O jornalismo e a falsa notícia

Os alunos da 6ª fase de Jornalismo, da unidade Pedra Branca, que promovem, nesta segunda e terça-feira o COMUNISUL Pocket, produziram textos sobre a sua visão de notícias falsas que contaminam as redes sociais. Qual o papel do jornalista no desafio de ajudar construir informação pautada na veracidade dos acontecimentos? Como fugir ao fake News? Abaixo, a opinião de cada um dos alunos:

Fake news e ansiedade: o que tem a ver?
Mariana Lemos Molina

Acompanhe a seguinte situação: você está passando tempo na barra de rolagem do facebook, quando vê uma manchete de jornal online com fotos de catástrofe. O que você faz? É muito comum atualmente que as pessoas compartilhem as notícias sem ao menos abri-las, como podemos observar na entrevista da Extra Globo, em que a neuropsicóloga Samara Ribeiro afirma que fake news atingem a área de tomada de decisão do cérebro.

Fake news têm como principal característica de, além de serem mentirosas, manchetes tendenciosas e títulos duvidosos, causar impacto no leitor. Analisando este tipo de ação, podemos relacionar com mentes ansiosas, muito comuns no mundo online. Estamos cada vez mais acelerados e sem tempo para dar devida atenção às coisas que sentimos, compartilhamos e escrevemos.

Claro que não podemos generalizar, mas a internet tem muita influência em relação à sociedade. Postamos, compartilhamos e curtimos diariamente fotos que esboçam sorrisos, riqueza e beleza, fazendo com que estejamos sempre em busca daquilo que, muitas vezes, não é real.

Por isso estão cada vez mais comuns os compartilhamentos de notícias falsas, que conseguem chocar muito facilmente alguém que está, de certa forma, desprevenido sem se preocupar em ler a notícia completa, gerando assim cliques e compartilhamentos de sites e jornais normalmente pequenos, com pouca popularidade.

A verdade em tempos de fake news
Kerolaine M. Cruz

No momento em que o mundo digital perde o controle sobre fake News, torna-se oportuno lembrar uma frase do grande filósofo Friedrich Nietzsche: “Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas”. As notícias que se consomem diariamente nas redes sociais podem ser aceitas como verdades absolutas, ou é inevitável buscar outras fontes para a sua validação?

Acreditar em tudo que está à disposição na internet, não deveria sequer ser opção. A indústria rápida e instantânea da notícia tornou os jornais incompletos e repetitivos. Matérias pouco aprofundadas, de assuntos que se repetem por dias sem que ninguém tenha um insight para contar o que está por trás do tal assunto ou uma visão diferenciada do mesmo.

O jornal se tornou chato e monótono, o que facilita aos consumidores de informação se sentirem atraídos por fake news, que tem títulos sensacionalistas, textos sem fontes, mas que muito se assemelha ao jornalismo, até mesmo carregado de emoção.

Fake news é produzida para chamar a atenção, nada mais, e não traz fatos verdadeiros, não acrescenta à sociedade e gera ruído em meio às notícias reais. Em contrapartida, o jornalismo não reage de maneira satisfatória, não busca de inovação e esquece que a internet e o local ideal para notícias curtas e não para falta de aprofundamento e pesquisa.

O Jornalismo precisa de pesquisa, de fontes e de informação, isso é a matéria prima para um trabalho de qualidade e depois de coletar um mundo de conhecimento cabe ao jornalista o papel de compactar a informação e veicula-la, deixando ao famintos por informação algo de qualidade para ser devorado. E aos leitores deixo mais uma frase importante, está do filósofo Aristóteles “A dúvida é o princípio da sabedoria”, então nunca esqueça de questionar.

Fake News: uma novidade?
Pâmela Weingärtner

Fake news, o assunto do momento, mas será que é uma novidade? As notícias falsas sempre existiram, porém só agora viraram um assunto que se tornou mais fácil de ser desmentido. Hoje em dia, a informação está em nossas mãos. Com isso somos bombardeados com notícias verdadeiras e falsas. Vai de cada um prestar atenção no que está sendo compartilhado.

Antigamente já existia Fake New. Ela era mais difícil de ser descoberta; precisava de um tempo maior de apuração. Hoje, com a internet, ficou muito mais fácil divulgar uma notícia falsa, mas também tornou mais rápido a apuração da verdade ou falsidade. E ainda dispomos de artigos que alertam sobre a Fake News e explicam como identificá-la

Mas não podemos esquecer do papel do jornalista nisso, até porque muitos acabam publicando notícias falsas. Usam a desculpa de que precisam entregar a pauta e acabam não apurando corretamente a notícia. Porém, acredito na teoria de que mais vale atrasar uma pauta do que publicar uma inverdade por falta de apuração. Não podemos cair na falsa teoria de que se uma fonte disse é porque é verdade. O jornalista tem a obrigação de duvidar de todas as fontes.

O jornalista precisa ser refém da verdade
Marina Petinelli

Mais de 12 milhões de pessoas compartilham informações falsas, ou seja, fake news, em seus perfis de redes sociais. É o que foi apontado pelo levantamento realizado pelo Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação da Universidade de São Paulo. E é fato o quanto informações nas redes sociais viralizam, podendo causar alienação em massa.

E o que mais assusta é o papel do jornalista em meio a todo esse caos da desinformação, onde inclusive grandes veículos acabam se perdendo no grande fluxo de informações, principalmente online. Falando nisso, as grandes transformações da internet acabaram também alterando a forma de se fazer jornalismo, nos inserindo em um mundo onde precisamos trabalhar contra um tempo muito curto, tendo que escolher aspectos importantes da profissão para deixarmos de lado ou serem feitos de forma superficial. E muitos acabam escolhendo a apuração. Ou seja, a mesma internet que poderia facilitar nosso trabalho, nos fazer ganhar tempo, oferecendo acesso a uma série de documentos, fontes e dados que antes demandariam muito tempo de pesquisa, acaba, na verdade, causando um recuo na profissão, ou melhor, no modo de se fazer jornalismo.

O que vemos como consequência da falta de tempo é um jornalismo que tenta, de forma frustrante, competir com a rapidez das redes sociais, gerando não apenas notícias falsas, mas informações não checadas que, misturadas com fatos verídicos, acabam causando a alienação e a dificuldade na disseminação da verdade.. Tanto como futura jornalista ou consumidora da informação, torna-se difícil eu saber por onde se guiar e encontrar a informação correta, através de um veículo que passe a confiança e credibilidade que tanto precisamos na informação.

O desafio de fugir da fake news
Laura Fontana Bohn

“Mãe, isso é fake news!” Talvez essa tenha sido a frase mais repetida quando minha mãe me mostrava mensagens ou notícia que ela recebia lia na internet. A fake news, notícia falsa que circula nos meios de comunicação, sempre existiu, mas agora é mais frequente encontrar e mais fácil distribuir. Isso, porque a maioria das pessoas compartilha as notícias, mensagens, vídeos, imagens, mais facilmente, e ainda não busca saber se aquilo é realmente verdade.

Grupos de família são um dos meios mais fáceis de encontrar a fake news, oriunda também de pessoas em que confiamos. E nessa relação, fica difícil de não acreditar. Nas redes sociais, em que se compartilha a informação normalmente, não é comum ler apenas o título da matéria. E muitas vezes inexiste a matéria.

Com isso, como futuros comunicadores, temos que nos preocupar no sentido de evitar quaisquer riscos que possam afetar nosso trabalho. Textos pesquisa e apuração estão frequentes em jornais, televisão, rádio e internet. Pautas que não exploradas, que ficam até superficiais, sem senso crítico e apenas uma reprodução de uma informação e dados estão muito comuns. Assim, fica mais difícil descobrir se aquilo que o amigo “postou” no Facebook é verdade, porque você não sente que foi alguém que realmente pesquisou e se dedicou ao trabalho.

Se o leitor não consegue diferenciar o real da falsa notícia e não provocar questionamento, com certeza o risco é iminente.

A oportunidade é agora
Wellinton Oliveira Heinz

Ao tentar recordar de um jornalismo não tão distante, sem uma tecnologia tão avançada, com uma competição não de segundos, mas de edição do próximo dia, concluímos que os jornalistas tinham mais tempo para checar informações até o fechamento da edição.

Hoje, temos vários sites de “notícias” com fontes duvidosas e informantes duvidosos. E, assim, a fake news se propaga na internet, nas redes sociais, nos grupos de whatsapp, favorecendo pessoa ou grupo na difusão de temas ao sete ventos, comprometendo pessoas ou favorecendo outras.

Nesse cenário, os jornalista, que deveriam ser fontes de muita confiança, passam pelo mal do século — o ctrl C ctrl V —, de pegar informações de outros lugares e fazer um grande remendo de informações, preferindo basear-se em terceiros fugindo ao exercício do seu verdadeiro papel, de ir atrás das fontes e de fatos.

Vemos vários veículos, inclusive de destaque no ranking das empresas de comunicação brasileira, cometendo erros graves, promovendo a fake News, como se não lhes coubesse o compromisso com a verdade. Chegamos ao ponto de o povo não acreditar nos meios tradicionais de comunicação, porque o que predomina é a dúvida: “eu acho que…. ou, na minha opinião”.

O jornalista, na atual conjuntura, encontra-se em um momento oportuno de se impor na sociedade, de resgatar a sua confiança da sociedade. Mas como? Mostrando em seu trabalho a seriedade, os fatos e a exclusividade. Mas isso só será possível se deixar o jornalismo de ser preguiçoso e de recuperar o papel valiosos e necessário de apurar a informação, comprovar causas e mergulhar na pesquisa.

Por trás das fakes news
Maria Luiza de Sousa

As notícias falsas circulam nas mídias digitais em grandes proporções, compactuando com o pensamento de um grupo de pessoas. O compartilhamento deste tipo de informação é considerável, o que revela preocupante quantidade de internautas sem compromisso com a veracidade.

O jornalista, considerado o gestor da informação nas mídias tradicionais, hoje se perde entre os internautas e vê abalada a sua credibilidade na era digital. E uma pergunta torna-se corriqueira: afinal qual o papel do jornalista no combate às notícias falsas?

Em primeiro lugar, os profissionais da área de comunicação precisam sair da comodidade e ir atrás de fontes, dados, estatísticas, pessoalmente. Uma ligação facilita muito a vida, mas uma conversa olhando nos olhos do entrevistado é muito mais rica, permitindo-o entender muito mais do que simples palavras.

No momento em que o jornalista começar a ter paciência e deixar de se contagiar pela velocidade desmedida da internet, terá mais tempo para ver o outro lado da história e, com isso, ajudará a desvendar os mistérios por trás das fakes news. É preciso se impor nas mídias com argumentos bem construtivos para, aos poucos, voltar a ser uma fonte confiável à sociedade, inclusive dos próprios usuários da internet, que estão à procura de uma referência à verdade dos fatos e análises.

Sou fonte de fake news?
Maria Gonçalves de Carvalho

Você já parou para pensar de onde vêm as informações que recebe diariamente? E para observar que tipo de informação lhe é enviada e por quais canais? Ora, hoje vivemos em um mundo totalmente tecnológico, onde milhares de dados e informações se espalham em questão de minutos, oriundos de todos os lugares e de canais possíveis, seja de jornais impressos, televisão, colunas, blogs ou redes sociais.

Com o advento das redes sociais, as Fake News começaram a aparecer quase que rotineiramente na vida de todos e, consequentemente, tornaram-se o tema mais comentado dos últimos anos. Mas, aí você me pergunta, como saber se uma notícia é verdadeira ou falsa? Quais os elementos que posso identificar na matéria ou na informação que me fazem ter certeza de que ela é uma fake news?

Sei que na maioria das vezes que ouvimos ou vemos uma matéria ou informação a respeito de determinado assunto, não vamos a fundo para sabermos de onde vem aquela informação, se o site que a publicou é confiável. Um dos caminhos para combater a disseminação dessas notícias falsas é, sobretudo, a educação, transparência e o exercício de checar os fatos, antes de postar, comentar e repassar essas informações.

A fake News é a nossa própria consciência; é o nosso compromisso com a reciprocidade de confiança em uma sociedade que precisa alimentar-se da verdade e da ética de cada um de seus habitantes.

 

 

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