Novembro Azul: câncer de próstata pode fazer mais de 68 mil vítimas em 2019

Quando o Instituto Nacional do Câncer (INCA) divulgou a estimativa de novos casos para este ano, apontou que seriam em torno de 68.220, um risco de 66 casos a cada 100 mil homens, nas regiões sul e sudeste que são consideradas as mais desenvolvidas do Brasil. Os números chamam a atenção, ainda mais pelo fato de a previsão se manter para 2019. Um em cada nove homens serão diagnosticados com câncer de próstata.

Entre os estados que apontam maior incidência de novos casos no próximo ano, a região Sul aparece em primeiro lugar, com mais de 67. Seguido da região centro-oeste com 63 mil e depois, a nordeste, 53 mil. Já a região norte, apresenta mais de 31 mil novos casos e a sudeste em torno de 29 mil.

Por que falar do câncer de próstata?

Embora nos estudos constem que a causa da morte entre os homens são ocasionadas por acidentes de trabalho, trânsito, violência, hipertensão, diabetes, fumo, obesidade sintomas urinários e mais por doenças crônicas do que as mulheres, o câncer de próstata também está entre as estimativas.

De acordo com o professor Flávio Lobo Heldwein, do curso de Medicina da Grande Florianópolis, o câncer próstata é o mais frequente entre os homens, fica em seguseg lugar, o primeiro é o câncer de pele nao-melanoma e o terceiro, o câncer de pulmão. “Por razões que ainda estão sendo estudadas, o risco de câncer de próstata é 70% maior em negros do que em brancos não-hispânicos e no Brasil, a incidência continua a crescer sendo que o sul do Brasil apresenta a maior incidência”, aponta.

Incidência do câncer de próstata

Nos anos 1990, a taxa de incidência de câncer de próstata cresceu em grande parte por causa do rastreamento generalizado com o exame de sangue chamado antígeno prostático específico (PSA). Entretanto, nos últimos anos as taxas diminuíram em 4,0% ao ano (Dados da ACS).

Mais comum entre os homens na faixa dos 50 anos, também pode ser diagnosticado antes, por isso, os órgãos de saúde recomendam o diagnóstico precoce. “Por exemplo, a American Cancer Society sugere que a partir dos 50 anos sejam realizados os exames para que tenham uma expectativa de vida de pelo menos 10 anos. Deve-se levar em consideração que o alto risco de desenvolver câncer de próstata não só os homens negros ou com algum parente próximo, seja irmão, pai ou tio já diagnosticado com câncer de próstata antes dos 65 anos e, devem ter esta discussão começando aos 45 anos. Até aos 40 anos, existe evidência que o exame do PSA pode servir como comparativo e tem valor de predizer se o homem tem um risco maior de desenvolver e morrer de câncer de próstata”, explica o professor Flávio.

Quais os sintomas do câncer de próstata?

O câncer de próstata não apresenta sintomas no estágio inicial cientificamente comprovados, no entanto, quando avançado pode causar: micção frequente, fluxo urinário fraco ou interrompido, vontade de urinar principalmente durante a noite, sangue na urina ou no líquido seminal, disfunção erétil, fraqueza ou dormência nas pernas ou nos pés, dor costas, coxas, ombros ou outros ossos se a doença se disseminou.

Com o avanço da medicina, exame de toque retal já não é mais necessário, atualmente, o câncer de próstata pode ser detectado através do exame PSA. Embora o exame de toque, motivo de preconceito, ainda seja solicitado por ser mais rápido e barato. Entretanto, na consulta, vale a conversa com o profissional para avaliar o caso especificamente.

 O que é PSA?

O Prostate-Specific Antigens, ou antígenos específicos da próstata (traduzido para o português), é um exame de sangue, solicitado ainda no início das investigações médicas, para detectar precocemente casos de câncer de próstata e outras condições, como a hiperplasia prostática benigna e a prostatite. Outros exames complementam o diagnóstico, como o toque retal. Esta tecnologia ampliou o acesso aos tratamentos e diagnósticos aqui no Brasil.

 Como é feito o teste PSA?

Para o exame, uma amostra de sangue é coletada e enviada ao laboratório para análise. É comum que o médico solicite o PSA total e há casos em que também requisitem o PSA livre, ou seja, a quantidade que não está ligada à nenhuma proteína, se houver alterações nos resultados.

Tratamento do câncer de próstata

O professor Flávio ressalta que várias características individuais e da doença devem sempre ser consideradas. “Na doença localizada, dependendo da faixa etária e expectativa de vida do homem, existe 3 opções terapêuticas que podem ser oferecidas. Geralmente, câncer de próstata GRAU 1 (classificados como baixo risco), diagnosticados com tamanho muito reduzido, inicial, são os que apresentam melhores resultados a longo-prazo. Para tumores mais agressivos, devemos, da mesma forma ser mais agressivos, objetivando a cura. As opções de tratamento incluem cirurgia (aberta, laparoscópica ou robótica assistida), a radiação externa, ou implantes de sementes radioactivas (braquiterapia) e estratégias como crioterapia e HIFU. Quanto a doença é metastática o tratamento pode ser com quimioterapia e/ou hormonioterapia A terapia hormonal pode ser utilizada, em associação com a radioterapia”.

O seguimento ativo, sem necessidade de tratamento definitivo de imediato, é uma estratégia com excelente sobrevida em estudos de até 15 anos. Porém, a seleção adequada e criteriosa dos pacientes é essencial.  “Apesar das altas taxas de sobrevida após os tratamentos, portanto, excelentes resultados oncológicos, os resultados, dito, funcionais apresentam efeitos colaterais ou complicações. Tanto a radioterapia quanto a cirurgia podem resultar em dificuldades urinárias e de ereção, que podem ser por apenas um período ou definitivos. O tratamento hormonal pode controlar câncer de próstata avançado por longos períodos de anos. A quimioterapia pode prolongar a sobrevivência. Em casos mais avançados, onde o câncer continua a progredir e não responde mais aos hormônios, existe a vacina contra o câncer. Outros tipos de medicamentos podem ser usados ​​quando o câncer compromete os ossos”, explica o Professor.

Atualmente, a sobrevivência câncer específica em 5 anos é 99%. Em 10 e 15 anos, as taxas de sobrevivência relativa são de 98% e 95%, respectivamente.

Prevenir o câncer de próstata ainda é a melhor solução

Por ser mais frequente entre os homens, é necessário considerar que no estágio inicial não apresenta sintomas. Mas quando realizado o trabalho de prevenção, possibilita aumentar a expectativa de vida. “Os homens muito idosos ou muito doentes não precisam mais fazer o PSA. Só que se o homem tiver sintomas urinários, tais como acordar entre duas ou mais a noite deve procurar um urologista para investigar independentemente da idade. Hoje, a recomendação principal se refere a homens entre 50 e 69 anos. Porém, considerando uma expectativa de vida de 15 anos, por exemplo, um homem de 50 anos deve fazer PSA de 2/2 anos, se saudáveis”, afirma o professor Flávio.

Curso de Medicina da Unisul

COMPARTILHAR