República brasileira: ainda uma incógnita?

República é uma forma de governo em que o Chefe de Estado é eleito pelos representantes dos cidadãos ou pelos próprios cidadãos, e exerce a sua função durante um determinado tempo. É uma palavra que deriva do latim res publica ou “assunto público”.

No Brasil, essa forma de governo principiou oficialmente no dia 15 de novembro de 1889 e daí em diante tomou rumos próprios, alicerçados nos interesses econômicos de certos grupos, como herança da América Colonial Portuguesa. Implicou, assim, na continuidade dos laços de um passado político exclusivista.

Não há dúvida de que a República veio como uma forma política para sobrepor – e não para superar – a forma imperial de governo, da época dos Pedro. Tudo isso decorreu, como já mencionado, de uma herança aristocrática da conquista – e não da colonização – portuguesa, ditada pela violência contra os indígenas, mestiços e negros, da época da escravidão e da modernidade disfarçada. Assim, a República se fez – e se faz – por meio da exclusão de certos agentes históricos em favor de uma minoria, que, ainda, insiste no “assunto público”. Isso, sem deixar de mencionar a força retrograda da unicidade cultural massificadora, de alguns grupos políticos, que tenta aniquilar a diversidade continental de nosso país.

Mas, no Brasil, como mudar isso? O que fazer para tentar redirecionar os rumos políticos? Talvez, havendo uma reforma política “para ontem” ou mesmo fortalecendo o papel do partido político em detrimento àquela ideia “tonta” de que se deve votar na pessoa do candidato e não no partido do candidato. É por aí que as coisas podem enveredar sem se correr o risco de, ainda, se perpetuar as oligarquias no comando daquilo que deveria ser da coletividade.

Pouco adianta fazer críticas aleatórias ao sistema político brasileiro sem se ter à consciência devida de que o “homem de bem” é aquele que visa políticas públicas “para todos” e não o que se prende apenas em promover o voluntarismo, como se isso mudasse radicalmente o que insiste em permanecer.

O poder não está na figura de “um”, mas naquele que diz “muitos”. Tudo aos representantes políticos, nada aos protetores!

Texto escrito por Alexandre de Medeiros Motta

Alexandre de Medeiros Motta, natural do município de Tubarão (SC), é graduado em Estudos Sociais e História pela extinta Fundação Educacional do Sul de Santa Catarina (FESSC), atual Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL); especialista em Metodologia do Ensino Superior também pela extinta FESSC; mestre em Ciências da Linguagem pela UNISUL, desde 2005. Atuou como professor de História no ensino fundamental e médio nas redes de ensino público e privada do município de Tubarão. Desde 1987, atua como professor nos cursos de graduação e de pós-graduação da Unisul, tanto presencial como a distância. Por ora, coordena também as Licenciaturas de História e de Geografia da Unisul. É, também, autor de várias obras como: Aspectos catarinenses (2008); Ciência e Pesquisa (2009); O TCC e o fazer científico: da elaboração à defesa pública (2009); Viajando pelas fronteiras de Santa Catarina (2011); Metodologia da Pesquisa Jurídica (2012); Universidade e Ciência (2013); Teoria do Conhecimento (2013); História Econômica (2015); O TCC e o fazer científico: da elaboração à defesa pública (2015); Universidade e Ciência (2016).

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