abreu que, além de ter sido o autor do parecer inicial que autorizou o início do Curso era um verdadeiro ícone no Estado nas áreas de economia e de planejamento, a quem Santa Catarina deve a principal concepção de seu modelo de desenvolvimento desconcentrado. Registro que o Prof. Alcides terminou seus dias como professor da Unisul. A turma sabia o que estava escolhendo.

A aprovação do Curso

O reconhecimento do Curso pelo Conselho Federal de Educação, só veio a acontecer cerca de dois meses após a formatura. Mas, nestes dois anos ocorridos desde o encaminhamento do respectivo processo, o Curso já tinha sido visitado por seu relator do processo, o Prof. Heitor Gurgulino de Souza, que se encantou com o que vinha sendo feito pelo curso “naquele fim do mundo” principalmente em termos de pesquisa e assessoria ao desenvolvimento regional. Aliás, o Prof. Heitor veio a ser posteriormente Reitor da Universidade nas Nações Unidas em Tóquio, alto assessor do Diretor Geral da Unesco em Paris. Homenageado pela Unisul na comemoração de seus 40 anos, é, ainda hoje, aos 85 anos, Secretário Executivo da União Internacional de Universidades e membro do Internacional Clube de Roma. Tenho a sensação que ele intuiu que aquele pequeno curso poderia ser a origem de uma grande universidade, como realmente foi: a nossa UNISUL.

Com a garantia do Relator de que o Curso seria aprovado e que eu poderia diplomar a 1ª Turma que estava por concluir o curso a formatura foi programada e realizada com “toda a pompa e circunstâncias” o que serviu também para confirmar a validade do Curso diante daqueles que ainda cultivavam alguma dúvida sobre sua validade.

Os três fatores

Se me perguntarem quais as características marcantes que marcaram o curso, eu citaria duas ou três.

  • A primeira, e isto se deve muito ao Prof. Fernando Marcondes de Mattos, posteriormente incorporador e Diretor-Presidente do empreendimento Costão do Santinho, que motivou na turma o interesse pela pesquisa e o desenvolvimento, interesse que veio a ser, e de certa forma continua sendo até hoje, uma das marcas da Universidade.
  • A segunda, o empreendedorismo, palavra, aliás, muito em voga hoje. Havia muitas iniciativas do curso, desde a campanha para doação de livros para o início da biblioteca, até a realização do I SACI (Salão do Comércio e da Indústria do Sul de Santa Catarina), provavelmente o primeiro evento de promoção da economia realizado na região. Mais de 50 expositores e mais de 20 mil visitantes, com shows de nível nacional, fizeram o sucesso do salão.
  • A terceira, o grande interesse demonstrado nas aulas e nas demais atividades desenvolvidas pelo curso. Boa parte da turma era de profissionais em diversos ramos de atividade:  professores, contadores, bancários, etc. Lembro que era frequente as aulas se prolongarem até meia noite e mais tarde, em debates, exposições, explicações, etc.

Bem, creio que a turma contribuiu bastante na definição de um alicerce firme e competente que que caracterizou a FESSC e se transformou numa tradição que, me permito dizer, até hoje significa um fundamento sólido da UNISUL.

Sei que nem todos estão presentes hoje, nessa comemoração. Cinquenta anos é muito tempo. Há dias recebi da memória privilegiada do Prof. João Jerônimo, um dos pioneiros do curso, seu professor no segundo ano e que viria a ser também seu coordenador, uma listagem da turma, anotando aqueles que já partiram para uma nova e eterna vida, e que merecem ser lembrados de modo muito especial neste momento. Também lembraremos dos que, como nós, em nossa longevidade, aplicamos de nossos conhecimentos, muito tido nessa venerável Instituição, em favor da construção de um mundo melhor.

COMPARTILHAR