Medicina chinesa sugere viver a primavera com a natureza

Diferente da medicina ocidental, a medicina oriental valoriza a relação do indivíduo com a natureza e parte do princípio que quando se está em equilíbrio, a relação com o meio melhora. Especificamente na medicina chinesa, a primavera, que inicia hoje (22/09), é caracterizada por ventos que trazem novas oportunidades e mudanças para quem está preparado para tal, e do contrário, inflexibilidade e irritabilidade. Cuidados com a saúde influenciam diretamente na preparação para esse momento.

A professora Graciela Mendonça, do curso de Naturologia, ensina sobre medicina chinesa há 20 anos e explica que ao longo dos anos, observou os traços da medicina chinesa na prática aqui, e de que forma poderia ser aplicada. A medicina chinesa é guiada pelas energias Yin e Yang, e por cinco elementos que correspondem a determinados órgãos e vísceras do nosso organismo. São estes: Metal (pulmão, intestino grosso), Água (rim, bexiga), Madeira (fígado, vesícula biliar), Fogo (coração e intestino delgado) e Terra (estomago, baço). Esses elementos estão ligados em um círculo de energias, que quando equilibradas, proporcionam bem-estar e saúde ao indivíduo. “Existe um processo que a gente chama de geração de energia. Onde a madeira gera fogo, madeira queimada gera cinza que vai gerar produto da terra, na terra a gente tem elemento minerais que vão gerar o elemento metal, elemento metal por sua vez quando se fluidifica, se torna liquido representando a geração do elemento água, e a água é quem nutre a madeira”, explica Graciela.

O vento é uma característica da energia Yang e o elemento que corresponde à primavera é a madeira. É feito uma analogia que sintetiza os processos que acontecem na estação, e que explicam alguns problemas de saúde comuns nessa época do ano. Uma árvore, se bem nutrida e fortificada, é capaz de se adaptar ao vento e aproveitá-lo para disseminar suas sementes e receber novas. Do contrário, se a árvore está frágil, se torna suscetível à uma queda ou a perca de nutrientes. “Como os galhos, se estamos bem alongados fortificamos as articulações que nos permitem nos adaptarmos ao vento, porque se houver um desiquilíbrio; no aspecto comportamental a pessoa pode ter dores de cabeça, quadros de insônia e irritação. Esses aspectos estão ligados ao elemento fogo, que recebe energia da madeira. No âmbito corporal, a pessoa pode ter processos inflamatórios, alergias, rinite, sinusite e outros problemas relacionados ao elemento metal, ligado à respiração, que troca de energia com a madeira”, alerta Graciela.

Segundo Mendonça, a primavera significa o término do recolhimento e aquecimento que foi buscado no inverno para um momento em que a criatividade e criação de novas oportunidades floresce. ”A gente entra nessa fase de transição que é a primavera, que é justamente o gerar o movimento, é a fase de crescimento, de criatividade, que a gente explora mais, muitas características da medicina chinesa trazem a primavera como tempo de renovação da vida, que é justamente o crescimento ou a gente ter possibilidade de criar novas etapas para a nossa vida. E consequentemente, o bem-estar físico e psicológico”, sintetiza a professora.

Alguns hábitos são indispensáveis para gerar o equilíbrio nessa época: Optar por frutas da época, de preferência cítricas, saladas e legumes; evitar excesso de álcool, alimentos ricos em açúcar e gordura. Um bom sono ou repouso, que não significa dormir muito tempo, mas dormir o suficiente e com qualidade. Praticar alongamentos e exercícios físicos e administrar o tempo de trabalho para que sua mente não sature, mas também não fique ociosa. Todas essas ações influenciam na harmonia das energias do fígado e vesícula biliar, correspondentes à madeira. “Se eu entro em uma certa desarmonia nessa época do ano eu favoreço uma distribuição não harmônica do wei qi, que na medicina chinesa significa energia de defesa, então eu declino o meu sistema imunológico, e isso pode gerar problemas respiratórios e alergias em geral. Enquanto problemas comportamentais, irritabilidade, inflexibilidade, enxaqueca, e alguns quadros de insônia. Se eu entro em equilíbrio, que gero justamente o oposto, eu gero uma capacidade de administrar melhor minha vida, sem estar me sobrecarregando, consigo coordenar meu dia de maneira que eu sou flexível as minhas necessidades, e não ao que o mundo exige”, assimila a doutoranda.

Graciela Mendonça está no grupo de cinco profissionais da saúde que irão representar o Brasil na China no dia 10 de outubro, para o congresso “Advanced Seminar: Development of TCM on clinical practice and research (1754)”. O seminário tratará das patologias relacionadas aos elementos utilizados na medicina tradicional chinesa, dentre elas a dermatologia, doenças crônicas e processos de dor. “Estou levando o flyer dos trabalhos com os alunos para mostrar, mandei um relatório do que a gente faz, para eles conheceram o nosso trabalho aqui na Unisul especificamente, estamos levando os jogos didáticos em medicina tradicional chinesa produzidos aqui”, conta.

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