PPGCS da Unisul traz reflexão sobre a evolução da saúde no Brasil

O Dia Nacional da Saúde é comemorado em 5 de agosto, data escolhida para homenagear o médico sanitarista Oswaldo Cruz. Nascido em 1872, foi pioneiro no estudo das moléstias tropicais e estudos experimentais. Dentre seus feitos destacam-se o controle da varíola e febre amarela, além de decretar a vacinação obrigatória. Essas ações que causaram revolta na população, hoje são medidas sanitárias mundialmente reconhecidas como eficazes e que salvaram milhares de vidas.

E como a saúde evoluiu no Brasil até os dias atuais?

O fenômeno de transição epidemiológica ocorrido no Brasil e no mundo, iniciado nos anos de 1970, caracterizou-se pelas modificações a longo prazo dos padrões de morbidade e mortalidade. Anteriormente, tinha-se um perfil de alta mortalidade por doenças infecciosas que se modificou para o perfil atual de maior prevalência de óbitos por doenças cardiovasculares, neoplasias, causas externas e outras doenças consideradas crônico-degenerativas. Isto se deve a melhoria das condições sanitárias, diminuição das taxas de mortalidade geral e mortalidade infantil, com aumento da expectativa de vida da população. Além disso, a redução nas taxas de fecundidade e natalidade tem modificado a pirâmide etária, com aumento da população idosa.

Entretanto, isso não significa melhor qualidade de vida ou uma vida mais saudável. As inovações tecnológicas em diversas áreas trazem consigo um impacto negativo na saúde da população: o aumento da obesidade mundial – resultado do sedentarismo e ingestão de alimentos com alto teor calórico; estresse; uso de álcool, cigarros e consumo de drogas ilícitas; aumento de incidentes por causas externas (como violência e acidentes de trânsito); além de outros que são responsáveis por boa parte das doenças, incapacidades e mortalidade populacional na sociedade moderna. O emprego de produtos químicos na fabricação de diversos dispositivos, inclusive na alimentação, está sendo associado a diversas neoplasias e processos alérgicos. Simultaneamente, as pessoas estão cada vez mais distanciadas uma das outras, sendo um paradoxo à globalização e interatividade digital, culminando em diversos transtornos mentais, tal qual a depressão.

Na tentativa de tratar doenças ou sintomas decorrentes dos problemas citados, a população recorre ao uso de medicamentos. Apesar da crise econômica, a estimativa deste ano é que o Brasil seja o 4º país em maior consumo de medicamentos, perdendo apenas para Estados Unidos, China e Japão. Processo denominada medicalização da vida.

 

Na contramão deste cenário que parece ser pessimista, temos que ter um outro olhar: nossa sociedade está cada vez mais discutindo sobre saúde. O acesso à informação permite maior educação em saúde e propõe mudanças positivas.

Se por um lado o número de doenças parece aumentar, isso pode significar um melhor diagnóstico, por vezes precoce, o que permite as intervenções necessárias para a resolução dos problemas detectados. As pessoas buscam mais por atendimentos, pela resolução dos seus problemas, e essa preocupação revela uma sociedade mais preocupada e proativa.

Cada vez mais observamos o engajamento nas práticas desportivas e a procura por alimentos funcionais. Profissionais de saúde e as políticas governamentais buscam burocratizar o acesso a medicamentos, e investem em melhorias em diversos segmentos. Temos utilizado a pesquisa e a inovação na busca de uma saúde melhor.

Portanto, podemos sim listar os problemas, mas também podemos escolher olhar o lado bom da saúde brasileira.

Nosso país conseguiu erradicar a poliomielite e outras doenças infecciosas com cobertura vacinal em grande escala. Criamos o soro caseiro que salvou milhares de crianças da desidratação. Temos um ecossistema privilegiado, e diariamente cientistas brasileiros descobrem novas moléculas que podem ser utilizadas que podem auxiliar em tratamentos de saúde. Somos um país exemplo no mundo no atendimento a pessoas que vivem com HIV/Aids. O Sistema Único de Saúde, com todos os seus percalços, garante o atendimento integral a qualquer indivíduo, diferentemente de boa parte dos países desenvolvidos, e tem grandes vitórias ao longo dos seus quase 30 anos de existência. Ademais, os indicadores de saúde revelam um cenário mais favorável do que no passado.

Uma das inovações em saúde pública está sendo o desenvolvimento de equipes que trabalham com práticas integrativas em saúde, cuja ênfase será na prevenção de doenças.

No Dia Nacional da Saúde, o que podemos refletir e fazer, mais do que criticar, é nos engajarmos em um estilo de vida saudável, individual e coletivamente. A receita já é conhecida, basta colocá-la em prática: dieta adequada com baixo teor lipídico e de produtos industrializados, reduzir a ingestão de sal e álcool, tomar muita água; cessação do tabagismo; praticar exercício físico, no mínimo 30 minutos por 5 vezes na semana ou mais; dormir bem à noite; vacinar-se contra as doenças infecciosas; tomar banho diário, lavar as mãos com frequência, especialmente antes de comer e após usar o sanitário; escovar os dentes após as refeições; fazer um check-up anualmente; seguir as orientações dos profissionais de saúde; tomar medicamentos sob prescrição médica. Além disso, temos que acondicionar o lixo adequadamente, ter em mente que a água potável é finita e usá-la economicamente, reciclar o lixo, não deixar recipientes com água parada, lutarmos pela preservação ambiental. Devemos participar ativamente da sociedade, buscar pelo conhecimento, não guardar mágoas; ser gentil, fazer o que dá prazer e ser feliz, com muita saúde!

O Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde (PPGCS) forma mestres e doutores e tem cinco linhas de pesquisa: Investigação de agravos à saúde de origem infecciosa, Investigação de agravos crônicos à saúde, Estudos e desenvolvimento de medicamentos e produtos para a saúde, Processos inflamatórios e alérgicos e Neurociências.

Saiba mais sobre o PPGCS, clicando aqui!

Texto escrito pela professora doutora Fabiana Schuelter-Trevisol, coordenadora adjunta do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saude da Unisul e pesquisadora de Clínica Médica do Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital Nossa Senhora da Conceição, de Tubarão.

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