Telemedicina: o futuro dos atendimentos médicos

O Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou no início do mês de fevereiro uma nova resolução que promete mudar a medicina convencional. A resolução 2.227/18 prevê a consolidação e a normatização da telemedicina no Brasil. Desta forma, os médicos poderão realizar atendimentos, acompanhamento, diagnósticos, consultoria, conferências e até mesmo cirurgias por meio da internet.

A resolução trouxe uma divisão de opiniões entre a comunidade médica. Segundo o professor de Ética Médica e Bioética da Unisul, o médico Carlo Roberto Hackmann, a prática da telemedicina já é uma realidade do Brasil e a resolução veio apenas para minimizar possíveis riscos. “Tudo o que é novo acaba gerando um certo medo. A grande preocupação da classe médica é que ocorra a substituição do atendimento presencial pelo virtual”, esclarece.

O médico, entretanto, não acredita que isso deva ocorrer. “A resolução vem para consolidar e normatizar a telemedicina, que já existe no Brasil. Para isso, o documento garante que os preceitos médicos dos atendimentos continuem sendo seguidos. Tudo isso para que seja feito de forma segura e ética”, reforça.

O futuro é agora

Em Santa Catarina já existe um projeto de telemedicina, o projeto Telessaúde, em que é possível fazer teleconsultoria, diagnóstico e até mesmo laudos. Carlo, que é médico de família e atende na saúde primária, acredita que a resolução, que levou dois anos para ser concluída, irá aliviar os gargalos do serviço público de saúde. “Utilizo o Telessaúde SC e o Telessaúde RS com certa frequência para tirar dúvidas, solicitar uma segunda opinião de um especialista. O atendimento a distância vem para contribuir com a consolidação do SUS, ajudar a resolver os problemas de filas de espera, diminuir a demora no atendimento. Acredito que vá oferecer um melhor tratamento para os pacientes”, defende o médico.

O que diz, resumidamente, a resolução 2.227/18

  • Teleconsulta: é a consulta médica remota, com médico e paciente localizados em diferentes espaços geográficos. A primeira consulta deve ser presencial.
  • Telediagnóstico: a emissão de laudo ou parecer de exames, por meio de gráficos, imagens e dados enviados pela internet, é definida como telediagnóstico, que deve ser realizado por médico com Registro de Qualificação de Especialista (RQE) na área relacionada ao procedimento.
  • Telecirurgia: o procedimento é feito por um robô, manipulado por um médico que está em outro local. É necessária a presença de um médico, com a mesma habilitação do cirurgião remoto, no local do procedimento, ao lado do paciente.
  • Teleconferência: a teleconferência de ato cirúrgico, por vídeo transmissão, também é permitida, desde que o grupo receptor das imagens, dados e áudios seja formado por médicos.
  • Teletriagem: ocorre quando o médico faz uma avaliação, à distância, dos sintomas para a definição e direcionamento do paciente ao tipo adequado de assistência necessária.
  • Teleorientação: vai permitir a declaração de saúde para a contratação ou adesão a plano de saúde.
  • Teleconsultoria: médicos, gestores e profissionais de saúde poderão trocar informações sobre procedimentos e ações de saúde.
  • Telemonitoramento: muito comum em casas de repouso para idosos, vai permitir que um médico avalie as condições de saúde dos residentes.
COMPARTILHAR