‘SC que Dá Certo’ reúne histórias de empreendedorismo na Unisul, em Araranguá

A história de uma empresa que se tornou referência na fabricação de roupas e acessórios em couro, a criatividade de duas irmãs que conquistaram fãs em todo Brasil fabricando bijuterias e a trajetória de um empreendimento que cresceu graças a união de muitos pequenos empresários. Estas foram as histórias compartilhadas no quarto painel do SC que dá Certo 2018, que ocorreu na Unidade da Unisul em Araranguá, na noite desta quinta-feira (7).

O diretor de criação da Kalline – Couro e Tradição, Eduardo Rizzotto, a co-fundadora da Maria Cereja, Alice Coelho de Souza, e o presidente do Center Shopping Araranguá, Nivaldo Rizzotto, foram os painelistas do evento que lotou o auditório da Unisul.

Para o Professor Mauri Luiz Heerdt, Reitor da Unisul, este projeto é de grande importância para a universidade e para todas as pessoas da nossa região, porque valoriza, essencialmente, a história das pessoas. “Muitas vezes nos esquecemos da trajetória destes empreendedores por trás das grandes marcas. A Unisul estará sempre apoiando, incentivando e promovendo iniciativas como estas, pois movimentam a economia e geram emprego e renda para toda a região”, ressalta.

O Reitor ainda completa explicando que essa, é uma das essências da educação atual: integrar teoria e prática. E quando falamos em empreendedorismo, estamos aliando estas duas dimensões educacionais, e a Unisul percebe isso tanto do ponto de visto do processo de formação, quanto do desenvolvimento das pessoas e das nossas regiões”, avalia.

Com mediação do apresentador do NSC Notícias, Fabian Londero, o público acompanhou as apresentações e pode interagir com perguntas. O objetivo deste projeto, que ocorre desde 2015, é inspirar outros catarinenses a buscarem alternativas para empreenderem ou superarem os desafios da economia.

Depois de Araranguá, o projeto segue com painéis em Joaçaba e São Miguel do Oeste.

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Tradição com inovação

O primeiro painelista foi o diretor de criação da Kalline – Couro e Tradição, Eduardo Rizzotto. A empresa foi fundada em 1990 por seus pais, Nivaldo e Jaqueline, e ao longo dos anos se tornou referência na fabricação de roupas e acessórios em couro.

A ideia de criar uma marca com produtos feitos exclusivamente de couro surgiu após uma viagem que o casal fez à cidade de Gramado, no Rio Grande do Sul. Lá, perceberam que o couro era popular, mas na região de Araranguá não havia nenhuma confecção com este material. O nome, Kalline, é uma junção de Karmen, antiga sócia e costureira, e de Jaqueline, mãe de Eduardo.

De acordo com o diretor, a empresa começou produzindo apenas roupas e alguns anos depois começaram a fabricação de bolsas e acessórios. Por trabalharem com um material tradicional e durável, se preocupam com a moda, mas ao mesmo tempo, com o caráter atemporal das peças, para que sejam aproveitadas em todas as estações do ano e épocas da vida.

Segundo ele, há relatos de clientes que dizem ter peças de mais de 20 anos, praticamente o tempo da empresa.

Além disso, conforme Eduardo, o reaproveitamento de material também é uma preocupação que há desde o princípio da empresa, para tornar-se sustentável. Todo o couro que sobra da fabricação de jaquetas e seria descartado é reaproveitado para novos produtos, confeccionados pela técnica do patchwork, de forma artesanal.

Outra característica da empresa é a exclusividade, com a possibilidade de o cliente personalizar o seu produto antes de adquiri-lo.

Conforme Eduardo, embora tenham passado por períodos de dificuldades, o crescimento foi constante ao longo dos anos, sendo que atualmente a empresa tem lojas próprias em 7 cidades de três estados, além de representantes comerciais em quase todo Brasil. Nos últimos anos, diante dos desafios do mercado, começaram a apostar ainda mais em design e inovação. Com isso, a marca se apresentou no São Paulo Fashion Week, o que deu ainda mais visibilidade nacional e internacional.

Paixão e criatividade

A empresária Alice Coelho de Souza e a irmã, Aline Coelho de Souza, apresentaram a história da marca criada por elas: a Maria Cereja. Alice é formada em design industrial e Aline é farmacêutica. Desde adolescentes, já desenvolviam bijuterias e um tio era ourives.

Aos 14 anos, Alice participou de uma oficina para fazer acessórios, enquanto a irmã estudava farmácia na UFSC, em Florianópolis. Quando Alice compartilhou a primeira peça fabricada com Aline, as duas decidiram apostar na ideia, para terem uma renda extra.

Inicialmente, fabricaram 12 pares de brincos e venderam todos em uma tarde, o que as motivou a continuar. Trabalharam com bijuterias como hobby, até que Aline se formou e começou a trabalhar como farmacêutica.

Depois de um tempo, a vontade de empreender e fazer o que amavam as levou de volta à bijuteria. Em 2007, começaram a produzir na mesa de casa, mas os clientes começaram a aumentar, até precisarem se mudar para uma sede própria.

Alice decidiu fazer a faculdade de design industrial para se especializar no negócio e, quando a empresa cresceu, Aline decidiu abandonar a farmácia e se dedicar ao sonho.As duas relataram diversos momentos difíceis, até buscarem ajuda e estruturarem a empresa.

Nos últimos anos, com diversas mudanças no modelo de negócio, a marca conquistou espaço em lojas multimarcas de todo país, além de milhares de seguidores nas redes sociais. Em 2016, a empresa abriu a primeira loja conceito, em Criciúma, e no próximo semestre, inaugura um showroom fixo em São Paulo, para atender lojistas de todo país.

 

União e ousadia

O empresário Nivaldo Rizzotto apresentou a história do Center Shopping Araranguá, empreendimento que começou em 1991, quando um grupo de fabricantes de confecção, entre eles Nivaldo, se reuniu para abrir um espaço que atendesse lojistas. Procuraram investidores, mas poucos acreditavam no negócio. Assim, foram em busca dos próprios fabricantes, sendo que precisavam de 39 para financiar o empreendimento inicial. Conseguiram esse número e muitos outros, sendo que atualmente são 58 comerciantes que fazem parte da associação.

Durante alguns anos, atenderam lojistas e também varejo, mas nos anos 2000 os próprios lojistas começaram a exigir exclusividade e começaram a escolher outros lugares para comprar.

Em 2004, o espaço passou a atender apenas consumidores finais e em 2012 o grupo começou uma mudança ousada: construir um shopping center. Em 2015, a associação inaugurou um espaço de 20 mil m², com 500 funcionários, 12 restaurantes e mais de 70 lojas, além de cinema e outras atividades culturais que trazem pessoas de todas regiões.

*Com informações da NSC

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