Pesquisa na área dos canabinóides gera grande impacto científico

O canabidiol (CBD), constituinte derivado da Cannabis, pode ser uma alternativa terapêutica promissora para quem sofre de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), foi o que descobriu um pesquisador da Unisul, professor Rafael Mariano de Bitencourt, em um trabalho publicado na revista European Neuropsychopharmacology há 11 anos.  

Na ocasião, quando o professor ainda era aluno de doutorado na UFSC, este foi o primeiro trabalho a mostrar que o CBD poderia facilitar a extinção de memórias aversivas em ratos e, portanto, com potencial a ser utilizado no tratamento do TEPT, condição de difícil abordagem farmacológica. Este trabalho, hoje, conta com quase 200 citações em diversas revistas internacionais.

Revisão da Pesquisa

No ano passado, o professor Rafael, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Unisul, publicou uma revisão na revista Frontiers in Neuroscience. O professor mostrou qual é a situação científica atual em relação a esta descoberta, desde o seu primeiro estudo em animal, no ano de 2008, até as últimas evidências com resultados em seres humanos. “Em dez anos muita coisa aconteceu, ocorreram outros estudos em animais reforçando este achado e surgiram também os primeiros estudos em humanos, confirmando o potencial do CBD no TEPT, comenta Rafael”.

Esta última publicação, assim como a primeira, teve um bom impacto na comunidade científica. Está em segundo lugar dentre os artigos mais acessados da respectiva edição (mais de 46 mil acessos e 2 mil downloads). O feito ganha ainda mais notoriedade pelo fato de que a edição mencionada “Cannabinoid Therapeutics: What’s Hot” está entre as dez finalistas do prêmio “Spotlight Award”, que elege as edições de maior destaque de toda a rede Frontiers.

“É bastante satisfatório ver que um trabalho feito aqui na universidade, muitas vezes de forma quase anônima, porém com bastante dedicação e carinho, pode sim impactar de uma maneira bastante relevante na construção do conhecimento científico, sobretudo no que diz respeito à possibilidade do uso terapêutico dos canabinóides, a qual tem enorme potencial e precisa ser difundido”, conclui Rafael.

COMPARTILHAR