“Para ser magistrado, precisa ter vocação”, diz Juiz Federal

Os estudantes de Direito devem escolher as áreas de atuação baseados na vocação pessoal e não pela remuneração. É o que alerta o juiz federal, da vara de Marabá (Pará), Dr. Marcelo Honorato. De acordo com o Juiz, muitas pessoas escolhem um concurso baseadas no salário, na estabilidade financeira, só que nem sempre as satisfações materiais vão conseguir dar uma estabilidade emocional e um sentimento de que a pessoa está contribuindo com a sociedade.

“Embora a área de magistratura possa dar uma certa tranquilidade financeira no dia a dia, é muito importante que a pessoa realmente tenha vocação para o cargo, pois existem aspectos da vida do juiz federal que exigem preparo para enfrentar. O candidato tem que refletir sobre a sua disponibilidade em encarar desafios e também deve ter perfil de quem não gosta muito de aparecer, que faz um trabalho silencioso, que tenha uma vida em sociedade mais recatada. Eu acredito que antes de trabalhar como Juiz, o melhor caminho seja atuar como advogado da União, ou como procurador federal, ou até mesmo como advogado, para poder avaliar melhor se é esse o caminho que gostaria de trabalhar. E, se eu pudesse dar um conselho para aqueles que vão trabalhar na área federal, é cuidar da sua integridade profissional e ética”, ressalta o Dr. Honorato.

O Juiz, ainda, citou algumas áreas dentro do Direito que estão em crescimento. Uma delas é a área do Direito Digital. Para ele, a primeira questão é a prática operacional, pois todos os processos estão sendo digitalizados no Brasil. “É um caminho sem volta a digitalização e a informatização dos processos judiciais. No Brasil, foi adotado o PJE (Processo Judicial Eletrônico) e eu tenho observado a dificuldade de operação desse sistema, não só pela limitação material que existe e de infraestrutura do sistema público, mas uma dificuldade dos operadores do direito, em especial dos advogados. Muitas vezes, o advogado tem conhecimento do direito processual, do direito material em si, sabe defender o direito do cliente, no entanto tem uma dificuldade muito grande com essa interface com os sistemas informatizados. Tudo está sendo informatizado, primeiro passo foi a digitalização dos processos, pela diminuição do papel, agora tudo está sendo operado desde o início de forma digital. O profissional tem que saber incluir o documento, direcionar as petições para o juiz de forma correta”, alerta.

Segundo o Dr. Honorato, atualmente, a operação dos sistemas de informática para o profissional do direito é uma questão essencial. “O direito digital é uma matéria nova que a gente encontra poucas universidades estudando, bem como outras questões como danos morais, crimes que ocorrem na internet, direitos autorais. Um campo muito grande e que precisa ser abordado nas universidades. Hoje em dia são poucas as justiças que ainda tem processo físico. O processo informatizado é uma realidade e se ele não conseguir se adaptar a isso, não vai conseguir atender aos anseios dos clientes. Por isso, existe a necessidade do profissional do direito se atualizar, para a própria sobrevivência no mercado de trabalho”.

Outra área promissora, de acordo com o Juiz, e que ainda pode ser explorada, é o direito aeronáutico, que trabalha com as questões de defesa dos consumidores, indenização de passageiros, problemas com companhia aérea, danos morais, dentre outras. Ou ainda com Direito Administrativo que trabalha assessorando as empresas aéreas ou taxis aéreos na concessão de serviços públicos, no contato com a agencia reguladora, infrações aeronáuticas, multas. E o Direito Criminal uma área essencialmente federal que atua nos casos de acidente aeronáutico.

O Juiz federal, Dr. Marcelo Honorato, esteve em Florianópolis para participar de um evento que foi organizado pelo curso de Especialização em Gestão e Direito Aeronáutico do Campus UnisulVirtual e pelo curso de Direito da Pedra Branca na Unisul, no dia 17 de outubro. Na mesma semana visitou a Universidade, atendendo uma demanda da Base Aérea. Ele visitou as dependências do campus Grande Florianópolis, onde foi recebido pelo diretor do campus, professor Zacaria Nassar, e pela coordenadora do curso de Direito Unidade Pedra Branca, professora Virginia Lopes Rosa.

“Foi uma satisfação receber o juiz federal, Dr. Marcelo Honorato na Unisul. Estudioso do Direito aeronáutico, nos brindou com uma excelente palestra proferida no Seminário de Direito aplicado à aviação, ocorrida esse mês, em uma parceria com a Base Aérea de Florianópolis e o curso de Direito, unidade Pedra Branca. Direito e aviação se unem para pensar e pesquisar resoluções nessa área do conhecimento. União que tende a crescer, ante as várias demandas do mercado aeronáutico”, comenta a professora Virginia Lopes.

O Dr. Marcelo Honorato exerceu, por mais de duas décadas, a profissão de aviador e de investigador de acidentes aeronáuticos pela Força Aérea Brasileira. É autor da obra “Crimes aeronáuticos (Ed. Lumen), com enfoque criminal de condutas relacionadas à aviação. Desde 2015, exerce o cargo de juiz federal, na vara de Marabá (Pará).

Na foto: Da esquerda para a direita: professor Zacaria Nassar, professora Virgínia Lopes, Dr. Marcelo Honorato e o professor Adriano Martendal.

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