Müller dá adeus no Dia da Bondade

Por Laudelino José Sardá, jornalista e professor da Unisul

O professor José Müller enxergava, com a sua obstinação pela região, as alternativas de soluções para o crescimento sustentável do Sul de Santa Catarina. E habituava-se a reiterar que não há como uma cidade crescer sem preocupar-se com a felicidade do cidadão. O turismo tornou-se a essência do seu argumento, por entender, como economista, que a conjugação das belezas naturais com as qualidades singulares da sua gente, deve tornar o mar, serra, águas termais, gastronomia, artesanato e outras exclusividades no conjunto de maior atração de visitantes do Brasil.

O primeiro reitor eleito, depois de ajudar a transformar a Fessc em uma Universidade, abraçou o magistério, como ele mesmo definia, “a minha paixão”. Conviveu com todos os segmentos da Instituição e até enfrentou a mais longa greve imposta por estudantes. Contudo, nunca deu trégua ao diálogo e alimentava discussões sobre a Universidade.

O professor exigente na inquietude do saber, construíra roteiros para o Sul energizar-se em busca de um desenvolvimento sustentável. Mas reconhecia que “a pedreira da política” era irremovível. Contudo, não hesitava em acentuar que “Tubarão é a minha referência de vida e não há Tubanhorô que me expulse daqui”. Müller e a cidade pareciam siameses. Henfil sabia definir bem a vida, que nos ajuda a interpretar Müller e Tubarão: “Felicidade é uma viagem, não um destino”. Müller viajava pela Cidade Azul com a imaginação de um dramaturgo. Tudo era possível sonhar, fantasiar na propensão do homem ao hipotético.

Müller faleceu justamente no Dia da Bondade. E seria possível adicionar outros adjetivos, como o da simplicidade, inteligência, amizade. A sua teimosia – como ele mesmo reconhecia – era o prazer de fumar e degustar uma boa bebida. E mesmo convalescendo de doença, defumava-se em sorrisos, com o silêncio habitual que sempre o inocentava.

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