Naufrágios contam a história e a importância do litoral sul catarinense

O litoral catarinense sempre teve grande importância para o desenvolvimento e economia do país. O Cabo de Santa Marta é um importante marco geográfico marítimo tanto hoje quanto nas grandes navegações. Por volta de 1502, segundo um mapa encontrado por arqueólogos do Grupep (Grupo de Pesquisa em Educação Patrimonial e Arqueologia), o local já era conhecido pelos navegadores. Inclusive, naquela época, o nome, Cabo de Santa Marta, já era utilizado.

Segundo o arqueólogo do Grupep, Alexandro Demathé, aproximadamente 72 naufrágios foram encontrados nesta região. “Ao sul do Brasil, o Cabo de Santa Marta se destaca. Ele é o último ponto que os navegadores tinham, e tem até hoje, de ancoradouro, até a Bacia do Rio da Prata. Ali é o último ponto de parada possível para estes navegadores”, esclarece. A última embarcação encontrada foi na Praia da Esplanada, sendo possivelmente um barco a vapor Alemão do fim do século 18.

A maioria dos naufrágios mapeados na região não são considerados trágicos. Os registros vão do século 16 até a década de 1970. A grande maioria das embarcações eram de carga, porém, há também nas descobertas, iates de passeio e barcos de passageiros. De acordo com Alexandro, as embarcações muitas vezes eram atingidas por ventos de leste muito fortes. “Nestas situações o barco acabava ficando à deriva, pois as pessoas perdiam o controle da direção. Esse tipo de vento traz as coisas do mar para a praia, e com isso muitas embarcações acabavam na praia, encalhadas”, explica.

Importância da arqueologia marítima

O Grupep trabalha há mais de 15 anos com patrimônio, preservação e difusão destes conhecimentos. A iniciativa de pesquisar sobre os naufrágios no Cabo de Santa Marta surgiu após os arqueólogos perceberem que havia um espaço em branco quando o assunto era o patrimônio arqueólogo subaquático.  “Não é só porque nos ajuda a contar uma história, mas, principalmente, um dos grandes objetivos é tentar rememorar este patrimônio marítimo que já tivemos um dia que hoje não temos mais. Tem um significado patrimonial para as pessoas que estão naquela comunidade, é a memória delas. E isso não podemos deixar acabar”, finaliza o arqueólogo.

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