Profissional graduada na UnisulVirtual é produtora de externas na floresta amazônica

A história de Fátima Santágata é repleta de experiências bem interessantes. Produtora há três décadas, sua carreira começou aos 21 anos quando foi à Itália restaurar um ‘bunker’. Para graduar-se em Produção Multimídia na UnisulVirtual, enfrentou muitos obstáculos até conquistar o tão sonhado diploma.

Apaixonada por documentários, Fátima foi para Orselina, na Itália, oportunidade que encontrou para exercitar um outro idioma, conhecer uma nova cultura e ampliar a sua visão política naquele momento em que o País enfrentava a morte de Tancredo Neves. “Estava grávida. Ali, surgiu a produtora, recuperei o bunker, exercitei o inglês, vi a política do Brasil pós Tancredo, porque a morte dele mexeu com a minha parca visão política. Entre reuniões e descobertas, caminhadas, surgia a futura mãe, pois o filho crescia nas entranhas”, lembra.

No sexto mês de gestação decidiu conhecer o Marrocos e a tribo dos Fatímidas, descendentes de Fátima, a filha de Maomé. “Fui parar numa aldeia no interior de Sid Kassem e depois de uma intensa jornada com as mulheres marroquinas voltei ao Brasil para reencontrar o pai do meu filho. Cada detalhe do parto natural foi produzido por mim. Meu filho nasceu em casa, num pequeno apartamento perto do Jardim Botânico”, conta Fátima .

Adepta ao estilo de vida naturista, mudou-se para a floresta com seu filho Sahi-Lin, que tinha apenas dois anos de idade, para viver na comunidade do Santo Daime, na Vila Céu do Mapiá, Flona do Purus (Floresta Nacional do Purus – Pauini/AM). “Por 25 anos tive uma vida cabocla, plantei muito, ralei muito, contraí nove malárias, fiz diversos trabalhos espirituais com enteógenos. E acima de tudo, sempre trabalhei na comunicação social e na recepção de visitantes do mundo inteiro. Muitos passaram pela minha casa, espanhóis, italianos, japoneses, austríacos, etc.”, fala a Produtora.

Fátima  fundou uma rádio que cobria a vila central e colocações em um raio de 10km, fomentou o desenvolvimento de trabalhos comunitários como o Plano de Desenvolvimento Comunitário (PDC) em parceria com a WWF (Fundo Mundial para a Vida Selvagem e Natureza) e adotou seu segundo filho, Xavier. “Adotei um índio apurinã, que estava morrendo na beira do rio com muita malária e verminoses. Com ele revi todo o meu conceito de maternidade, Sahi-Lin foi um super irmão e deu tudo que tinha ao pequeno que acabou sendo registrado como filho”, emociona-se.

Ela também participou do Encontro da Rede de Mulheres no Rádio (atualmente Rede de Mulheres em Comunicação) e foi convidada a fazer parte do Projeto Cyberela – A Voz feminina no cyberespaço. Participou de capacitações, do processo de inclusão digital que o Brasil passava, viu nascer  o GESAC – Governo Eletrônico de Serviço de Atendimento ao Cidadão.

Ao ganhar uma antena do Ministério de Planejamento, foi uma das primeiras pessoas a ter e equipamento instalado no meio da floresta com conexão satelital. Em contrapartida, era necessário construir o prédio do Telecentro Nova Idéia, com uma biblioteca com mais de 500 volumes. “Eu e meu marido piramos com a possibilidade da inclusão digital na floresta e não medimos esforços pra conseguir montar a estrutura, com recursos próprios e ajuda de alguns parceiros que apoiaram a causa”, aponta a Produtora.

Ao relacionar-se com o governo manauara, recebeu a proposta de firmar uma parceria com os ISF- Engenheiros sem fronteiras de Madri para a liberação de placas solares para o telecentro e bombas d´água para cinco pontos comunitários.

Depois de 22 anos de serviço voluntário, iniciou a jornada em busca do diploma e o retorno ao mercado de trabalho. Prestou vestibular para Engenharia de Comunicações e desistiu devido ao valor da mensalidade. Contraiu dívidas, trabalhou como assessora em um escritório jurídico e em lojas. Tentou uma faculdade novamente, no curso de Sistemas de Internet e desistiu após 15 dias de aula.

Durante sua carreira, produziu comerciais publicitários e seguiu como freelancer de conteúdos para a TV Cultura do Amazonas que a contratou após o retorno ao México.  “Quando voltei dessa viagem fui contratada pela TV Cultura, em 2013, abri a minha empresa Santagata Produções e aqui estou, na minha segunda série documental, graças aos editais da ANCINE e o reconhecimento de parceiros da TV Cultura que acompanham a minha jornada”, destaca Fátima.

Nesse mesmo ano, por meio de uma colega, Fátima soube que a UnisulVirtual ofertava o curso ideal, que se encaixaria perfeitamente em sua rotina e carreira. Teve receio por não conseguir pagar as mensalidades, encarou a oportunidade e participou do processo seletivo. “Em 2013 ingressei na UV. Juntei minha papelada e enviei. O fato da análise dos documentos ser feita sem a exigência de um vestibular já cria um outro campo vibracional. Foi ralado, foram muitas emoções e cada uma valeu muito a pena”, aponta.

O mais difícil foi conciliar a vida de produtora de externas na floresta com a dinâmica do espaço virtual. “Chorei, sorri, recebi críticas, mas também tive muito apoio. As viagens em dias de avaliações presenciais, tentar negociar prazos para as avaliações a distância, perder pontos, receber nota dez, devorar os tutoriais nas longas madrugadas de muita solitude. Mas aprofundar o saber e lapidar uma postura profissional, faz parte desse sonho que é ter o canudo”, reflete a Produtora.

Como a internet no Amazonas é lenta e cara, muitas vezes Fátima precisou acessar o Espaço Virtual de Aprendizagem no próprio trabalho para seguir firme na graduação pois a metodologia não é moleza. “O conteúdo da UnisulVirtual é intenso e despojado. Exige seriedade, não dá pra fazer de conta porque garimpamos sozinhos. Mesmo assim, pelo EVA, recebemos o suporte dos tutores e professores. O horário nem sempre era compatível com meu time de externas, então nem sempre pude participar das videoconferências em tempo real. Aproveitei brechas durante o expediente para acessar o EVA. Virei madrugadas na casa de amigos, porque não tinha conexão em casa”, conta.

Até que concluísse sua jornada, ela encarou desafios, como enviar as ADs em lan-house no meio da serra ou fazê-las enquanto passava a noite no hospital acompanhando a mãe recém-operada. Também realizou as APs em meio a desgastes emocionais ao se deslocar para visitar o filho acidentado e retornar à Manaus onde estava sua vida profissional.

Dias antes de colar grau, contraiu chikungunya e em meio a recuperação não desistiu de participar da cerimônia de formaturas. “Vi a morte bem pertinho, mas escapei. Encarei a sessão solene, fui tomando remédios pra dor, consegui subir no salto, a mãe fez o vestido azul, vesti a beca. Enfim, vivi junto com a família, filho, nora e neta esse rito de passagem. Infelizmente o Xavier que é o Índio não veio mas acompanhou e me felicitou”, lembra a Produtora.

Entre as conquistas após graduar-se, estão a mudança de casa e a participação em novos projetos. “Hoje sigo na produção da TV Cultura, consegui abrir a conta bancária da minha empresa e estou migrando para um contador virtual. Também estou no momento de estruturação do meu home-office, muito ilusionada em seguir participando de projetos audiovisuais na Amazônia. Esse é meu diferencial sou uma produtora de externas na floresta, aguento o tempo na mata e isso faz toda a diferença”, orgulha-se.

O sonho da realização profissional sempre esteve presente e por isso Fátima  precisou abrir mão de algumas coisas para alcançar seus objetivos. “A escolha de perseguir uma graduação me afastou da comunidade, do meu marido e dos meus filhos. A minha relação com eles também é virtual e o que me dá forças pra continuar é pensar que sou uma referência pra que eles também persigam a suas lendas pessoais. E que a Existência me dê saúde pra seguir aprendendo e ensinando”, finaliza.

 

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