Qualidade de vida como meta das cidades no século 21

Planejar o crescimento das cidades é um dos grandes desafios deste século. Este planejamento é entendido como um processo permanente, contínuo. O coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unisul, Rodrigo Althoff de Medeiros, pontua que as cidades da região da AMUREL enfrentam dificuldades nesta questão. Como a grande maioria dos municípios brasileiros, eles se estruturaram sem a presença de um planejamento adequado e hoje tentam equacionar os problemas urbanos ainda sem se atentarem para um planejamento de futuro e sem analisarem o passado da ocupação em um dado território.

A Arquitetura e o Urbanismo, de acordo com Rodrigo, são a arte de planejar e projetar os espaços de todas as atividades do ser humano, desde o simples edifício até a cidade como um todo. De acordo com Rodrigo, contribuem com o planejamento e a estruturação das cidades, auxiliando na criação das leis que ditam o uso dos espaços urbanos. Essa delimitação cria, inclusive, segurança para a população, já que ruas, calçadas e prédios seguem normas para serem construídos.

No entanto, em Tubarão e demais cidades da região há a falta da elaboração e divulgação de Planos Diretores que ditam as regras a serem seguidas por toda a população. O profissional alerta para a pluralidade social nos municípios e a importância do aceso a informação por todas as classes sociais para que o convívio urbano seja o melhor possível e atritos sejam mitigados.

“Se faz necessário construir uma cidade com acessibilidade para todas as classes sociais, que sigam as normas estabelecidas para construção civil, resultando no uso compartilhado e respeitoso dos espaços. Pois, enquanto essas regras forem excessivamente burocráticas, difícil de serem seguidas, caras ou mesmo desconhecidas, a classe de mais baixo poder aquisitivo vai construir na ilegalidade sem se adequar às normas do planejamento. Isso resulta em periferias e áreas marginalizadas sem infraestrutura que atrapalham todo o crescimento e o desenvolvimento do meio urbano”, lamentou.

Turismo e bem-estar

Rodrigo aponta o potencial turístico que a região possui e que deixa de aproveitar por conta da falta de um planejamento de estrutura e infraestrutura urbana integrada entre as cidades. Ele cita o exemplo de Gramado e Canela que se planejaram de forma conjunta para atender ao turismo. Assim, relaciona que a região poderia ser referência na qualidade de vida proporcionada a população com elaboração de ações conjuntas.

“A natureza é bela em qualquer lugar. O que diferencia a capacidade de apreciar e dela usufruir é a estrutura e infraestrutura, a acessibilidade à natureza com respeito ao ambiente. Isso é o que a Arquitetura e o Urbanismo fazem”, pontua 

Futuro

O profissional descreve que o planejamento sustentável dos municípios passa por um diagnóstico da realidade atual e em um pensar conjunto entre as cidades para a garantia de um melhor uso e aproveitamento dos espaços existentes. Ele explica que há ações simples como calçadas regulares, um banco na praça que convida ao descaço, mas há outras mais complexas que devem ser planejadas e seguidas por todos, inclusive nas administrações municipais e os órgãos públicos a quem competem a defesa do interesse coletivo.

“A arquitetura tem esse lado social de pensar nas pessoas que compõem a cidade e também na estética que o espaço urbano virá a apresentar. Então, a partir de um ideal podemos compor uma marca para definir a AMUREL e que esta seja sempre voltada a qualidade de vida do cidadão”, finaliza Rodrigo.

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