Protótipo de jogo RPG permite estudante vivenciar cultura indígena

A XII Semana dos Povos Indígenas, realizada nos dias 24, 25 e 26 de abril no Centro de Pós-graduação da Unisul, movimentou mais de 2 mil estudantes da rede pública. Dentre as atividades educativas, palestras e oficinas lúdico-pedagógicas realizadas durante o evento, um projeto piloto chamado Sambaqui Interativo permitiu aos estudantes interagirem com o protótipo de um aplicativo de simulação eletrônica em desenvolvimento, representando a paisagem e a vida sambaquieira, que ocorreu de sete a dois mil anos antes do presente. A técnica de laboratório no GRUPEP, Jéssica Mendes Cardoso, mestranda em Arqueologia pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, relata que o jogo surgiu de um interesse dela e outros três pesquisadores em vincular diferentes áreas de pesquisa na construção de um projeto em comum. São eles: Alex Martire (Doutor em Arqueologia, MAE-USP), Renata Estevam (que também é colaboradora do GRUPEP e Mestranda em Arqueologia, MAE-USP) e Tomás Partiti (Mestrando em Arqueologia, MAE-USP).

Como resultado, o Sambaqui Interativo é o primeiro produto ciberarqueológico do Grupo de Pesquisa Arqueologia Interativa e Simulações Eletrônicas (ARISE), projeto que surgiu no âmbito acadêmico do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP). Realizado em parceria com o Grupo de Pesquisa em Educação Patrimonial e Arqueologia da Unisul (GRUPEP) no formato lúdico de jogo de gênero RPG, o jogador do Sambaqui Interativo assume o papel de um indígena, podendo explorar uma paisagem com povoações sambaquieiras.

O jogo, em formato Role-Playing Game (RPG) – ou seja, um jogo em que o utilizador incorpora um personagem e o ‘interpreta’ no ambiente (nesse caso, digital) -, consiste na reconstrução da paisagem sambaquieira, baseado principalmente nos sambaquis de Santa Catarina. “Nós utilizamos os dados existentes das pesquisas feitas em sambaquis no Estado a partir da década de 1990 para construção de um ambiente em que o personagem principal irá cumprir missões relacionadas à vida cotidiana em períodos pré coloniais. Nossa intenção é que a versão final do jogo contenha uma narrativa em torno da captação de recursos, como madeira, conchas e peixes, confecção de ferramentas em pedra, interação com os demais membros do grupo e o desenvolvimento de práticas mortuárias características dos grupos sambaquieiros”, frisa Jéssica.

Com a intensão de atentar o público para a necessidade de preservação dos sambaquis e dos demais sítios arqueológicos,o jogo tem o objetivo de educar e sensibilizar o público a respeito da história e da arqueologia brasileira, levando informações obtidas pelas pesquisas para fora do ambiente acadêmico.

O ARISE é o responsável por todo o processo de desenvolvimento do jogo. Baseando-se no conteúdo fornecido pelos demais pesquisadores envolvidos no projeto, o responsável pelo design e programação é o pesquisador Alex Martire. Segundo ele, todo o aplicativo ciberarqueológico é um trabalho em conjunto, e o Sambaqui Interativo tem o diferencial de ser totalmente produzido apenas por arqueólogos, sem empresas terceirizadas envolvidas. “Estamos trabalhando na narrativa geral de modo que ela contemple o cotidiano dos sambaquieiros, tendo por objetivo central a preparação de um festim (festividade envolvendo alto consumo de alimentos) ligado a um sepultamento humano (que ocorria nos sambaquis). De modo que o jogo trabalha com o processo cognitivo a partir das missões que serão elaboradas”, reforça Alex.

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Ao vivenciar o avatar, os jogadores do Sambaqui Interativo poderão interagir com pessoas e com a própria paisagem, completando missões e recolhendo recursos naturais.

Como o público alvo do jogo são os alunos e professores das redes regulares de ensino, ao ser testado durante a XII Semana dos Povos Indígenas do GRUPEP verificou-se questões como: percepção dos alunos de diferentes faixas etárias, detalhes técnicos a partir da observação dos alunos ao utilizar os controles e cumprir a missão, além da obtenção de sugestões do próprio público alvo a respeito do que eles querem ver no jogo e se eles teriam interesse em jogar também fora do ambiente escolar. “Nós conseguimos aplicar o jogo com mais de 100 alunos durante os três dias do evento. Os dados que coletamos foram bastante positivos, a maior parte dos alunos e professores demonstraram muito entusiasmo em poder interagir com uma plataforma tridimensional do ambiente sambaquieiro. O retorno que tivemos irá contribuir para as implementações até a liberação do aplicativo em sua versão final”, completa Jéssica.

O Sambaqui Interativo é um projeto filantrópico, para fins educacionais, e será disponibilizado numa plataforma online de livre acesso. Inicialmente será disponibilizado apenas para computadores, mas há a possibilidade de um aplicativo para celular também ser desenvolvido.

Além do apoio institucional do GRUPEP-Arqueologia, do MAE/USP e do Laboratório de Arqueologia Romana Provincial (LARP-MAE/USP), o projeto contou com a colaboração dos pós-graduandos do MAE/USP: Henrique Valadares, Matheus Morais Cruz e Juliana Mouro. E consultoria técnica dos professores arqueólogos Dr. Paulo DeBlasis e Dra. Verônica Wesolowski.

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