Pesquisadores preparados para conquistar fundos internacionais

O Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde (PPGCS) tem atraído fomentos externos de diferentes fontes nacionais e internacionais. Ao longo da última semana, entre os dias 8 e 10 de março, os alunos pesquisadores da Unisul e da UFSC puderam imergir na língua inglesa no Workshop Desenvolvimento de Habilidades em Comunicação Científica. A atividade integra as ações do curso oferecido pelo Newton Fund Professional Development & Engagement.

O Fundo Newton pretende criar entre o Reino Unido e Brasil, apoio em pesquisa e inovação de relevância direta para o desenvolvimento social e econômico do país. A professora da Universidade de Birmingham, Flávia Rodrigues, representante do Conselho Britânico, expressou sua gratidão pelo comprometimento dos participantes. “Eu não tenho medo nenhum de te falar que de longe foi a melhor turma desse Programa que a gente faz desde 2014. Foi a melhor em termos de dedicação, de profundidade nos exercícios e de troca. É bastante difícil pegar pessoas de áreas diferentes, que nunca se viram, e eles ficarem engajados em 100% das atividades. Então a gente como treinador está bastante contente com o envolvimento e acreditamos que eles vão levar isso para frente”, parabeniza.

Alunos de Mestrado, Doutorado, professores e gestores da Unisul participaram do evento. A professora do curso de Gestão da Tecnologia da Informação, Ana Luisa Mulbert, considerou as dinâmicas superinteressantes porque foi uma oportunidade para trocar ideias com pessoas de outras áreas e ampliar a visão da comunicação na pesquisa. “O inglês também avançou porque a gente aqui tem que sair da zona de conforto. Cheguei insegura, fazia tempo que não praticava, mas as professoras criaram muitas oportunidades para gente ir se aquecendo, se adaptando e superando os seus próprios medos”, revela Ana Luisa. A atividade que encerrou o Worshop tratou da submissão de projetos para a arrecadação de fundos internacionais para pesquisas. “Agora tenho mais ideias e confiança maior para perceber as oportunidades que estão a nossa disposição mais claramente”, completa.

O médico e mestre em Administração Pública, Leandro Pereira Garcia, é aluno do Doutorado em Saúde da Unisul. Ele pesquisa inicialmente as desigualdades em saúde, as iniquidades. “Acho que foi uma grande oportunidade para desenvolvermos o nosso inglês. Não temos muitas oportunidades no nosso ambiente de trabalho, então o que o programa está oportunizando para gente tem sido fantástico”, avalia. Além de destacar do inglês, ele destaca a questão da comunicação cientifica. “As professora Flavia e Marly nos apresentaram como se escreve um artigo ou uma proposta para captação de recursos. Então como a maioria das revistas de alto impacto ou dos fundos que a gente tem hoje se comunicam em inglês, elas conseguem casar essas duas coisas o inglês com a comunicação apropriada da parte cientifica”, complementa.

Entre os representes da UFSC esteve a professora da área de Saúde Pública, do curso de Fisioterapia, Ione Schneider. Ela mantém parceria com o PPGCS da Unisul por intermédio do coordenador Jefferson Traebert e destacou a atividade do último módulo do Workshop. “Foi uma grande oportunidade de mostrar outra visão, de como as propostas deles são estruturadas e elaboradas, porque é muito diferente do que a gente acaba fazendo no Brasil. Assim vamos melhorando para conseguir submeter projetos, porque é muito fácil submeter, mas é muito fácil ter as propostas rejeitadas”, projeta.

Os fundos para desenvolver projetos acadêmicos estão disponíveis pelo mundo e a professora Marly D’Amaro Blasques Tooge, da USP, propôs algumas discussões para fazer propostas mais persuasivas. “Para finalizar o curso fizemos uma apresentação sobre o Fundo Newton que é quem financia parte desse programa. O Fundo já cobre quatro modalidades importantes que os alunos da Unisul podem explorar”, diz a professora representante do Conselho Britânico.

Atividades

A sala de aula da Unidade Pedra Branca em que o Workshop foi oferecido ficou repleta de cartazes produzidos pelos participantes. “Esse rabiscar é fruto do que a gente foi fazendo. Fomos colocando nas paredes para que eles sintam realmente, para que eles vejam, para que seja palpável o esforço que eles colocaram nesses três dias”, contextualiza Flávia Rodrigues. O professor de Bioquímica do PPGCS, Maicon Roberto Kviecinski, afirma que o curso do programa Researcher Connect é muito proativo. “Muito bom, realmente para provocar a conversação num tema que interessa, que é a comunicação na área da pesquisa”.

O nível de inglês foi um dos destaques da professora Marly em relação aos pesquisadores da Unisul e da UFSC. “Eu e a Flávia estávamos conversando e foi uma das turmas onde nós conseguimos fazer praticamente todas as atividades planejadas, sem perder nada de conteúdo, mas porque a turma ajudou muito. Eles são muito eficientes, rápidos, tem uma agilidade de pensamento e tem uma iniciativa muito grande”, parabeniza.dsc_2282

As duas professoras responsáveis pela intervenção do programa Researcher Connect na Unisul trabalham a comunicação científica. “Nessa atividade final, por exemplo, a gente trabalhou persuasão. Na outra parede, a gente trabalhou as partes do resumo, do abstract. Então foi uma parte mais escrita que é outro tipo de comunicação. Aqui a gente fez uma competição que serviu de revisão dos dias anteriores. Aqui algumas dicas que a gente deu de escrita, elementos que são fundamentais para escrita, tem bastante coisa ai”, explica Flávia.dsc_2284

A edição 2016 do Programa que conta com recursos do Fundo Newton e da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) terminará em poucas semanas. “A gente tem mais workshops no Piauí, está acontecendo o de Goiás também agora, com outros treinadores, porque somos cinco. E temos eu e a Marly há duas semanas outro no Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, que será o último”, comenta. Em abril será aberta outra chamada e o resultado é divulgado em agosto. “Aí será mais um ano com cerca de trinta workshops”, projeta Flavia.
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