Queimadas devem ter controle e mais fiscalização, diz engenheiro agrônomo

Em menos de um mês ocorreram duas grandes queimadas na Grande Florianópolis. Um incêndio ocorreu no dia 24 de agosto no Rio Vermelho, que se prolongou por seis dias, mesmo com a contenção das chamas, atingindo cinco hectares do parque florestal. Nesta quarta, 11/09, o fogo destruiu mais de mil hectares do Parque da Serra do Tabuleiro, praia da Pinheira, em Palhoça. O incêndio não chegou até as casas localizadas próximas ao Parque, mas os moradores tiveram que deixar o local por segurança.

De acordo com o coordenador do curso de Gestão Ambiental da UnisulVirtual, Jairo Henkes, as queimadas nesta época do ano podem ocorrer por diversos fatores, como atividades de cultivo que se utilizam das queimadas para abertura de novas áreas ou limpeza. No entanto, o que se tem observado é que além deste tipo de uso, é o problema do descontrole do uso do fogo, que pode ser intensificada quando se tem um inverno seco, aumentando a possibilidade de alastrar mais rapidamente o incêndio.

“Além das queimadas usuais ainda podem ocorrer as realizadas sem autorização, pois para fazer esse manejo é preciso que haja autorização dos órgãos ambientais locais e estaduais. Também existem outra possibilidade para as queimadas saírem fora do controle, como é o caso da autocombustão.  Também podem ocorrer casos de fogo involuntário, como por exemplo uma pessoa jogar uma bituca de cigarro acesa e promover um incêndio acidental. Há ainda os casos de incêndios criminosos’, explica Henkes.

De acordo com Henkes, esse inverno foi bastante seco, o que pode ter oportunizado o surgimento de focos ou aumento descontrolado de queimadas. “Nessa época acontece bastante queimadas, por ser período de cultivo e de manejo de pastagens, cultivo de lavouras anuais. Ocorrem a abertura de novos espaços de lavoura, onde há a necessidade de uma recomposição vegetal, mas isso deve ser precedido de autorização ambiental”.

O professor ainda alerta sobre os impactos ambientais em relação a estes incêndios de grandes proporções. “Existem danos para os animais e plantas que vão demorar algum tempo para se recuperar, e esse tempo de recuperação depende muito das espécies e do dano causado pela intensidade do fogo. Se for rápido e passageiro não tem tanto dano, mas se ele for constante com altas temperaturas também acaba danificando toda a fauna e flora do solo, matéria orgânica e fertilidade, comprometendo inclusive futuras plantações.

O engenheiro agrônomo enfatiza que é importante haver um controle dos órgãos responsáveis. “Nada deve ser feito sem autorização dos órgãos ambientais, isso minimiza possíveis danos. É preciso maior conscientização da população, campanhas educativas e fiscalização eficiente e contínua e, ainda, punição dos responsáveis”.

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