Quando um programador larga a profissão para se tornar um jornalista

A história de Elio Quaresma Neto com jornalismo começa no momento em que optou pela programação em Java. Embora a afirmação pareça confusa, é assim que o agora jornalista define sua escolha pela atual profissão.

Elio conta que enquanto cursava um tecnólogo percebeu, depois de algum tempo, como essa profissão era solitária. Ao concluir o curso, sentiu que não poderia continuar na área e buscou por trabalhos que proporcionariam esse contato. “E apareceu em uma das opções o jornalismo. Aí olhei a grade curricular do curso e pensei: ‘quer saber eu vou fazer jornalismo, até porque eu tenho o sonho de ser escritor’”.

O sonho de escrever um livro com as aventuras contadas pelo próprio pai foi decisivo nessa nova escolha. “Vou fazer jornalismo para aprender a escrever, porque eu não sei escrever. A verdade é essa, a gente aprende a juntar palavras, mas a gente não sabe escrever”, acredita Elio.

Então iniciou o semestre letivo e já na segunda aula foi apresentado ao jornalismo por causa de uma pergunta do professor Luciano Bittencourt. “Quando o professor perguntou: O que vocês esperam aprender com o jornalismo?  Logo surgiram os nomes de Eliane Brum e Caco Barcelos, e também a visão diferente deles. E questionei se o curso me ensinaria a ter o olhar que esse pessoal tinha para escrever, aí ele falou que não ensinaria. Que não traria as respostas, mas faria muitas perguntas. Foi quando na segunda aula eu decidi que estava no curso certo”, relembra.

Como durante a graduação Elio trabalhava com marketing, aplicava as técnicas jornalísticas na vida profissional. Aos poucos ganhava destaque na empresa e no sétimo semestre, a vontade de escrever ficou ainda mais forte, por isso se inscreveu para uma experiência internacional, na Argentina, Colômbia e Chile e foi aceito nos três. “Escolhi ir para a Colômbia porque eu não conhecia absolutamente nada. Foi muito proveitoso pois como eu já tinha 90% do curso concluído, não validei nenhuma matéria apenas cursei as voltadas para a escrita. Aprendi muito, não é à toa que a Colômbia tem o Gabriel García Márquez, que ganhou o Nobel de Literatura. Os caras sabem o que estão fazendo. Voltei de lá com uma outra visão de jornalismo e uma outra visão sobre o que é escrever”.

Ao retornar, iniciou o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Deparou-se com o jornalismo de marcas e foi o primeiro acadêmico brasileiro a pesquisar a respeito de um tema tão forte no exterior. “O jornalismo de marcas não é um movimento novo, mas sim uma possibilidade de evolução da assessoria de imprensa, no que se refere a necessidade de mercado. Há grande possibilidade de o mesmo que ocorre lá fora acontecer aqui também, transformando a narrativa em um produto altamente rentável”, explica Elio.

Além de seguir com as pesquisas, Elio também apresenta o programa Sem Critérios, na UrbanTV. “É um estilo de talkshow bem-humorado. Também escrevo e desenvolvo ações de marketing de conteúdo para dois clientes na Colômbia e produzo meus contos, o que já fazia desde a época da universidade. Quero me aprimorar mais para escrever o livro. Ainda pretendo ser professor para compartilhar tudo o que aprendi seja aqui no Brasil ou na Colômbia”, planeja.