Outubro Rosa: a doença também pode estar na imagem da doença

Quem descobre o câncer de mama passa por muitos questionamentos e sabe que terá que lidar com muitos desafios. Um deles, que impacta muito mais as mulheres, é a questão estética. Foi pensando nessa situação que a professora do curso de Estética e Cosmética da Unisul, Raíssa Beatriz Bússolo Capeler, realizou uma pesquisa sobre como “a doença pode estar na imagem da doença”.

Ela esclarece que pacientes submetidos a mastectomia e seus familiares sofrem com o fato de que a atração pela beleza faz parte da condição humana e ela proporciona prazer, bem-estar e harmonia. “A sociedade em que vivemos dita as regras de tendência, estilo e beleza. A mídia nos faz acreditar que podemos utilizar medicamentos e próteses de forma indiscriminada com o objetivo de alcançar o ‘corpo perfeito’”, explica a professora.

Sensação de normalidade

A micropigmentação da auréola do seio pode ser uma alternativa para trazer volta a sensação de pertencimento e normalidade para os pacientes que passaram por uma mastectomia. A reconstrução da imagem do seio pode aumentar a autoestima das pacientes, principalmente as mulheres, que tem essa parte do corpo como símbolo de feminilidade e sexualidade.

A prática é recomendada em qualquer caso em que a auréola não foi preservada. Os cuidados são semelhantes aos de qualquer tatuagem. Apenas pacientes autorizados pelos médicos podem submeter-se a essa técnica.

Reconhecimento

Segundo a professora, a queixa mais frequente dos pacientes é a falta de reconhecimento do próprio corpo. “O estranhamento de um corpo que passa a ser um corpo abjeto. O abjeto é a noção de que o monstro é algo ameaçador a nossa integridade. É o outro com a capacidade de perturbar o conhecimento que eu tenho de mim mesmo e da minha imagem por meio da imagem repugnante de uma nova estética corporal”, esclarece Raíssa Beatriz.

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